Enquanto traficantes e artistas lucram, a infância é destruída sob o disfarce de cultura e diversão.
Em alguns bailes das periferias brasileiras, uma prática tem chocado até os que já estão acostumados à violência social: meninas de apenas 13 ou 14 anos deitam sobre tábuas de madeira no meio do público e são expostas a atos sexuais com desconhecidos. Essa prática cruel vem sendo chamada de “tábua do sexo”.

O nome tenta disfarçar o que realmente é: exploração sexual infantil. Essas jovens, ainda em fase de desenvolvimento, têm seus corpos violados em espaços onde o crime, a música e o consumo se misturam sob o manto da “liberdade cultural”.
Esse cenário não é exceção isolada. Ele está inserido num fenômeno maior: a narcocultura, uma estética e uma mentalidade que romantizam o crime, a ostentação, o desrespeito às leis e a dominação dos mais fracos — principalmente das meninas.
A narcocultura transforma o bandido em herói. Frases como “gosto é de bandido” ou “vida loka” não são mais apenas versos de músicas, mas slogans de um estilo de vida que conquista jovens que cresceram cercados por ausência do Estado, falta de oportunidade e violência cotidiana.
Em vez de proteção, essas meninas encontram aplausos por atos que deveriam gerar revolta. São incentivadas a se deitar na tábua como forma de “iniciação” ou “empoderamento”, mas na verdade são levadas à degradação, à perda da dignidade e ao trauma.
A maioria desses bailes acontece sob domínio do tráfico, com aval de chefes do crime. É nesses ambientes que artistas fazem shows, youtubers gravam conteúdos e influenciadores aumentam seguidores. Enquanto isso, meninas têm sua infância roubada, diante de plateias passivas.
Muitas vezes, esses atos são filmados e compartilhados nas redes sociais. Os vídeos viralizam, transformando o abuso em entretenimento. O alcance dessas imagens ultrapassa bairros e cidades, ampliando a normalização da violência e o ciclo de exploração.
Esses conteúdos raramente são denunciados. As plataformas digitais lucram com o engajamento, e o sistema judicial demora a agir. A impunidade alimenta a continuidade dessa prática e a impõe como parte da “vida comum” nas favelas.
Mas não é comum. E não pode ser tratado como algo folclórico, cultural ou típico. O que está acontecendo é a infância sendo destruída publicamente, enquanto a sociedade olha de longe, muitas vezes com indiferença.
A ideia de que tudo na periferia deve ser “aceitado” em nome da liberdade cultural é perigosa. Cultura não pode ser confundida com abuso. Diversão não pode significar violência. Liberdade sem consciência é só mais uma forma de prisão.
A CPI dos Pancadões, instaurada recentemente, tem revelado como essas engrenagens funcionam. O tráfico organiza, os produtores lucram, e os artistas divulgam — todos ganham algo com o espetáculo da destruição de meninas.
A cultura da ostentação imposta pela narcocultura transforma o consumo em identidade, o poder em dominação, o corpo da mulher em moeda de troca. Meninas aprendem cedo que seu valor está na exposição, na submissão e na validação dos homens.
O Estado, por sua vez, falha em todos os pontos: falha em garantir segurança, educação, informação e espaços culturais saudáveis. E quando reage, muitas vezes chega com repressão e criminalização da juventude, e não com acolhimento e oportunidade.
Não há liberdade em ser forçada a se exibir. Não há empoderamento em ser tocada por estranhos sem consentimento real. O que existe é medo, trauma, e uma sociedade que ainda não entendeu o valor da infância como território sagrado.
O combate à narcocultura precisa ser firme, direto e sem relativizações. É preciso responsabilizar os organizadores desses eventos, os traficantes que os patrocinam e os artistas que se aproveitam disso para fama e lucro.
Mas é preciso também propor alternativas. Centros culturais, projetos de formação, escolas com estrutura, oportunidades de trabalho e arte com dignidade. A juventude das periferias é rica em talento, inteligência e criatividade — não precisa da miséria para brilhar.
As meninas da periferia merecem mais do que sobrevivência. Merecem proteção, afeto, oportunidades, e principalmente respeito. Precisam saber que seus corpos não são objetos e que sua existência tem valor além do desejo alheio.
A tábua do sexo é a ponta visível de uma cultura de abuso que se fortalece no silêncio. Se não formos capazes de olhar essa realidade com coragem, compromisso e ação, estaremos perpetuando o ciclo de violência contra gerações inteiras.
O tempo de tolerar isso acabou. É hora de romper com a omissão. A infância é intocável. A cultura deve libertar, não destruir. E toda sociedade que permite o abuso de suas meninas está fadada a colher a barbárie. Chega.
Algumas Informações: rubinhonunes.sp (Instagram)
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