Composto N-pirrolidino protonitazeno foi encontrado em paciente que acreditava ter usado apenas ecstasy; caso acende debate sobre adulteração de drogas e risco de overdoses acidentais.

Foto: Reprodução
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Um alerta emitido pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) confirmou a identificação, pela primeira vez no Brasil, de um novo opioide sintético com potência devastadora. Trata-se do N-pirrolidino protonitazeno, um composto pertencente à classe dos nitazenos.
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A substância é considerada pelos especialistas como sendo aproximadamente 50 vezes mais potente que o fentanil, que por sua vez, já é cerca de 50 vezes mais forte que a heroína.
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A descoberta ocorreu após um paciente ser atendido em estado grave no Hospital de Clínicas da Unicamp, em Campinas (SP). O homem deu entrada com sintomas de intoxicação severa, incluindo sonolência extrema e perda de consciência.
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Ele relatou ter feito uso apenas de ecstasy, uma droga sintética popular em festas. No entanto, a gravidade de seus sintomas, que não são típicos do ecstasy, levou a equipe médica a suspeitar de outra substância.
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O paciente precisou receber naloxona, um medicamento conhecido como antídoto específico para reverter overdoses de opioides, como o fentanil. A resposta positiva ao antídoto confirmou a suspeita.

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Análises laboratoriais subsequentes, conduzidas pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) da Unicamp, identificaram a presença do N-pirrolidino protonitazeno misturado ao ecstasy.
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Devido à sua alta toxicidade e ao risco iminente à saúde pública, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) agiu rapidamente e incluiu o composto na lista de substâncias psicotrópicas de uso proscrito no Brasil.
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O perigo dos opioides e do Fentanil
Drogas como o fentanil e, agora, os nitazenos, são opioides sintéticos. Elas atuam ligando-se aos receptores opioides no cérebro, que controlam a dor e as emoções.

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Ao fazer isso, eles bloqueiam as mensagens de dor e podem induzir sentimentos de euforia. No entanto, esses mesmos receptores também controlam funções vitais, sendo a principal delas a respiração.
O perigo central dessas substâncias é a depressão respiratória. Em doses elevadas — o que é extremamente fácil de ocorrer com compostos tão potentes — a respiração do usuário pode diminuir drasticamente ou parar por completo.
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Quando a respiração para, o oxigênio deixa de chegar ao cérebro. Isso leva rapidamente à hipóxia, que pode causar danos cerebrais permanentes, coma e, frequentemente, a morte em questão de minutos.
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O maior risco, evidenciado pelo caso da Unicamp, é a adulteração. O usuário de ecstasy ou cocaína, por exemplo, não sabe que está consumindo um opioide potente junto.
O resultado é uma overdose acidental, pois o corpo não tem tolerância à substância e a dose, mesmo que "poluindo" outra droga, é fatal.
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A epidemia de consumo "às cegas"
O caso de Campinas reforça os dados de uma pesquisa recente conduzida pela própria Unicamp em parceria com o Ministério da Justiça.
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O estudo entrevistou frequentadores de festas e revelou um dado alarmante: 70,8% dos entrevistados admitiram ter usado drogas ilícitas.
Mais preocupante, a grande maioria desses usuários relatou não ter conhecimento sobre quais substâncias estavam realmente ingerindo.
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Eles compram uma droga (como ecstasy, MDMA ou cocaína) confiando no traficante, mas, na prática, consomem um coquetel de substâncias desconhecidas e frequentemente adulteradas com compostos mais baratos e perigosos, como o fentanil ou os nitazenos.
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Como procurar ajuda para dependência química
O vício em opioides é considerado uma doença crônica e tratável, mas a interrupção do uso por conta própria é extremamente difícil e perigosa devido à severidade das crises de abstinência.
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O primeiro passo para quem deseja parar de usar drogas é reconhecer o problema e buscar ajuda profissional. A dependência química é uma condição de saúde complexa, que afeta o cérebro e o comportamento.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito e especializado através dos Centros de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS-AD).
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Esses centros contam com equipes multidisciplinares (médicos, psicólogos, assistentes sociais) preparadas para oferecer desintoxicação supervisionada e acompanhamento terapêutico.
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Além dos CAPS-AD, grupos de apoio como o Narcóticos Anônimos (NA) oferecem um suporte comunitário valioso, baseado na partilha de experiências entre pessoas que enfrentam o mesmo problema. Também existem clínicas particulares especializadas no tratamento.
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A descoberta deste novo opioide pela Unicamp reforça a conclusão do estudo: há uma necessidade urgente de se implementar políticas públicas de redução de danos e ampliar a testagem de drogas no país, para evitar mais mortes por overdose.
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