Em treinamento, PMs de batalhão de elite fazem apologia a assassinato: “Se eu pego, atiro sem dó nem compaixão”. A PMGO não se manifestou.
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Policiais militares de grupo de elite em Goiás gravaram um vídeo durante um treinamento em que cantam uma música que faz apologia à execução de “bandidos” e incentiva a “caça” de testemunhas.
“Matar o bandido, acende uma vela, bota ele na mala, eu vou pra estrada velha. Eu tenho uma notícia e um corpo baleado. E a testemunha, aponta o caçador, eu quero a testemunha na sexta-feira à tarde. Eu tô de viatura, caçando esse covarde. Se eu pego, atiro sem dó nem compaixão. Minha emoção é zero, o verdadeiro inferno”, diz trecho da canção, cantada no estilo jogral.
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Veja o vídeo:
Vídeo: Portal Metrópoles/ Reprodução Redes Sociais
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O treinamento em questão é do Comando de Operações de Divisas (COD), batalhão especial da PM de Goiás envolvido em diversas polêmicas desde que passou a ser comandado pelo tenente-coronel Edson Melo, também conhecido como Edson Raiado. O vídeo é de maio de 2023, época em que ele era comandante.
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Edson é o oficial que declara ter matado o bandido Lázaro Barbosa em 2021, no Entorno de Brasília, e que recentemente voltou a aparecer na imprensa como segurança particular do pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB).
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Além disso, Edson é ex-chefe de segurança do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil).
Procurada pela equipe do portal Metrópoles, a Polícia Militar de Goiás não se manifestou a respeito do caso. O vídeo em questão, inclusive, foi repassado à corporação. O espaço segue aberto.
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Afastamento após ilegalidade
Em abril deste ano, o tenente-coronel Edson foi afastado, e o comando do COD acabou trocado depois que um vídeo revelou possível confronto forjado que terminou com duas mortes durante uma ocorrência em Goiânia. Após o episódio, o oficial se tornou segurança de Pablo Marçal (conforme informado anteriormente).
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Um policial do COD foi filmado pedindo para o motorista de um carro abordado colocar a mão na cabeça e, em seguida, atirando contra o homem rendido. A ocorrência aconteceu no dia 1º de abril.
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A gravação mostra ainda o PM tirando uma arma de dentro de uma sacola e disparando. Essa mesma arma teria sido apresentada como se fosse dos baleados pela Polícia Militar na ocorrência.
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Crise interna
Logo após a saída de Edson, vários comandos dentro da PM de Goiás foram trocados. A instituição vive uma crise interna, principalmente depois da investigação da Polícia Civil que revelou a participação de vários policiais militares no assassinato do ex-coordenador do antigo DEM em Anápolis Fábio Alves Escobar Cavalcante.
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Ele foi executado em uma emboscada, em 2021, mas as investigações só foram concluídas no ano passado. Segundo o inquérito da Polícia Civil, Escobar foi morto por causa de denúncias que fazia sobre um esquema de corrupção no partido em Anápolis.
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Outras sete pessoas morreram nos dias seguintes, como queima de arquivo, segundo a denúncia do Ministério Público.
De acordo com a apuração, o crime foi encomendado pelo ex-presidente do DEM na cidade Cacai Toledo, preso no começo do mês.
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Ainda segundo o inquérito, Cacai teria contado com a ajuda de Jorge Caiado, primo do governador de Ronaldo Caiado, para conseguir contratar os policiais assassinos. Dez PMs foram presos por suspeita de envolvimento no crime (alguns dele já foram soltos).
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Durante as diligências, dois oficiais que já fizeram parte do alto escalão da PM de Goiás revelaram em depoimentos que foram abordados por Cacai com a sugestão de cometer o assassinato de Escobar, mas teriam negado a empreitada.
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Entenda mais sobre o caso: PMs presos por suposto confronto que terminou em mortes são soltos
Os policiais militares do Comando de Operações de Divisa (COD), envolvidos no suposto confronto que terminou com dois mortos no Setor Jaó, na capital goiana, estão em liberdade. De acordo com a Polícia Militar, eles foram colocados em liberdade devido ao fim da prisão temporária.
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Wellington Soares Monteiro, Marcos Jordão Francisco Pereira Moreira, Wandson Reis dos Santos e Pablo Henrique Siqueira e Silva foram presos temporariamente em 6 de abril. Os mandados contra eles foram prorrogados em 5 de maio e venceram nessa segunda-feira (3/6).
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Outros dois PMs presos — Allan Kardec Emanuel Franco e Diogo Eleuterio Ferreira — foram detidos temporariamente em 11 de abril. Os mandados contra eles também foram prorrogados por 30 dias, iniciando em 10 de maio. Segundo o Ministério Público de Goiás (MPGO), vencerão no próximo sábado (8/6).
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Pedido de prisão preventiva
Conforme a PM, os policiais foram soltos no domingo (2/6). De acordo com a corporação, eles colaboram com a Justiça, e estão comprometidos em cumprir as decisões do Poder Judiciário.
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Em nota, o Ministério Público informou que pedirá pela prisão preventiva dos policiais. O órgão aguarda a realização nesta semana de novas diligências para individualizar a conduta de cada um dos seis envolvidos no caso.
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Suposto confronto
O suposto confronto ocorreu em 1º de abril no Setor Jaó, em Goiânia, e familiares das vítimas denunciam o que pode ter sido uma execução.
Na ocasião, dois homens morreram baleados pelos PMs. Os militares teriam, ainda, plantado uma arma no local do crime, em um bairro de Goiânia, capital do estado.
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Os PMs alegaram que a dupla reagiu a uma abordagem, no entanto, imagens registradas pelo celular de um dos abordados mostram o momento da parada e contradizem o relato policial.
A filmagem, feita pelo celular de uma das vítimas, mostra o momento em que os policiais abordam a dupla, ordenam que eles saiam do carro e coloquem as mãos na cabeça.
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Logo em seguida, é possível ouvir alguns disparos. Dá para ver quando um dos PMs pega uma pistola e atira duas vezes no chão.
Na sequência, outro PM ordena que alguém coloque as mãos na cabeça e efetua um tiro com um fuzil. Após alguns segundos, um policial aparece tirando um revólver de um saco plástico e limpando a arma com um pano.
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Na ocorrência registrada pelo COD, os militares alegaram que um dos abordados teria descido do carro atirando contra as equipes, que revidaram. A filmagem, porém, não mostra nenhum tipo de reação, exceto o momento em que os suspeitos saem do veículo.
Os policiais relataram também que os dois homens tinham antecedentes e haviam sido denunciados por vítimas de extorsão.
Algumas Informações: Portal Metrópoles
Direitos Autorais Imagem de Capa: Portal Metrópoles/ Divulgação
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