Relatório Education at a Glance 2025 mostra que o país ocupa a 4ª posição mundial nesse índice, atrás apenas de África do Sul, Costa Rica e Colômbia.
O relatório Education at a Glance 2025, divulgado nesta terça-feira (09 de Setembro) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), trouxe dados preocupantes sobre a juventude brasileira. De acordo com o levantamento, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking mundial de países com maior proporção de jovens, entre 18 e 24 anos, que não estudam nem trabalham.
Segundo o estudo, 24% dos brasileiros dessa faixa etária estavam nessa condição em 2024. Esse índice é quase o dobro da média dos países-membros da OCDE, que é de 14%. A diferença expõe um desafio estrutural que o Brasil ainda enfrenta no campo da educação e da inserção dos jovens no mercado de trabalho.
Entre os países analisados, apenas Colômbia, Costa Rica e África do Sul apresentaram taxas maiores que a brasileira. A Colômbia registra 27%, a Costa Rica chega a 31% e a África do Sul lidera a lista, com 48% de jovens sem estudo e sem emprego.
Na outra ponta do ranking estão países como Islândia e Holanda, que conseguiram manter os índices em apenas 5%. Esses resultados mostram a distância que separa o Brasil de nações que conseguem oferecer mais oportunidades de formação e trabalho para a sua população jovem.
O fenômeno desses jovens que não estudam nem trabalham é conhecido pela sigla em inglês NEET (Not in Education, Employment, or Training). Trata-se de uma situação que preocupa especialistas porque representa não apenas uma perda de potencial produtivo, mas também riscos sociais e psicológicos para essa geração.
A falta de ocupação, seja em instituições de ensino ou no mercado de trabalho, pode trazer consequências graves para os jovens. Entre elas, destacam-se a dificuldade de alcançar independência financeira, o aumento da vulnerabilidade social e a limitação de perspectivas para o futuro.
Especialistas apontam que o problema está ligado a diversos fatores. A evasão escolar no ensino médio, a baixa qualidade de algumas formações e a falta de políticas de empregabilidade específicas para a juventude são alguns dos pontos que contribuem para esse cenário.
Além disso, a transição entre a escola e o mercado de trabalho no Brasil ainda é marcada por obstáculos. Muitos jovens não conseguem o primeiro emprego por falta de experiência, enquanto outros desistem dos estudos por não enxergarem uma conexão entre a educação recebida e as demandas do mercado.
Outro elemento que agrava o quadro é a desigualdade social. Jovens de famílias de baixa renda tendem a enfrentar mais dificuldades tanto para permanecer nos estudos quanto para conseguir uma colocação profissional. Assim, a falta de oportunidades reforça o ciclo da pobreza.
Em contrapartida, países que apresentam índices menores, como Islândia e Holanda, investem fortemente em programas de orientação profissional, estágios remunerados e políticas que conectam os jovens ao mundo do trabalho ainda durante a formação escolar.
No Brasil, algumas iniciativas têm buscado enfrentar o problema, como programas de aprendizagem e incentivos à educação técnica e profissional. No entanto, os números revelam que tais medidas ainda não são suficientes para reduzir significativamente o contingente de jovens afastados da escola e do emprego.
A situação também preocupa porque tem reflexos diretos na economia. Uma geração de jovens fora do sistema educacional e sem inserção produtiva representa um desperdício de capital humano que poderia contribuir para o desenvolvimento do país.
Além da questão econômica, há impactos sociais relevantes. O afastamento de jovens do estudo e do trabalho pode aumentar a sensação de desmotivação, a marginalização e até mesmo o risco de envolvimento com atividades ilícitas em contextos de vulnerabilidade.
A OCDE destaca que políticas de integração educacional e laboral precisam ser pensadas de forma mais ampla. Isso inclui ampliar o acesso ao ensino de qualidade, fortalecer a educação profissionalizante e criar mecanismos de apoio para que os jovens consigam ingressar e permanecer no mercado de trabalho.
O relatório também aponta que investir nessa faixa etária é fundamental para que o Brasil não perca uma oportunidade histórica. O país ainda vive um chamado “bônus demográfico”, período em que a população jovem é numerosa, mas essa vantagem pode se transformar em desafio se não houver inclusão.
Governos, instituições de ensino e empresas são chamados a atuar de forma conjunta. A criação de políticas públicas integradas, a valorização de programas de estágio e o fortalecimento da relação entre escola e mercado de trabalho são caminhos possíveis para mudar esse cenário.
Os dados da OCDE, portanto, servem como um alerta. O Brasil precisa acelerar o ritmo de reformas e ações voltadas para a juventude, sob o risco de comprometer não apenas o futuro de milhões de jovens, mas também a competitividade e a sustentabilidade do país.
Ao revelar que quase um quarto da juventude brasileira está sem perspectivas no campo da educação e do trabalho, o relatório reforça a urgência de se pensar em soluções que unam educação de qualidade, oportunidades reais de emprego e inclusão social. O desafio é grande, mas o futuro depende de como será enfrentado hoje.
Algumas Informações: icl.noticias (Instagram)
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