Em uma sociedade onde a beleza, muitas das vezes, é associada à vida, Marcia Lima de Oliveira, 47 anos, transforma a arte da maquiagem em um último ato de amor e respeito ao próximo.
A necromaquiadora é uma profissional especializada em preparar e maquiar corpos para funerais e sepultamentos. Seu trabalho é garantir que o falecido seja apresentado de forma digna e respeitosa para os entes queridos.

Foto: Reprodução/ A Tarde
A necromaquiadora utiliza técnicas específicas para restaurar a aparência natural do corpo, disfarçando sinais de doença ou trauma. Além disso, ela também pode personalizar a maquiagem de acordo com as preferências da família ou do falecido.
O trabalho da necromaquiadora é fundamental para ajudar as famílias a lidar com a perda de um ente querido, proporcionando uma imagem mais serena e natural do falecido. É um trabalho que exige sensibilidade, respeito e habilidade técnica.
Marcia revela que o óbito é como se fosse uma planta. Tem que ser regado para ficar bonita. O óbito vem com palidez, está internado em hospital, vem com muita substância de medicamento no corpo. Então, o corpo tem que ser tratado pra ficar com um aspecto melhor pra o sepultamento.
Formada em tanatoplaxia, há dois anos, Márcia trabalha cuidando de quem já morreu, há 30, desde quando era uma adolescente, de 17 anos.
"Antigamente, não precisava de profissão para trabalhar na área de funerária, nem arrumando óbito, nada disso. Agora, a gente tem a profissão legalizada para poder fazer esse trabalho", explicou.

Foto: Reprodução/ A Tarde
Ela conta que o seu sonho era ser médica, mas, como não teve a oportunidade de fazer o curso de medicina, terminou enveredando na área mortuária. “Eu ia estudar para a médica, não tinha dinheiro aí fiquei na área funerária”.
Márcia revelou ainda que sua relação com os mortos nunca foi de medo e sim de muito respeito. “"Nunca tive medo, não. Sempre gostei. Eu converso com eles. Às vezes, eu conto até alguma coisa da minha vida. Às vezes, eu oro com eles. Às vezes eu estou assim, cansada do dia todo, trabalhando. Eu digo: 'me ajude para eu terminar logo'.
Nos 30 anos anos de profissão, Márcia lembra que já soube de muitos casos de assombração e ouviu algumas coisas, principalmente, quando trabalhava em uma funerária que ficava nas dependências do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IMLNR).
“Nunca tive pesadelo, nunca sonhei com nada. No IML, já ouvi várias coisas, grito, gemido, alguém jogando bola, essas coisas. Mas, assim, para a gente nitidamente, para você ver claramente, nunca vi. Já ouvi muitas coisas, mas, para ver mesmo, não. É lenda!”.
"O pessoal conta muita lenda e eu trabalhei ali muitos anos de boa, sozinha ali. A noite era um deserto danado, cheio de pé de árvore, as árvores ficavam cantando. Mas, era só isso e pronto. Amanheceu o dia, tudo novo", relembrou Márcia, entre risos".

Foto: Reprodução/ A Tarde
Além dos causos, Márcia guarda na memória alguns pedidos inusitados de familiares e dos próprios mortos confidenciados aos entes queridos antes de partir 'dessa para melhor'.
"Já teve o óbito de vestir calcinha da esposa. Disse que era para lembrar dela, quando chegasse lá em cima. Eu já vesti camisola em homem aqui, que a esposa trouxe, porque disse que ele dizia assim: 'quando morrer eu quero sua camisola'.
Já arranquei até dente de ouro que a família pediu para ninguém roubar no cemitério. Tirei e devolvi à família. Tem cada caso", recordou.
"Ah! Uma vez, um rapaz veio com um pênis artificial e um normal. Esse dia foi chocante, porque ele estava usando os dois. Ele era homem e tinha dois. Mas, um era artificial, que ele colocou, e o outro não", completou ela.
Márcia diz que, apesar dos longos anos de carreira, ainda se sente mal ao ter que preparar alguns corpos para o sepultamento: "Eu não gosto de fazer criança, recém-nascido, criança até três anos".
Para ela, trabalhar com os mortos só lhe trouxe ensinamentos e a fez entender que a vida é um ciclo e que precisa ser vivida com respeito, humildade e amor ao próximo.
“Você amadurece, você fica com o pé no chão, você fica mais humilde. Porque esse trabalho mostra que a gente é muito sensível e, ao mesmo tempo, a gente é forte também.”
"Porque, às vezes, você perde um ente querido seu e você tem que buscar a força onde não tem e, quando você trabalha nessa área, você já tem como lidar com seus familiares a respeito da morte", concluiu a profissional.
Algumas Informações: Jornal A Tarde
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