“Estou arrasado. Estou chorando a cada minuto. Não acredito que ela está morta”. Muito emocionado e em lágrimas, o pai da médica Juliana Pimenta, Samir Sagi El-Aouar, desabafou sobre a morte da filha. A psiquiatra foi encontrada sem vida na manhã de sábado (2 de setembro), em um quarto de hotel em Colatina, no Espírito Santo. O marido dela, de 44 anos, e o motorista do casal, de 52 anos, estão presos preventivamente.
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Conforme Samir, que é ex-prefeito de Teófilo Otoni, o sentimento dele é compartilhado pelos familiares e amigos de Juliana. O pai da médica relata como foi o momento que descobriu a morte da filha. Ele diz que foi o próprio suspeito que informou o falecimento.
“Por volta de 10h, me ligou, de forma fria, e disse: ‘Doutor, aconteceu uma coisa chata aqui’. A coisa chata era a morte da minha filha”, conta Samir. O pai de Juliana conta que o filho dele, de 17 anos, ligou para o suspeito logo em seguida para entender o que havia acontecido e recebeu resposta parecida. “Ele falou cinicamente para o meu filho: ‘Ela nem aguentou o tranco’”, relembra Samir, que pensa que ele se referia a agressões sofridas por Juliana antes de morrer.
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Samir conta que o relacionamento da filha com o suspeito começou há cerca de seis anos e era abusivo. Ele conta que, desde 2019, alguns episódios o fizeram desconfiar da relação. “Em 2019, ele relatou que ela tinha tido uma parada cardiorrespiratória. E que quando foi fazer a massagem (cardíaca), quebrou sete costelas. A partir daí, a gente desconfiou”, recorda o pai.
“Às noites, vira e mexe ele ligava pra gente. Uma vez ela chegou com um corte muito grande, de sete centímetros na região frontal, que dava para ver o osso frontal dela. A gente foi no médico, ela não falou nada, ficou calada. Disseram que teria sido uma queda. Mas a gente sabia o que estava acontecendo” continua.
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Samir está convencido de que o marido de Juliana é o responsável pelo crime. “Só tinha ele e ela no quarto durante a noite. Eles (se) hospedaram à noite e, de manhã, ela foi encontrada morta, junto com ele. Eles estavam no quarto, só eles. Não havia mais ninguém”, diz o cirurgião, que também afirma que a filha foi torturada.
“Ela estava com o estômago machucado, vários furos de injeção no corpo dela, hematomas no rosto. Aspiração de substâncias pela traqueia e sinais de asfixia. Isso foi o que o IML contou”, detalha.
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Ao relembrar da filha e de como ela era, Samir não contém as lágrimas. “Uma filha amada, criada com todo o carinho do mundo, 39 anos de idade. Uma pessoa maravilhosa, que morava no nosso coração. Angelical, linda. O que vai ser da minha vida a partir de agora?”, se emociona.
Apesar do luto e da dor, Samir El-Aouar diz confiar na Justiça. Ele quer que todas as partes do processo sejam feitas dentro da lei. “É um feminicídio, mais um nesse país. Que ele seja julgado, que ele não vá para a rua. Eu espero isso. Que a justiça seja feita. Nada mais que seja feito dentro da lei. Eu tenho certeza que a polícia fez um trabalho maravilhoso. Com certeza, vamos ter a punição necessária. Ele com certeza vai ser punido”, afirma.
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O velório e o enterro de Juliana Pimenta foram realizados no domingo (3 de setembro), no Cemitério Vale das Flores, em Teófilo Otoni. Segundo Samir, muitas pessoas compareceram à cerimônia para se despedir da psiquiatra. “Uma despedida muito emocionante, fizemos uma oração”, detalha o pai, que faz um apelo contra a violência contra as mulheres.
“Isso tem que acabar. Não pode continuar. Que a justiça fique alerta com esse tipo de crime. Por mim, deveria aumentar uma pena dessas para 50, 60 anos”, conclui.
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Entenda o caso
Fuvio Luziano Serafim tem 44 anos e foi prefeito de Catuji por oito anos. Era casado com Juliana Ruas El-Aouar desde novembro de 2018
Preso por suspeita de participação na morte da sua mulher, a médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, o ex-prefeito de Catuji (MG) Fuvio Luziano Serafim tem 44 anos e era casado com a vítima desde novembro de 2018. Juliana foi encontrada morta num quarto de hotel em Colatina, Noroeste do Espírito Santo, no sábado (02 de setembro).
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Fuvio foi prefeito de Catuji, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, por dois mandatos, tendo sido eleito em 2012 e reeleito em 2016. Fuvio também é administrador de uma empresa de laticínios em Minas Gerais.
A cidade mineira de Catuji tem 7 mil habitantes e fica a 70 quilômetros de Teófilo Otoni, onde Juliana atuava como médica psiquiatra. O pai de Juliana, Samir El-Aouar, foi prefeito e vereador de Teófilo Otoni e também é médico na cidade, que tem 140 mil moradores.
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O casamento com Juliana foi o segundo do ex-prefeito de Catuji. Sua primeira mulher, Zeliane Rodrigues Soares, morreu em outubro de 2016, aos 29 anos, após sofrer acidente de trânsito na MG-342.

Foto: Reprodução Redes Sociais
Após sua esposa ter sido encontrada morta em um quarto de hotel em Colatina no sábado (02 de setembro), Fuvio se tornou suspeito de ter participado do crime, tendo sido autuado por homicídio qualificado por motivo torpe, sem que a vítima tivesse direito à defesa e por ela ser mulher.
O motorista do casal, Robson Gonçalves dos Santos, de 52 anos, que estava hospedado no quarto ao lado, também foi autuado em flagrante pelas mesmas razões. Ele e o marido da vítima foram encaminhados ao sistema prisional capixaba. O caso seguirá sob investigação.
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No sábado (02 de setembro), a Polícia Militar havia informado, em nota, que uma equipe foi acionada para verificar a informação de que teria acontecido um homicídio nas dependências de um hotel da cidade.
Quando os policiais chegaram ao local, o gerente do estabelecimento disse aos militares que havia uma hóspede em um quarto com o marido e, em outro quarto, estava o motorista do casal.
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Ainda em relato aos policiais, o gerente do hotel disse que, durante a madrugada, outros hóspedes reclamaram de barulho e bagunça no quarto do casal. Já pela manhã, o marido da mulher compareceu à recepção do estabelecimento, bastante alterado, querendo pagar a conta, alegando que a esposa estava passando mal e teria desmaiado.
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Nesse momento, foi feito contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que constatou o óbito no local.

Foto: Reprodução
Conforme consta no boletim de ocorrência da PM, um agente da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Colatina compareceu ao local do fato para realizar as diligências.
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Ao questionar o ex-prefeito sobre o que teria acontecido dentro do quarto, o homem relatou que a esposa teria passado por um procedimento cirúrgico em um hospital particular da cidade na última sexta-feira (1º de setembro), e que, após isso, os dois teriam ido a uma churrascaria. Segundo ele, a mulher estava feliz e ambos foram dormir às 20h.
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O homem ainda relatou que, ao acordar por volta de 8 horas de sábado, encontrou a esposa desmaiada na cama, possivelmente já morta, e foi orientado pelo Samu a colocá-la no chão do quarto para tentar reanimá-la.
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Em contrapartida, segundo o boletim de ocorrência da PM, o motorista do casal relatou ao agente da DHPP que foi chamado pelo marido da vítima para ir ao quarto onde os dois estavam hospedados, pois a esposa havia caído no banheiro e precisava de ajuda.
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Como ambos apresentaram informações diferentes do cenário encontrado pela perícia, foram encaminhados à Delegacia Regional do município.
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Segundo o boletim de ocorrência, no quarto onde o casal estava hospedado havia garrafas de cerveja e sangue nas roupas de cama. A vítima foi encontrada machucada.
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A declaração de óbito da médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar, de 39 anos, aponta asfixia e traumatismo entre as causas da morte. A mulher foi encontrada morta em um quarto de hotel em Colatina, Noroeste do Espírito Santo.
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Ela pode ter sido vítima de feminicídio e o marido dela, Fuvio Luziano Serafim, de 44 anos, ex-prefeito de Catuji, no Vale do Mucuri, em Minas Gerais, foi preso por suspeita de participação no crime junto ao motorista do casal, Robson Gonçalves dos Santos, de 52 anos.
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No atestado emitido no último sábado (2) pelo Departamento Médico Legal de Colatina, que a reportagem de A Gazeta teve acesso, as causas da morte apontadas são:
- Hipoxemia (baixa concentração de oxigênio no sangue);
- Asfixia mecânica;
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- Broncoaspiração (entrada de substâncias estranhas, tais como alimentos e saliva, na via respiratória);
- Traumatismo cranioencefálico (lesão física ao tecido cerebral que, temporária ou permanentemente, incapacita a função cerebral).
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Foto: Reprodução
Algumas informações: A Gazeta
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