Pesquisa apresentada no Congresso Europeu de Cardiologia reforça que manter a aspirina com antiplaquetário potente reduz riscos de complicações graves, incluindo trombose e novos infartos.
No dia 31 de agosto de 2025, durante o Congresso Europeu de Cardiologia (ESC) em Madri, foi apresentado um estudo clínico brasileiro chamado NEO‑MINDSET, desenvolvido pelo Hospital Israelita Einstein em parceria com o Ministério da Saúde.
O estudo envolveu mais de 3,4 mil pacientes de 50 hospitais em diversas regiões do Brasil, sendo que a maior parte foi atendida pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O objetivo central foi comparar a terapia antiplaquetária padrão, que combina aspirina com um antiplaquetário potente, à monoterapia apenas com antiplaquetário potente, ao longo de 12 meses após um infarto com angioplastia e colocação de stent.
A prática clínica vigente recomenda a dupla antiagregação plaquetária por 12 meses, seguida de manutenção com aspirina isoladamente por tempo indefinido.
A justificativa para o estudo surgiu de uma questão clínica recorrente: embora a aspirina reduza o risco de tromboses e infarto, ela também aumenta o risco de sangramentos, que podem ser leves ou graves.
Estudos anteriores já sugeriam a possibilidade de retirar a aspirina após um a três meses, mas ainda havia dúvidas sobre a segurança de fazê-lo imediatamente após o infarto.
O estudo, do tipo não inferioridade, testou se a monoterapia com antiplaquetário potente sem aspirina seria ao menos tão eficaz quanto a dupla terapia na prevenção de eventos isquêmicos graves.
Os resultados mostraram que, ao longo de 12 meses, houve maior ocorrência de eventos isquêmicos graves no grupo sem aspirina em comparação ao grupo que manteve os dois medicamentos. Em relação à trombose de stent, foram observados mais casos no grupo sem aspirina, especialmente nos primeiros meses após o infarto.
Quanto aos sangramentos clinicamente relevantes, o grupo sem aspirina apresentou menor ocorrência do que o grupo que manteve a medicação, confirmando a vantagem na redução de riscos hemorrágicos.
Esses achados indicam que, embora a retirada precoce da aspirina reduza sangramentos, ela compromete a proteção cardiovascular, aumentando o risco de reinfarto, acidente vascular cerebral, necessidade de revascularização urgente e trombose de stent.
O pesquisador Pedro Lemos, autor sênior do estudo, destacou que o objetivo principal é evitar novos infartos, mesmo que isso implique maior risco de sangramento.
O estudo foi considerado de alta qualidade científica, por sua amostra robusta, método randomizado e por ser integralmente conduzido no Brasil, com participação de diversas populações, incluindo mulheres, indígenas e pessoas não brancas.
A apresentação como “Hot Line” no auditório principal do ESC e a publicação simultânea no prestigiado New England Journal of Medicine conferem grande destaque internacional ao trabalho.
As implicações clínicas são claras: não é seguro retirar a aspirina logo após o infarto; a prática recomendada permanece sendo manter a dupla terapia nos primeiros 12 meses.
Entretanto, os pesquisadores consideram que outras análises poderão ser realizadas futuramente, para avaliar se a aspirina pode ser retirada após algum tempo sem aumentar o risco de eventos graves.
Outro estudo apresentado no ESC 2025, o DUAL‑ACS, mostrou que três meses de dupla terapia podem ser tão eficazes quanto 12 meses, com menor mortalidade e risco de sangramento, o que abre debate sobre a duração ideal da terapia após infarto.
O estudo AQUATIC, por sua vez, examinou pacientes com síndrome coronariana crônica em uso de anticoagulação oral, mostrando que adicionar aspirina prolongadamente aumentou eventos cardiovasculares, mortalidade e sangramentos, sugerindo cautela em populações específicas.
Em resumo, o NEO‑MINDSET reforça o protocolo atual após infarto: manter a dupla antiplaquetária por 12 meses com aspirina, reduzindo riscos de complicações graves.
A redução de sangramentos pode ser obtida por meio de medidas complementares de proteção, como prevenção gástrica, em vez de retirar precocemente a aspirina, garantindo maior segurança para os pacientes.
Algumas Informações: metropoles_saudeeciencia (Instagram)
------
Digite no Google: Cerqueiras Notícias
Entre em nosso Grupo do Whatsapp e receba as notícias em primeira mão
(clique no link abaixo para entrar no grupo):
https://chat.whatsapp.com/DwzFOMTAFWhBm2FuHzENue
Siga nossas redes sociais.
🟪 Instagram: instagram.com/cerqueirasnoticias
🟦 Facebook: facebook.com/cerqueirasnoticias
----------------------
----------
O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias.
Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.




































