"E quem disse que a morte ou morrer é condição primeira de quem vive no outono da vida? Morrer é da vida, não é da idade."
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Temos muitas dificuldades pessoais e sociais para aceitar o nosso envelhecimento. O tema da velhice sempre foi e continua sendo uma pauta controversa, de pouco acolhimento na comunidade, e sempre traz polêmicas, resistências e muita conversa preconceituosa. Não entra na agenda pública com facilidade.
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Eleições municipais se aproximando: vamos monitorar as narrativas dos candidatos e das candidatas – quem, quantos e quantas vão levantar a bandeira política na defesa de um envelhecimento ativo e saudável para a cidade? Vamos ficar atentos e atentas, caros leitores e leitoras.
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A grande questão que se coloca é a seguinte: estamos envelhecendo rapidamente, a cidade está preparada ou vem se preparando para atender a essa nova realidade? A cidade está preocupada politicamente com o crescente número de pessoas idosas que vivem aqui? Se não criarmos canais públicos de participação social – aparelhos de conversas – sobre o nosso envelhecimento, pouco ou quase nada sairá do lugar em que estamos, de bastante desinformações e avaliações enganosas sobre o potencial humano de todos nós que envelhecemos.
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Acredito que é importante e fundamental a criação de instrumentos educativos para se falar abertamente sobre o nosso processo de envelhecimento com todos os desdobramentos que chegam para a nossa vida por estarmos mais velhos. Estamos diante uma outra realidade demográfica, em que é acelerado o envelhecimento de nosso país, de nossas cidades e de JF.
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Só para não esquecer: temos mais de 100 mil pessoas com a idade igual ou superior a 60 anos. É preciso que faça parte da nossa rotina, desde as escolas primárias até as universidades, a entrada de aulas e comunicações sobre a velhice.
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E quem disse que a morte ou morrer é condição primeira de quem vive no outono da vida? Morrer é da vida, não é da idade.
Voltando à pergunta do título dessa coluna. Se eu tenho em mim a consciência de que minha estrada acaba na próxima curva, eu penso que, o quanto antes, eu devo pavimentar na alma tudo aquilo que me proporciona felicidade, por mais fugazes que sejam esses momentos. Vou sustentar em mim sentidos e propósitos para a minha vida. Pode ser mais um clichê, mas eu acredito que sem motivo para sair da cama, a vida realmente não tem graça alguma.
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Como criar esses motivos? Fazendo uma grande incursão, corajosa, para dentro de si. Aqui me vem à mente a canção do Legião Urbana, “é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”. A vida é urgente, porque não sabemos em qual estação vamos embarcar e também não sabemos a hora e nem o dia.
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Outras culturas falam da morte com naturalidade. Li algum tempo atrás, em periódicos especializados, que em alguns países tem sido comum a criação de grupos de pessoas que reúnem-se espontaneamente para falarem de si: todos e todas com diagnóstico de doença terminal, e nessas condições, elas dão sentido às suas vidas nos encontros com outras vidas. Muito interessante!
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Foto: José Anisio Pitico/ Reprodução Redes Sociais
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Exemplos de Iniciativas Positivas
Em várias partes do mundo, existem iniciativas inovadoras voltadas para promover um envelhecimento ativo e saudável. Cidades como Nova York e Londres, por exemplo, têm investido em programas que buscam integrar a população idosa à vida urbana.
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Em Nova York, o projeto "Age-friendly NYC" foi implementado com o objetivo de tornar a cidade mais acessível e inclusiva para idosos. O programa abrange desde a melhoria do transporte público, com ônibus e metrôs adaptados, até a criação de espaços públicos que promovem o convívio social entre pessoas de diferentes idades.
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Outro exemplo notável é a cidade de Akita, no Japão, que, reconhecendo sua população envelhecida, desenvolveu uma rede de cuidados comunitários que permite aos idosos viverem de forma independente por mais tempo.
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Esse modelo se baseia em um sistema de suporte mútuo, onde voluntários e profissionais de saúde trabalham em conjunto para atender às necessidades dos idosos, garantindo-lhes uma vida digna e ativa.
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Comparação Cultural
As abordagens culturais em relação ao envelhecimento variam significativamente ao redor do mundo. Em sociedades ocidentais, como a americana, o envelhecimento muitas vezes é visto com certo receio, associado à perda de capacidade e relevância social.
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No entanto, culturas orientais, como as do Japão e da Coreia do Sul, tendem a valorizar a velhice, associando-a à sabedoria e ao respeito. No Japão, o "Keiro no Hi" (Dia do Respeito aos Idosos) é uma celebração nacional, onde a comunidade honra os mais velhos, reconhecendo suas contribuições e importância na sociedade.
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Por outro lado, países como a Dinamarca e a Suécia têm uma abordagem mais pragmática, investindo em políticas públicas que garantem uma velhice confortável e independente.
Essas nações adotam um sistema de seguridade social robusto e cuidados geriátricos de alta qualidade, o que permite que os idosos mantenham uma boa qualidade de vida e autonomia, refletindo um profundo respeito pelo envelhecimento como uma fase natural da vida.
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Aspectos Educativos e de Conscientização
A educação sobre o envelhecimento precisa começar cedo, integrando-se ao currículo escolar para que as futuras gerações cresçam com uma compreensão saudável e realista dessa etapa da vida. Em alguns países europeus, como a Finlândia, as escolas já incluem programas que ensinam as crianças sobre o envelhecimento, desmistificando preconceitos e promovendo o respeito intergeracional.
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Além das escolas, a conscientização pública é fundamental. Campanhas que incentivam a convivência entre diferentes gerações, como o programa "Adopt a Grandparent" (Adote um Avô), no Reino Unido, têm mostrado resultados positivos na quebra de estereótipos e na promoção do diálogo entre jovens e idosos.
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Tais iniciativas não apenas educam, mas também fortalecem os laços comunitários, demonstrando que o envelhecimento é um processo que envolve toda a sociedade.
Envelhecer não é uma condição restrita a um grupo específico, mas uma realidade que todos enfrentaremos. A maneira como as sociedades tratam seus idosos reflete seus valores e sua visão de futuro.
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Exemplos de iniciativas positivas ao redor do mundo mostram que é possível criar ambientes onde os idosos possam viver de forma ativa, saudável e digna, contribuindo para a sociedade e desfrutando de uma vida plena.
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A comparação cultural nos ensina que, independentemente das diferenças, o respeito e a valorização dos mais velhos são elementos essenciais para uma convivência harmônica. A educação e a conscientização desde a infância são passos cruciais para moldar uma sociedade que acolha o envelhecimento como parte natural e valiosa da vida.
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Por fim, ao refletirmos sobre essas questões, é fundamental que cada um de nós se questione sobre como estamos contribuindo para a construção de uma sociedade mais inclusiva para os idosos.
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Reconhecer que envelhecer faz parte da vida, e não da idade, é o primeiro passo para uma convivência mais justa e humana, onde todos possam envelhecer com dignidade e propósito.
Algumas Informações: Portal Tribuna de Minas; Por Jose Anisio Pitico
Direitos Autorais Imagem de Capa: Jose Anisio Pitico/ Reprodução Redes Socias
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