Zona da Mata e Campo das Vertentes adotam medidas preventivas, capacitam brigadistas e reforçam aceiros para enfrentar os riscos de queimadas durante a estação seca.
Com a chegada do inverno, aumenta a preocupação com os incêndios nas áreas rurais da Zona da Mata e do Campo das Vertentes, regiões de Minas Gerais com forte presença da agropecuária. A queda na umidade, os ventos mais secos e a vegetação ressecada tornam o cenário propício para queimadas, muitas vezes iniciadas por práticas de limpeza de pastagens ou áreas agrícolas.

Somente no inverno de 2024, essas duas regiões registraram mais de 2.500 focos de incêndio, segundo dados oficiais. Do total, uma grande parte ocorreu em pastagens e áreas de cultivo, o que acendeu o alerta em órgãos de fiscalização e em entidades de apoio aos produtores rurais.
As queimadas, apesar de ainda serem utilizadas por alguns agricultores como método de manejo, representam um sério risco ambiental e legal. Quando saem do controle, podem destruir lavouras, matar animais, prejudicar o solo e até atingir comunidades inteiras.
Além dos danos ambientais, o solo também sofre consequências severas. A queima elimina a cobertura vegetal, destrói a microbiota do solo e reduz a fertilidade, dificultando o cultivo e provocando um desequilíbrio no ecossistema local.
A fauna também é impactada. Insetos, répteis, aves e pequenos mamíferos sofrem com a perda de habitat e, em muitos casos, morrem carbonizados. O fogo se espalha rapidamente e atinge áreas de preservação ambiental, ameaçando espécies nativas.
Para tentar conter esse cenário, o Sistema FAEMG, por meio do SENAR Minas e em parceria com os Sindicatos Rurais, tem intensificado ações educativas e preventivas. A proposta é orientar e preparar os produtores para atuarem de forma segura e eficiente.
Uma das principais estratégias é a criação de aceiros. Esses são corredores de terra limpa, feitos ao redor das propriedades, para impedir o avanço das chamas. O ideal é que tenham pelo menos 2,5 vezes a altura da vegetação local. Se o capim tiver 1 metro, o aceiro precisa ter 2,5 metros de largura.
Além dos aceiros, o manejo consciente dos resíduos agrícolas é essencial. Restos de podas, folhas secas e palha devem ser removidos ou tratados de maneira adequada para evitar que sirvam de combustível para o fogo.
Outro ponto de destaque é o investimento em capacitação profissional. O SENAR tem oferecido cursos gratuitos de formação de brigadistas, tanto para combate ao fogo florestal quanto em ambientes rurais, com turmas em vários municípios da região.
Esses cursos abordam técnicas de prevenção, formas de identificar riscos, combate seguro e uso correto de equipamentos. A formação é essencial para que o produtor saiba agir diante de um foco de incêndio sem colocar sua vida ou a dos outros em risco.
A importância da capacitação fica evidente em casos trágicos registrados nos últimos anos. Pelo menos duas mortes ocorreram na região em 2024, envolvendo pessoas que tentaram apagar o fogo por conta própria, sem preparo técnico ou equipamentos adequados.
Além do risco à vida, há também implicações legais. A legislação ambiental brasileira é clara: provocar queimadas sem autorização é crime. Em áreas de proteção ambiental, a punição pode chegar a quatro anos de prisão, além de multas que ultrapassam R$ 10 mil.
Por isso, a recomendação das autoridades é clara: ao identificar qualquer princípio de incêndio, o produtor deve acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo número 193 e nunca tentar apagar sozinho se não tiver treinamento.
A conscientização sobre os riscos das queimadas precisa ser contínua. O uso do fogo no campo deve ser substituído por práticas sustentáveis, como o manejo rotacionado de pastagens e o uso de roçadeiras mecânicas para limpeza.
Outro fator importante é o engajamento das comunidades rurais. Vizinhos organizados, consórcios de brigadas e redes de comunicação eficazes entre produtores ajudam a monitorar a área e responder mais rapidamente a emergências.
O papel dos Sindicatos Rurais tem sido fundamental nesse processo. Eles atuam como ponte entre o SENAR e os produtores, ajudando a identificar demandas locais, organizar turmas de cursos e disseminar informações sobre boas práticas agrícolas.
A união entre tecnologia, capacitação e consciência ambiental tem mostrado resultados positivos. Regiões que já implementaram essas ações viram uma queda significativa no número de focos de incêndio nos últimos anos.
No entanto, o desafio ainda é grande. As mudanças climáticas vêm tornando os invernos mais secos e os riscos de incêndio mais altos. Por isso, a prevenção precisa ser encarada como prioridade.
Assim, o movimento que vem crescendo na Zona da Mata e nas Vertentes não é apenas uma reação ao problema, mas um exemplo de como a união entre conhecimento técnico e responsabilidade social pode transformar a realidade no campo.
Algumas Informações: FAEMG SENAR
------
Digite no Google: Cerqueiras Notícias
Entre em nosso Grupo do Whatsapp e receba as notícias em primeira mão
(clique no link abaixo para entrar no grupo):
https://chat.whatsapp.com/DwzFOMTAFWhBm2FuHzENue
Siga nossas redes sociais.
🟪 Instagram: instagram.com/cerqueirasnoticias
🟦 Facebook: facebook.com/cerqueirasnoticias
----------------------
----------
O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias.
Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.




































