O Sistema Único de Saúde (SUS) deu um passo histórico no tratamento da saúde óssea no Brasil. A partir deste ano, pacientes que sofrem com as formas mais severas de osteoporose passam a ter acesso ao que há de mais moderno na medicina mundial. A atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) traz esperança para milhões de brasileiros que convivem com o medo constante de fraturas.
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A osteoporose é frequentemente descrita como uma "doença silenciosa". Caracterizada pela perda progressiva da massa e densidade óssea, ela torna o esqueleto humano extremamente frágil. Muitas vezes, o paciente só descobre a condição após uma queda leve — ou até um espirro mais forte — resultar em uma fratura grave, evidenciando a fragilidade interna do corpo.
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As estatísticas são impressionantes: estima-se que mais de 200 milhões de pessoas sofram com a doença ao redor do mundo. No cenário nacional, o impacto é alarmante. Cerca de 50% das mulheres e 20% dos homens com mais de 50 anos terão, ao menos, uma fratura decorrente da osteoporose ao longo da vida, o que sobrecarrega o sistema de saúde e reduz drasticamente a independência dos idosos.
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O grande destaque da nova lista de tratamentos do SUS é o romosozumabe. Este medicamento representa uma mudança de paradigma no tratamento público. Diferente das terapias convencionais, que apenas tentam reduzir a perda óssea (reabsorção), o romosozumabe é um anticorpo monoclonal que atua de forma inovadora, estimulando ativamente a formação de um novo osso.
Foto: Reprodução
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O funcionamento dessa droga de ponta baseia-se na inibição da esclerostina, uma proteína que impede a formação óssea. Ao bloquear essa "trava" biológica, o medicamento promove um aumento rápido da massa óssea e melhora a qualidade da estrutura do esqueleto. É um tratamento potente, mas que exige critérios rigorosos para ser prescrito devido ao seu alto custo e especificidade.
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No SUS, o romosozumabe é indicado para mulheres na pós-menopausa que apresentam risco extremamente elevado de fraturas. O protocolo estabelece dois cenários: pacientes que sofreram duas ou mais fraturas mesmo estando em tratamento, ou aquelas que perderam mais de 5% da densidade óssea em um ano de terapia convencional e ainda assim sofreram uma nova quebra.
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Um dos obstáculos apontados por especialistas para o sucesso do tratamento é o diagnóstico. Em muitas regiões do país, o acesso ao exame de densitometria óssea ainda é restrito. Sem o aparelho, muitos médicos deixam de solicitar o rastreamento, o que retarda o início da medicação. Entretanto, o novo protocolo permite que o diagnóstico seja feito clinicamente em casos de fraturas recorrentes.
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A radiografia de coluna surge como uma aliada importante nesse processo. Por ser uma tecnologia mais antiga e barata, ela é mais acessível em áreas remotas. Como muitas fraturas de coluna são assintomáticas — não causam dor imediata, mas fazem o paciente perder altura ou ficar "corcunda" — o exame de imagem simples torna-se crucial para identificar a gravidade da doença.
Foto: Reprodução
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Antes de iniciar o uso do novo medicamento, o paciente precisa passar por uma avaliação criteriosa. O romosozumabe exige que os níveis de cálcio no sangue estejam normalizados, pois o remédio é contraindicado para quem possui cálcio baixo. Além disso, por segurança cardiovascular, pacientes que sofreram infarto ou AVC no último ano não devem utilizar a medicação.
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A administração do remédio é feita via injeção subcutânea, uma vez por mês, com um limite máximo de uso de um ano. Após esse período de "choque" para formar osso novo, o paciente deve migrar imediatamente para outras terapias, como o alendronato, para garantir que o ganho de massa óssea não seja perdido e que o esqueleto permaneça protegido.
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Apesar da chegada do romosozumabe, o arsenal do SUS continua contando com outras opções importantes. Medicamentos como ácido zoledrônico, raloxifeno e risedronato sódico seguem disponíveis para diferentes estágios da doença, permitindo que o médico escolha a melhor estratégia para cada perfil de paciente, desde a prevenção até o tratamento de manutenção.
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A medicina reforça que nenhum remédio, por mais moderno que seja, faz milagres sozinho. O tratamento da osteoporose exige uma base sólida de suplementação nutricional. O cálcio e a vitamina D são os "tijolos" do osso. Sem eles, o corpo não consegue manter a estrutura óssea, independentemente do uso de medicamentos de alta tecnologia.
Foto: Reprodução
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A recomendação atual é que a ingestão de cálcio seja mantida entre 1.000 e 1.200 mg por dia, preferencialmente de forma fracionada para melhor absorção. Já a vitamina D deve ser monitorada, especialmente em idosos, que têm menor capacidade de sintetizar a substância através da exposição solar, sendo a suplementação quase sempre necessária.
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Outro pilar fundamental é a atividade física. O exercício não serve apenas para manter os músculos fortes; a força biomecânica exercida sobre o osso durante o movimento estimula o aumento da densidade mineral. Além disso, o treino de equilíbrio é a melhor ferramenta para prevenir quedas, que são os gatilhos para as fraturas de quadril e fêmur.
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A prevenção de acidentes domésticos também ganha destaque nas novas diretrizes. Medidas simples, como a retirada de tapetes escorregadios, a instalação de barras de apoio em banheiros e a correção de problemas de visão, são tão importantes quanto o uso de medicamentos, pois evitam o evento traumático que leva à hospitalização.
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O abandono de hábitos nocivos, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, completa o quadro de cuidados necessários. O cigarro prejudica diretamente as células que formam o osso, enquanto o álcool interfere no equilíbrio e na absorção de nutrientes vitais para a saúde esquelética, agravando o quadro de fragilidade.
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O novo protocolo do SUS é visto pela comunidade médica como um avanço civilizatório. Ele coloca o sistema público brasileiro no mesmo nível de atendimento dos grandes centros de saúde globais, priorizando a prevenção de complicações graves que, no passado, deixariam milhares de idosos acamados ou com mobilidade reduzida.
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Em um momento em que a gestão pública enfrenta desafios, o investimento em tratamentos de ponta para a osteoporose demonstra um compromisso com o envelhecimento saudável da população. Ao garantir do estilo de vida ao remédio mais caro, o SUS reafirma seu papel de proteção integral à saúde do cidadão brasileiro.
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Algumas informações: Veja Saúde
📝 Síntese da Matéria
🆕 Atualização no SUS: O Sistema Único de Saúde modernizou seu protocolo para osteoporose, incorporando o romosozumabe, um medicamento de ponta que estimula a formação óssea em casos graves.
🎯 Público-Alvo: O foco principal são mulheres na pós-menopausa que apresentam alto risco de fraturas.
💊 Abordagem Completa: O tratamento combina a alta tecnologia de anticorpos monoclonais com cuidados básicos essenciais, como suplementação de cálcio e vitamina D, prática de exercícios físicos e prevenção de quedas.
✅ Impacto: A iniciativa visa reduzir índices de mortalidade e proporcionar maior qualidade de vida à população idosa.
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