A mãe de uma menina de 10 anos e um pastor de 55 anos foram presos por estupro de vulnerável, em Cáceres, a 220 km de Cuiabá. A mãe é investigada por entregar a filha ao líder religioso em troca de pequenas quantias de dinheiro. (Veja os vídeos no final da matéria)
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De acordo com a Polícia Civil, as investigações indicam que o crime ocorria na casa do suspeito, onde a criança era deixada com o consentimento da mãe.
Segundo a Polícia Militar, o flagrante ocorreu por uma vizinha do pastor, que já desconfiava da movimentação de crianças na casa dele. Ao notar que a bicicleta da menina estava caída no quintal da casa do suspeito, ela acionou os policiais.
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Em um vídeo que circula nas redes sociais o pastor é filmado pela vizinha, ela fala que a casa estava trancada, que a criança e o homem estavam dentro da residência. O religioso sai do imóvel ajeitando a calça.
A mulher fala que levará a menina e que irá acionar o Conselho Tutelar e diz também que já havia acionado a Polícia Militar, que atendeu a ocorrência.
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De acordo com boletim da Polícia Militar, a vítima conta que foi atraída pelo suspeito por conversas de WhatsApp, já na casa do religioso a criança relata que ele teria pedido para que ela ficasse nua, ela não conseguiu explicar os detalhes aos militares pois estava muito nervosa.
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Depois, na presença de representantes do Conselho Tutelar, a vítima contou que os estupros aconteceram outras vezes. Testemunhas relataram que a casa do pastor é frequentemente visitada por crianças.

Foto: Reprodução Redes Sociais
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Em uma troca de áudio entre o pastor e a mãe da criança, que foi entregue à polícia, é possível ouvir o suspeito perguntando à mãe sobre a criança e confirmando que vai pagá-la.
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- Pastor: Bom dia, tudo bom? Deixa eu falar, cadê a minha princesa? Já foi pra aula? Eu gosto muito dela, fala pra ela. Deixa eu falar...é...a hora que eu chegar aí eu mando seu dinheiro, tá? Eu tenho que mandar tudo ou mandar só um pouco?
- Mãe: Eu mandei aí. Quando você mandar [o dinheiro], manda o comprovante.
(...)
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-Pastor: Ó, cadê ela?
- Mãe: Tá aqui, porquê? Você já mandou dinheiro? Que hora que você vai mandar?
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A delegada Paula Gomes disse que as investigações continuam e que o suspeito foi preso preventivamente até a conclusão do inquérito.
A criança está sendo ouvida e recebendo acompanhamento psicológico.
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Veja os vídeos:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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Precisamos falar sobre abuso e violência sexual de crianças e adolescentes
Coação, manipulação e medo. Essa é uma triste realidade vivenciada por milhares de crianças e adolescentes vítimas de exploração e violência sexual. Um retrato cruel traduzido em números: 70% das vítimas de estupro no Brasil são crianças e adolescentes. A maioria possui entre 7 e 14 anos. O país está entre um dos primeiros no ranking internacional com mais casos de exploração sexual de crianças e adolescentes. Foram 175 mil casos entre 2012 e 2016, de acordo com dados de denúncias recebidas pelo Disque 100.
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Em média, dos casos denunciados no país, 40% de crianças têm entre 0 a 11 anos, 30% de 12 a 14 anos e 20% de 15 a 17. Já em Campinas, em 2017, a violência sexual vitimou 274 crianças e adolescentes de acordo com as notificações da Secretaria Municipal de Saúde. Destes, 65% são meninos e meninas de 0 a 11 anos e 35% de 12 a 17 anos. Já os casos de violência sexual atendidos pelo Programa Iluminar, do Departamento de Saúde da Secretaria de Saúde de Campinas, que faz parte da rede de cuidados às vítimas de violência sexual do município, apontam que 70% ocorrem contra crianças e adolescentes de 0 a 19, sendo 136 crianças de 0 a 9 anos e 151 de 10 a 19 anos.
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Os dados são assustadores. Para além deles, assusta também a ausência de debates na sociedade e de engajamento para proteger e prevenir situações de violação de direitos de crianças e adolescentes. “A gente precisa quebrar esse tabu, do medo de falar sobre isso. Porque enquanto esse medo existir, as crianças e os adolescentes vão continuar sendo abusados e estuprados, como mostram as estatísticas”, alerta Airton Pereira Junior, Conselheiro Tutelar da região Noroeste em Campinas/SP.
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A sexualidade é um aspecto humano que deve naturalmente ser desenvolvido nas diversas fases da vida. Ao ser violada, afeta gravemente as vítimas, principalmente quando se trata de uma criança ou adolescente por serem mais vulneráveis e não terem clareza e maturidade para identificar e enfrentar as situações de violência.

Foto: Reprodução
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“Sabemos que a violência sexual contra crianças e adolescentes é a forma de violência mais velada e que se estrutura de modo bastante complexo, e, portanto, a mais difícil de ser identificada”, explica Fabiana Taioli, Coordenadora Técnica SESF¹ do Centro Promocional Tia Ileide (CPTI). O CPTI é um dos parceiros² do Programa de Enfrentamento a Violências da Fundação FEAC, entre outros que integram a rede de atendimento da proteção social básica e de média complexidade3 em Campinas. Para ela, o prejuízo no desenvolvimento emocional pode afetar várias áreas da vida das vítimas de violência sexual e sua dimensão é imensurável. “Por isso, a importância de combatermos esta violência, inclusive repensando os modelos relacionais que reforçam esta prática em nossa cultura e sociedade”, completa.
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“É preciso garantir a toda criança e adolescente o direito ao desenvolvimento de sua sexualidade de forma segura e protegida, livres do abuso e da exploração sexual.” Ministério do Desenvolvimento Humano
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“Além das estratégias de intervenção com as famílias nos casos de violência sexual, pensadas de forma individualizadas considerando as especificidades e dinâmica familiar, também realizamos ações de sensibilização, mobilização e informação sobre o tema”, acrescenta Fabiana. O CPTI investe nas ações preventivas junto da comunidade e também em parceria com outros serviços do território.
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Segundo Lincoln Moreira, líder do Programa Enfrentamento a Violências, “o trabalho da Fundação FEAC nesta temática se torna importante na medida que reconhecemos que esta problemática é uma grave violação de direitos, e devemos contribuir ajudando na mobilização da sociedade para erradicar este fenômeno perverso presente no município de Campinas”.

Foto: Reprodução
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18 de maio
Instituída pela Lei 9.970/2000, a data é marcada pelo “Caso Araceli”, ocorrido em 1973, na cidade de Vitória (ES). A menina de apenas 8 anos foi sequestrada, estuprada e morta por jovens de classe média alta. Apesar de ter tido todos os seus direitos violados, o crime ficou impune. Por isso, como uma estratégia de combate à violência sexual contra crianças e adolescentes, a data serve para informar, sensibilizar e mobilizar a sociedade a participar da luta em defesa dos direitos sexuais de crianças e adolescentes.
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Todos os anos, o Comitê Nacional de Enfrentamento à Violência Sexual realiza a campanha “Faça Bonito. Proteja nossas Crianças e Adolescentes”.
Em Campinas, o CMDCA, junto da Comissão de Enfrentamento da Violência Doméstica contra Criança e Adolescente, tem como atribuição abordar, orientar e realizar o enfrentamento a esse fenômeno. Diferente dos anos anteriores, 2018 conta com uma programação em que todas as regiões serão impactadas com ações descentralizadas em alusão ao dia 18. Leila Sarubbi, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) de Campinas, conta que essa campanha e o 18 de maio representam um momento muito importante para mobilizar a população. “Todo material produzido serve para que as pessoas possam se apropriar dessas informações e identificar e denunciar os casos”, reforça.
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Para Natália Valente, técnica de referência do Programa Enfrentamento a Violências, “é a hora de contribuir com a mudança dessa realidade, aproveitamos o dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e de Adolescentes, que deve ser um dia de manifestações, divulgação desta problemática e luta para o enfrentamento dessa violência, entendendo que essa violação de direitos deve ser combatida de forma propositiva, provocando a sociedade e responsáveis a atuarem todo o ano, com ações eficazes para seu efetivo enfrentamento”.
Algumas informações: Leia Agora / Portal Tucumã / Fundação FEAC
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