Uma seca histórica e com graves consequências

A situação é trágica e deve impactar meio milhão de pessoas até o final de 2023. Lagos e rios estão secando, impedindo o acesso de barcos com bens indispensáveis a cidades do Amazonas. (Veja o vídeo no final da matéria)

Rondônia e Acre também sofrem os efeitos desse desastre que, de natural, não tem nada. De inesperado, menos ainda. Estamos diante de um evento extremo causado pela crise climática.
O que está acontecendo na região Norte do Brasil?
O verão amazônico, que vai de julho a outubro, é marcado pela diminuição das chuvas, aumento de temperatura e queda da umidade. Junto a isso, acontece o ciclo natural de vazante dos rios, quando o nível da água diminui.
Houve anos com secas mais ou menos severas - o grande problema está em como a ação humana tem influenciado esse ciclo. O desmatamento e queima da floresta contribuem para cenários cada vez mais prejudiciais à saúde de todas as espécies e ameaçam a biodiversidade, levando à morte de peixes e botos.
Desmatamento, queimadas e seca: quem sofre com isso?
As populações mais impactadas são as que menos contribuíram para as emissões de gases do efeito estufa, que nos trouxeram a esse cenário devastador. Estamos falando de ribeirinhos, pescadores e pescadoras, comunidades indígenas, e da população preta e trabalhadora deste país.
Eles são os primeiros a sofrer com as consequências da seca e estiagens dos rios no Norte. Elaborar medidas de prevenção e adaptação à crise climática é salvar vidas!
O que a seca tem a ver com as mudanças climáticas?
As funções naturais do planeta estão se alterando graças às mudanças climáticas. Em 2023, enfrentamos temperaturas sem precedentes em muitos locais.
Na Amazônia, a combinação de calor, desmatamento, queimadas e El Niño (um fenômeno natural que aquece as águas do oceano Pacífico), alimentaram uma situação explosiva, sobre a qual cientistas já vinham alertando. Quanto mais desmatamento, mais o Brasil emite gases do efeito estufa. Um ciclo vicioso que precisa ser quebrado!
No caso da Amazônia, qual a solução para os eventos extremos?
Pesquisadores já vinham avisando que a seca deste ano poderia ser histórica. Precisamos ouvir a ciência e investir em ações concretas de adaptação dos municípios amazônicos.
Alguns caminhos são investir em geração de energia solar e em uma agricultura de base ecológica e local.
As duas medidas diminuem a dependência de insumos vindos de grandes distâncias e reduzem o uso de combustíveis fósseis, os grandes vilões da crise climática.
Amazônia pode atingir ponto de não retorno em 2029
Secando e pegando fogo continuamente, a floresta perde cada vez mais a capacidade de resiliência e vira motivo de preocupação para a comunidade científica.
Após anos de crescimento nos índices de desmatamento, degradação e queimadas na Amazônia, os cientistas alertam que o bioma pode ser estar perto de um ponto de não retorno. Um estudo escrito por uma coalisão de cientistas e líderes indígenas apontam para o colapso já em 2029.
Os resultados destacam a agropecuária como o principal impulsionador do desmatamento do bioma, já que a quantidade de área florestal dedicada à agricultura aumentou três vezes desde 1985, enquanto o desmatamento da floresta tropical para criar gado já é responsável por quase 2% das emissões anuais de gases de efeito estufa em todo o mundo.
A maior preocupação é com o fogo, que pode comprometer o mecanismo de chuva da floresta, provocando ainda mais seca e propensão para mais queimadas.
Em um ciclo vicioso, que pode ser piorado pelas mudanças climáticas e o fenômeno El Niño, a Amazônia pode chegar a um estágio que não seja mais possível manter a cobertura vegetal suficiente para garantir a quantidade de chuva necessária para garantir a manutenção da própria floresta.
De acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), a "savanização" da Amazônia já estaria acontecendo. Mais de 2 milhões de quilômetros quadrados do bioma estariam muito próximos do ponto de não retorno.
Ainda há esperança?
Apesar de todos os dados alarmantes, os autores do relatório afirmaram que ainda é possível proteger 74% da Amazônia intacta remanescente e restaurar até 6% das áreas degradadas. No entanto, para isso é preciso agir imediatamente.
O relatório recomenda que a área florestal remanescente seja governada em conjunto com as comunidades indígenas locais e que cada país amazônico apresente um plano de ação para atingir a meta de proteger 80% do território até 2025.
Vídeo Reprodução Redes Sociais
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