Por: Cerqueiras Notícias - Portal

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Vídeo: Salas de Aula Sob Calor Extremo: Crianças Sofrem em Escolas Sem Ar-Condicionado no Brasil

A pequena Maria Lavinia Santos Costa, de apenas 4 anos, adora o verão e seus dias na praia, em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo. Mas, para ela, a volta às aulas não trouxe só cadernos e merenda: trouxe suor, brotoejas e o desejo de não ir à escola.

 Na sala onde estuda, como em todas as 78 escolas municipais da cidade, não há ar-condicionado — apenas dois ventiladores para amenizar o calor sufocante.

"Ela chega exausta e, em alguns dias, com brotoeja. Ela já me pediu para não ir à escola", conta Luana Costa, mãe da menina e técnica de enfermagem. 

Luana criou um abaixo-assinado virtual pedindo a climatização das salas. Em menos de dois meses, já são mais de 18 mil assinaturas.

 

O cenário de Maria Lavinia não é isolado. Em todo o país, milhões de alunos da rede pública estudam em salas abafadas e quentes. 

Segundo estudo do Centro de Inovação para a Excelência das Políticas Públicas (CIEPP), apenas 34% das salas de aula de escolas públicas no Brasil contam com algum tipo de climatização — que inclui ar-condicionado, climatizadores ou aquecedores. Nas escolas particulares, esse índice sobe para 47%.

No estado mais rico do Brasil, São Paulo, o quadro é ainda mais alarmante: apenas 2,7% das salas estaduais têm climatização. 

Já entre as escolas municipais paulistas, o índice é de 12,1%, o segundo mais baixo do país — atrás apenas de Minas Gerais, com 9,9%.

Escolas Viram Estufas
As ondas de calor que têm assolado o Brasil tornam esse problema ainda mais grave. De acordo com a Climatempo, somente em 2025 já foram registradas cinco ondas de calor. Em 17 de fevereiro, a Baixada Santista atingiu sensação térmica de 50 ºC. E a previsão é de que o calor continue, mesmo com a chegada do outono.

Em Nova Iguaçu (RJ), a professora Gláucia de Souza Dias convive com o mesmo drama. Ela leciona no Ciep 187 Benedito Laranjeiras — unidade que não tem climatização — e seu filho de 13 anos estuda lá. “É revoltante. Até 2018, quando a escola era estadual, havia ar-condicionado. Quando foi municipalizada, os aparelhos foram retirados. As crianças sofrem.”

Segundo a professora, a única área refrigerada é a sala dos professores e da direção. “Os alunos entram para falar conosco e sentem o ar gelado. Ficam chateados. Eu me sinto constrangida. Isso não é justo”, desabafa.

Impacto na Saúde e na Aprendizagem
A exposição contínua a temperaturas elevadas dentro das salas de aula não afeta apenas o bem-estar: compromete também a saúde. 

A médica Vera Rullo, presidente do departamento de alergia e imunologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo, alerta para o aumento de crises respiratórias e alergias de pele.

“Quando a temperatura sobe muito, há mais partículas suspensas no ar, que penetram nas vias respiratórias. Isso afeta principalmente crianças asmáticas”, explica. 

Vera afirma que em sua unidade de saúde, em Santos, o número de crianças com problemas respiratórios aumentou 20% neste ano, em decorrência do calor nas escolas.

E o impacto não para na saúde. Um estudo da Universidade de Harvard, feito em escolas de Nova York, mostrou que a aprendizagem pode cair até 50% em dias com temperaturas acima de 38 ºC.

Infraestrutura Deficiente e Falta de Prioridade
Apesar da gravidade do problema, as soluções avançam lentamente. A Prefeitura de Praia Grande afirma que está realizando estudos técnicos para avaliar a viabilidade da climatização, mas não apresenta prazos. 

Já o governo de São Paulo promete que até 2027, 60% das escolas estaduais estarão climatizadas — investimento estimado em R$ 350 milhões.

Em Nova Iguaçu, das 151 escolas municipais, apenas 82 têm climatização instalada, e 61 delas aguardam o aumento da carga elétrica por parte da concessionária para poder funcionar. 

A Prefeitura promete instalar os aparelhos no Ciep 187 até o fim de abril, mas não detalha prazos para as demais unidades.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, ex-presidente do Conanda e especialista em direitos da infância, a omissão dos governos fere diretamente o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

“O ECA garante a proteção à integridade física e psicológica da criança. Deixar alunos em salas quentes, por horas, configura violação. E os responsáveis — prefeitos, governadores, secretários — podem ser responsabilizados”, afirma.

Soluções Sustentáveis: Além do Ar-Condicionado
A climatização, embora urgente, não pode ser a única resposta à emergência climática. Um estudo do Instituto Alana, em parceria com o projeto MapBiomas, mostra que um terço das escolas das capitais brasileiras não tem áreas verdes. 

O resultado são ilhas de calor, com temperaturas internas até 3,57 ºC acima da média da cidade — geralmente nas regiões periféricas.

Maria Isabel Barros, do Instituto Alana, defende medidas integradas. “Não podemos depender apenas do ar-condicionado, que consome muita energia. Precisamos de mais arborização, ventilação natural e soluções pensadas a longo prazo”, diz.

Educação à Sombra do Calor
Enquanto soluções concretas não chegam, crianças como Maria Lavinia continuam indo à escola com medo do calor.

 Professores se sentem impotentes, médicos atendem mais pacientes, e pais tentam, como podem, proteger seus filhos.

 O calor já não é só um incômodo: é uma ameaça à educação e à saúde pública.

E a pergunta que permanece é simples: por que ainda é tão difícil garantir um ambiente digno e saudável para quem está na sala de aula?

Fonte: BBC News Brasil.

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Veja o vídeo:

Vídeo: Reprodução Redes Sociais


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