Falar em diversidade, no Brasil, é dar asas à imaginação, principalmente quando se trata de culinária. De norte a sul do país, há os pratos mais curiosos possíveis, os quais podem ser convertidos em milhões de visualizações na internet. É o caso da polêmica pizza à base da larva de um besouro bastante comum no Brasil, principalmente no Norte e Nordeste. (Veja o vídeo no final da matéria)
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No Maranhão, essa larva é conhecida como “gongo”. No estado, o animal serve de alimento, sobretudo entre aqueles que vivem nas regiões da Mata dos Cocais. Isso porque o inseto gordinho e branco se desenvolve dentro do coco-babaçu, fruto do qual se nutre até virar o besouro Pachymerus nucleorum.
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Foi justamente no interior maranhense, especificamente na cidade de Caxias, que o pizzaiolo Bruno Eduardo, da “Pizzaria Paulista”, criou a “pizza de gongo”. Ao expor a iguaria nas redes sociais, instantaneamente, o vídeo bombou. Em cinco dias, foram quase 6 milhões de visualizações somente no Instagram.
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Em uma entrevista, Bruno contou que a ideia do curioso sabor da pizza surgiu após postar a foto de uma bacia cheia de gongo. Como a publicação teve boa repercussão e, na região onde mora, é comum o consumo da larva crua ou frita, teve a ideia de inovar ao fazer o prato italiano. Por ela se alimentar somente da amêndoa do babaçu, o gosto é basicamente de coco.
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Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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Relação com quebradeiras de coco
Bruno ainda revelou que a criação da pizza ajudou a movimentar a economia de um grupo de quebradeiras de coco num povoado de Caxias. Isso porque, segundo contou, os gongos colhidos pelas extrativistas não tinham fim comercial e eram comidos na própria comunidade.
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“As fornecedoras são quebradeiras de coco-babaçu que residem num povoado do município de Caxias. Antes, os gongos eram só para consumos delas, mas, agora com o vídeo viralizado, elas estão vendendo para muita gente, inclusive para nós”, pontuou o empresário.
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Boa repercussão
A repercussão na internet fez a pizza de gongo ter boa procura. Bruno informou que o sabor é um dos mais pedidos, inclusive por consumidores de outros estados, que chegam a levar o produto congelado.
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“Há inúmeras mensagens de pessoas que, na infância, consumiram o gongo. Ao verem o vídeo, elas se sentem nostálgicas e comentam do sabor e de como os gongos, na infância, fizeram parte de muitas das refeições delas. Comentam da saudade do sabor e rebatem as críticas”, concluiu o pizzaiolo.
Gongos são larvas de besouro que se desenvolvem em cocos (arquivo pessoal)
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Bruno aprendeu o ofício de pizzaiolo em São Paulo, onde a combinação de sabores de pizzas é quase infinita. Esse período na maior cidade do país deu a ele bagagem para abrir a própria pizzaria no Maranhão, cujo nome do estabelecimento é homônimo ao gentílico do estado em que viveu por alguns anos.
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
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Força do babaçu no Maranhão
Dados do governo do Maranhão destacam que há 300 mil quebradeiras de coco-babaçu em todo o estado. A palmeira do fruto é uma das principais espécies que compõem a Mata dos Cocais, predominante, principalmente, nos territórios maranhense e piauiense. A vegetação está numa zona de transição entre a Floresta Amazônica e caatinga.
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A palmeira do babaçu é a terceira maior força produtiva do Maranhão, de onde várias matérias-primas são extraídas, utilizadas para a produção de azeite, cosméticos, carvão vegetal e materiais à base do substrato da fibra da planta.
É justamente a palmeira que serve de berçário desses insetos viscosos, mas gostosos, pelo menos para quem está habituado a ter a larva na dieta.

Foto: Reprodução
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Babaçu
O Babaçu é uma espécie de grande importância econômica e cultural para as regiões norte e nordeste do Brasil. A palmeira chamada de “mãe” pelas comunidades de Quebradeiras de Coco, fornece alimento, abrigo e sustento para milhares de famílias que habitam a região conhecida como Mata dos Cocais. Uma área com grande incidência da espécie, que atinge parte dos estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Ceará, englobando os biomas Cerrado, Amazônia e Caatinga.
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A palmeira do Babaçu demora cerca de dez anos para produzir seus primeiros frutos. No auge da produção, solta até seis cachos por safra, e cada um com cerca de quinhentos cocos. Das suas amêndoas é extraído o leite e o famoso óleo de babaçu, sempre presente nos lares de famílias do norte e nordeste brasileiro.
Além do uso alimentício, o óleo é usado na fabricação de cosméticos e medicamentos. Do coco, também é extraído o endocarpo, para a produção de farinhas usadas como suplemento alimentar.
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O Babaçu é uma das espécies nativas incluídas na Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus), o que amplia a pesquisa sobre o potencial medicinal da planta.

Foto: Reprodução
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Espécie do Cerrado
O babaçu (nome cientifico: Attalea ssp.), também conhecido como baguaçu, coco-de-macaco e, na língua tupi, uauaçu, é uma nobre palmeira nativa da região Norte e das áreas de Cerrado. Encontra-se em formações conhecidas como babaçuais, que cobrem cerca de 196 mil km² no território brasileiro, com ocorrência concentrada nos estados do Maranhão, Tocantins e Piauí, na região conhecida como Mata dos Cocais (transição entre Caatinga, Cerrado e Amazônia).
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A árvore pode atingir de 10 a 30 metros de altura e suas grandes folhas arqueadas podem chegar a oito metros de comprimento. Cada palmeira pode apresentar entre três a cinco longos cachos de flores amareladas. O pico de florescimento acontece entre janeiro e abril e os frutos amadurecem entre agosto e dezembro. Cada cacho, por sua vez, pode produzir de 300 a 500 cocos. A casca do fruto é resistente e, no seu interior, há de 3 a 5 amêndoas que têm valor comercial por serem a principal matéria-prima para a produção do óleo de coco do babaçu.
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Costuma-se dizer que tudo se aproveita desta palmeira. Suas folhas são utilizadas na armação de cobertas para casa e, nos períodos de seca, para alimentação animal. As fibras destas mesmas folhas são utilizadas para produzir cestos, peneiras, esteiras, entre outros produtos artesanais. Seu estipe é utilizado na marcenaria e, algumas vezes, como adubo natural. É possível ainda se extrair o palmito e, do caule da palmeira jovem, uma seiva que, fermentada, produz vinho.
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As amêndoas verdes ainda fornecem um leite com propriedades nutritivas semelhantes ao leite humano e bastante utilizado na culinária. Do mesocarpo é extraída uma farinha, também chamada pó de babaçu, muito nutritiva, usada como complemento alimentar e para fazer bolos e mingau. Tem propriedades anti-inflamatórias e analgésicas, é rica em fibras, portanto, ótima para combater prisão de ventre, colite e obesidade, pois torna o fluxo intestinal mais eficiente.
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Mas o principal fim das amêndoas é a produção de óleo de coco do babaçu. Este é amplamente utilizado na indústria cosmética, alimentícia, de sabões, detergentes, lubrificantes, entre outras e na alimentação das comunidades da região do Cerrado e transição com a Amazônia. A extração das amêndoas é tradicionalmente caseira, feita pelas populações locais e pelas “quebradeiras de coco”. Seu óleo possui alto índice de saponificação, o maior dos óleos vegetais de uso industrial, e baixa concentração de iodo. O endocarpo é usado para fazer um carvão de alto potencial calorífico.
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Para completar, a dura casca do coco do babaçu ainda pode ser utilizada para produção de etanol, metanol, gases combustíveis, coque, carvão reativado, ácido acético e alcatrão, de grande aplicação industrial.

Foto: Reprodução
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Veja o vídeo:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Algumas informações: BandNotícias / Cerratinga
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