Segundo a cúpula da segurança, 4 policiais e 117 suspeitos morreram. Governador Cláudio Castro classifica ação como "sucesso", mas Defensoria fala em 130 vítimas e moradores relatam dezenas de corpos encontrados na mata. Famílias choram sobre os parentes mortos.(Veja os vídeos no final da matéria)
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O estado do Rio de Janeiro registrou nesta semana a operação policial mais letal de sua história. Em entrevista coletiva realizada na quarta-feira (29 de outubro), o governo do estado confirmou que a megaoperação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, resultou em 121 mortes.
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O balanço oficial foi detalhado pelo secretário da Polícia Civil, o delegado Felipe Curi. Segundo ele, o total de 121 vítimas fatais é composto por quatro policiais e 117 suspeitos mortos em decorrência dos confrontos.
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A ação, batizada de "Operação Contenção", foi deflagrada na terça-feira (28) com o objetivo de combater a expansão territorial do Comando Vermelho (CV) e prender lideranças criminosas. A inteligência apontava que líderes da facção de outros estados estariam escondidos na região.
Foto: Reprodução
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Para a operação, foi mobilizado um efetivo massivo, contando com cerca de 2.500 agentes das forças estaduais de segurança, incluindo a Polícia Militar e a Polícia Civil, que cercaram os complexos por terra e ar.
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Os números oficiais, no entanto, flutuaram ao longo das últimas 24 horas, gerando confusão. Um balanço inicial na terça-feira apontava 64 mortos (incluindo os 4 policiais). Na manhã de quarta, o governador Cláudio Castro (PL-RJ) chegou a confirmar um número menor, de 58 mortos (54 criminosos).
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A atualização para 121 mortos só ocorreu na coletiva de imprensa da tarde de quarta, quando a cúpula da segurança incluiu os corpos encontrados posteriormente na região de mata.
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Paralelamente aos números oficiais, moradores do Complexo da Penha relataram cenas de horror. Durante a madrugada de quarta-feira, eles afirmam ter encontrado e removido por conta própria ao menos 74 corpos de uma área de mata.
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Os corpos, segundo os relatos, foram levados pelos próprios cidadãos para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, uma das principais vias da região, em um esforço desesperado para visibilizar as vítimas.
Foto: Reprodução
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Segundo informações, os corpos encontrados na mata, todos de homens, estavam concentrados na área da Vacaria, na Serra da Misericórdia. Esta região de mata densa teria sido o principal foco dos confrontos entre as forças de segurança e os traficantes.
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A Polícia Civil reconheceu a descoberta dos corpos na mata, mas com números diferentes dos relatados pelos moradores. O secretário Felipe Curi mencionou que foram "63 corpos achados na mata" pelas autoridades, que agora passarão por perícia.
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Curi afirmou que será aberta uma investigação para determinar se há relação direta entre todas essas mortes encontradas na mata e a ação policial da "Operação Contenção".
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Apesar do número recorde de mortos, o governador Cláudio Castro classificou a operação como um "sucesso". Em sua declaração, Castro foi enfático ao afirmar que, do seu ponto de vista, as únicas "vítimas" da ação foram os quatro policiais mortos em serviço.
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Questionado mais cedo sobre os corpos encontrados pelos moradores, o governador evitou comentar os números não oficiais. "A nossa contabilidade conta a partir do momento que os corpos entram no IML. A Polícia Civil tem a responsabilidade enorme de identificar quem eram aquelas pessoas", afirmou Castro.
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O secretário da Polícia Militar, Coronel Marcelo de Menezes, detalhou a cronologia da operação. Segundo ele, os confrontos foram intensos e se estenderam por aproximadamente 15 horas, iniciando por volta das 6h da manhã de terça e terminando apenas às 21h da noite.
Foto: Reprodução
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Além do número de mortos, o secretário Felipe Curi informou que a "Operação Contenção" resultou em 113 prisões. Destes, 33 eram de outros estados, como Amazonas, Ceará, Pará e Pernambuco, confirmando a tese da polícia sobre a presença de lideranças nacionais do CV no Rio.
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A Defensoria Pública do Rio de Janeiro, por sua vez, contesta os números oficiais e trabalha com uma estimativa ainda maior. Na manhã desta quarta-feira, o órgão afirmou que a ação nos Complexos da Penha e do Alemão deixou ao menos 130 mortos.
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O saldo de 121 mortos confirmados pelo governo torna esta a ação policial mais letal da história do estado do Rio de Janeiro, superando com folga operações anteriores que também terminaram com dezenas de mortos, como a do Jacarezinho em 2021, que deixou 28 mortos.
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O recorde negativo anterior em nível nacional pertencia ao Massacre do Carandiru, ocorrido em São Paulo. Em 2 de outubro de 1992, uma invasão policial para reprimir uma rebelião no Pavilhão 9 da Casa de Detenção de São Paulo resultou na morte de 111 detentos.
O Carandiru, desativado em 2002 após rebeliões e implodido parcialmente nos anos seguintes, deu lugar ao Parque da Juventude. Os pavilhões restantes hoje abrigam escolas técnicas (Etecs), um símbolo da tentativa de transformação de um passado trágico.
Foto: Reprodução
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Nas favelas do Alemão e da Penha, o clima nesta quarta-feira é de luto e tensão. Imagens que circulam nas redes sociais mostram o desespero de familiares. Em uma delas, uma mulher chora e se desespera sobre o corpo do namorado, morto durante a operação.
Enquanto as autoridades comemoram os resultados estratégicos da operação, as cenas de parentes chorando sobre os corpos nas ruas dos complexos expõem a tragédia humana. Em meio ao luto, uma mensagem anônima deixada em um dos locais ecoava: “Saiam dessa vida, porque no final quem mais sofre são as mães e os familiares de vocês.”
Veja os vídeos:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
Algumas informações: Espírito Santo Notícias / Blog do Adilson Ribeiro / No Centro do Poder / CNN
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