Parece uma ideia saída de um filme de ficção científica, mas a criogenia humana já é uma realidade. Centenas de pessoas declaradas legalmente mortas foram submetidas ao procedimento com a expectativa de que, algum dia, avanços da medicina possam permitir sua recuperação.
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Entre as instituições que realizam esse tipo de preservação estão a Alcor Life Extension Foundation e o Cryonics Institute, nos Estados Unidos. Somadas, as duas organizações mantêm atualmente mais de 530 pacientes em armazenamento criônico, segundo os números divulgados por elas.
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A proposta é baseada em uma ideia simples, mas extremamente controversa: preservar o corpo ou o cérebro em condições que reduzam ao máximo a deterioração dos tecidos enquanto a ciência busca novas formas de tratar doenças e reparar danos atualmente considerados irreversíveis.
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O processo começa somente depois que a morte é oficialmente declarada. A partir desse momento, equipes especializadas procuram resfriar o corpo rapidamente e utilizar substâncias crioprotetoras para diminuir os danos provocados pela formação de cristais de gelo nas células.
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Depois da preparação, o paciente é resfriado gradualmente até chegar a temperaturas próximas de −196 °C, utilizando nitrogênio líquido. Nessas condições, o objetivo é interromper praticamente todas as reações químicas que provocariam a deterioração dos tecidos.
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A técnica, entretanto, não significa que o corpo esteja simplesmente congelado como um alimento armazenado em um freezer. O procedimento busca reduzir a formação de cristais de gelo e preservar, tanto quanto possível, a estrutura celular e, principalmente, o cérebro.
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A expectativa dos defensores da criogenia é que futuras tecnologias sejam capazes de reparar os danos provocados pela doença que levou à morte, pelo período sem circulação sanguínea e pelo próprio processo de preservação.
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É justamente nesse ponto que começa a maior controvérsia. A tecnologia atual consegue preservar tecidos humanos em determinadas condições, mas ainda não existe um método capaz de recuperar integralmente um ser humano após a criopreservação.
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O próprio Cryonics Institute descreve o processo como dividido em duas etapas: a primeira é colocar o paciente em suspensão criônica; a segunda seria conseguir reanimá-lo. A organização reconhece que a segunda etapa ainda não foi realizada em seres humanos.
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Experimentos científicos, por outro lado, mostram que a preservação em baixíssimas temperaturas pode ter aplicações médicas reais. Óvulos, espermatozoides e embriões, por exemplo, já são criopreservados e posteriormente utilizados em tratamentos de reprodução assistida.
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Também existem pesquisas envolvendo a preservação de órgãos. Em 2023, cientistas da Universidade de Minnesota conseguiram preservar rins de ratos por um período prolongado e posteriormente recuperar sua função após o reaquecimento e o transplante, um resultado que demonstra o potencial da criopreservação em determinadas áreas da medicina.
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O problema é que preservar um órgão isolado é muito diferente de preservar um corpo humano inteiro e, depois, fazê-lo voltar a funcionar. O cérebro representa um dos maiores desafios, principalmente porque ainda existem muitas questões sem resposta sobre como memórias, personalidade e outras características da identidade humana estão registradas em suas estruturas.
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Especialistas também questionam se os danos provocados pela morte e pelo processo de preservação poderiam algum dia ser completamente revertidos. Mesmo que uma tecnologia futura conseguisse reaquecer o corpo, ainda seria necessário reparar células, tecidos, órgãos e estruturas cerebrais sem comprometer suas funções.
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Apesar das dúvidas, o interesse pela criogenia continua. A Alcor informa atualmente ter mais de 1,5 mil membros e 263 pacientes criopreservados, enquanto o Cryonics Institute mantém centenas de pacientes em armazenamento.
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Por enquanto, portanto, a criogenia representa uma aposta no futuro, e não uma forma comprovada de vencer a morte. A preservação pode ser realizada, mas a ciência ainda não sabe como trazer uma pessoa criopreservada de volta à vida.
Créditos: Astronomia Interestrelar.
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