Por: Cerqueiras Publicidades

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Crise de autoridade: Quando o "berço" falha e a escola herda o déficit de valores

A máxima popular "educação vem de berço" ecoa há décadas na sociedade brasileira. A frase, repetida à exaustão em reuniões de pais e mestres, grupos de WhatsApp e conversas informais, carrega em si uma divisão de tarefas que, na teoria, parece simples e definitiva. No imaginário coletivo, estabeleceu-se um pacto silencioso: à escola caberia o ensino dos conteúdos curriculares, como a matemática e a gramática, enquanto à família restaria a transmissão de valores éticos e morais.

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Essa visão binária sugere que é possível dividir o ser humano em duas metades distintas. De um lado, o cérebro que processa fórmulas e datas históricas; do outro, o indivíduo que aprende sobre respeito, empatia e limites. Contudo, essa fronteira, que talvez nunca tenha sido tão rígida quanto se imagina, está cada vez mais diluída diante das complexidades da vida contemporânea e das novas dinâmicas familiares.

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Quem vivencia a rotina escolar, pisando diariamente no "chão da sala de aula", sabe que a realidade desafia essa separação simplista. Professores e gestores educacionais deparam-se, cada vez mais, com lacunas comportamentais que transcendem a dificuldade de aprendizado cognitivo. O desafio deixou de ser apenas pedagógico para se tornar, em muitos casos, uma questão de gestão de conduta e civilidade básica.

Foto: Reprodução

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Diante desse cenário, o palestrante e especialista Márcio Araújo traz uma provocação necessária e lúcida ao debate público. Ao analisar o atual contexto familiar e escolar, ele dispara: "Se educação vem de berço, tem muita criança dormindo no chão". A metáfora, embora dura, ilustra com precisão o vácuo de orientação que muitas crianças e adolescentes enfrentam dentro dos próprios lares.

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A frase de Araújo não é apenas um jogo de palavras; é um diagnóstico social. Dizer que há crianças "dormindo no chão" significa apontar para uma geração que cresce desamparada de referências sólidas de autoridade e limites. O "berço", nesse contexto, deixa de ser apenas o móvel onde se repousa e passa a simbolizar a base moral que sustenta o desenvolvimento psíquico saudável.

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Observa-se o crescimento de uma geração que raramente escuta a palavra "não". São crianças e jovens que estão sendo privados da experiência fundamental da frustração. Ao tentar blindar os filhos de qualquer desconforto, muitos pais acabam impedindo que eles desenvolvam a resiliência necessária para a vida adulta, criando uma falsa sensação de que o mundo deve orbitar ao redor de seus desejos.

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Esse fenômeno não nasce, necessariamente, da falta de amor. Pelo contrário, muitas vezes é fruto de um excesso de zelo misturado com culpa. Pais que trabalham exaustivamente e passam pouco tempo com os filhos tendem a compensar a ausência com permissividade, movidos por um medo paralisante de desagradar ou de perder a conexão afetiva com a criança.

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O renomado psicólogo Leo Fraiman lança luz sobre essa inversão de papéis com um alerta contundente. Segundo ele, a sociedade atual está cheia de "papais" e "mamães", mas carente das figuras de "Pai" e "Mãe" com letras maiúsculas. A distinção semântica aponta para a diferença entre ser um cuidador ou amigo e ser uma figura de autoridade que orienta e estrutura.

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Fraiman argumenta que, quando a necessidade de ser querido pelos filhos supera a responsabilidade de formar o caráter, ocorre uma quebra na hierarquia familiar. Os adultos, que deveriam ser os faróis de conduta, abdicam de seu papel educativo e passam a "mendigar afetos", buscando validação e aprovação daqueles que ainda deveriam estar sendo formados.

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Inevitavelmente, a conta desse déficit doméstico chega à escola. O ambiente escolar torna-se o palco onde as carências de limites se manifestam de forma mais aguda, transformando a sala de aula em um campo de batalha onde professores precisam gastar tempos preciosos de instrução gerenciando comportamentos que deveriam ter sido trabalhados em casa.

Foto: Reprodução

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Essa fatura chega na forma do aluno que se recusa a aceitar regras básicas de convivência. É o estudante que não tolera ser contrariado, que reage de forma desproporcional a qualquer frustração e que não reconhece a autoridade do professor, tratando-o como um prestador de serviços que deve satisfazer suas vontades imediatas.

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Mais do que indisciplina, o que se vê é uma dificuldade de compreender o espaço coletivo. Para muitos desses jovens, o ambiente público é visto apenas como uma extensão de seus desejos privados, onde o "eu" prevalece sobre o "nós". A noção de cidadania e respeito mútuo fica comprometida quando a criança não aprende, na base, que suas ações têm impacto no outro.

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A escola, por sua vez, encontra-se em um dilema ético e prático. A instituição de ensino não pode e não deve substituir a família, sob o risco de assumir uma responsabilidade que não lhe cabe integralmente. No entanto, a escola também não pode se omitir, fingindo que os valores morais não atravessam o currículo e a prática pedagógica diária.

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Ensinar é, por definição, um ato formativo que vai além do conteúdo técnico. Não há como dissociar a transmissão de conhecimento da formação humana. Cada vez que um professor explica uma regra, sustenta um limite ou aplica uma consequência justa para um ato indisciplinado, ele está ministrando uma aula de cidadania tão importante quanto uma equação matemática.

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Portanto, o velho ditado precisa ser reavaliado sob uma nova ótica de corresponsabilidade. Se concordamos que a educação vem de berço, a sociedade precisa garantir urgentemente que esse "berço" — entendido como estrutura familiar funcional e normativa — de fato exista e esteja cumprindo seu papel.

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E, nos casos em que esse alicerce familiar estiver fragilizado ou ausente, a escola acaba assumindo a tarefa humanitária de ajudar a erguê-lo. Não se trata de uma invasão de competência, mas de uma necessidade de sobrevivência social e de proteção ao desenvolvimento do aluno.

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Esse suporte escolar serve para preencher as lacunas deixadas por uma rotina familiar muitas vezes caótica. O objetivo não é tirar a autoridade dos pais, mas sim atuar em parceria para que o estudante compreenda que o mundo possui regras, limites e consequências, independentemente do ambiente em que esteja.

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Irmãos Gonçalves

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Afinal, o objetivo final de famílias e escolas deve ser o mesmo: não deixar nenhuma criança "dormindo no chão" de sua própria dignidade moral. É preciso formar indivíduos capazes não apenas de passar no vestibular, mas de conviver em sociedade com respeito, ética e inteligência emocional.

Algumas Informações: Fabio Flores


A Palavra Morde no Portal

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