Por: Cerqueiras Publicidades

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Entrevista Coletiva com o Prefeito de Leopoldina sobre a Intervenção no Hospital

Na tarde da segunda-feira (16 de dezembro), foi publicada uma Nota Oficial da Prefeitura anunciando a Intervenção na Casa de Caridade Leopoldinense e nomeando o Secretário Municipal de Saúde como Provedor Interino da instituição.

O Prefeito Pedro Augusto recebeu a imprensa e respondeu perguntas sobre como será essa intervenção.

Fala inicial do Prefeito:

Não só a atenção, mas o atendimento, principalmente da saúde para a nossa população, então, diante disso, diante dos fatos que nós todos temos conhecimento, eu não posso deixar o hospital a deriva, onde a provedora foi destituída do cargo, foi afastada do cargo, onde a diretora técnica do hospital foi afastada do cargo, onde os anestesistas não estão mais à disposição do hospital e assim sendo, eu como prefeito não posso ficar alheio a essa situação.

Então não tive outra alternativa. Foi tudo muito alicerçado por uma decisão do Ministério Público. Tivemos que tomar uma decisão de nos responsabilizar e fazer com que a Casa de Caridade volte a funcionar dentro da normalidade.

Então, me coloco aqui a disposição de vocês para responder qualquer pergunta, esclarecer qualquer dúvida para que todos possam entender a situação.

Pergunta: Essa intervenção da Prefeitura, ela tem prazo, ela vai ser por um período determinado?

Prefeito: Não. Essa intervenção da Prefeitura, em primeiro lugar, ela não tem um prazo fixado. Ela mesmo que tivesse um prazo fixado, ela pode ser renovada. Porque o que nós vamos fazer lá e tomar pé da situação, fazer uma auditoria com responsabilidade dentro do hospital. E depois dessa auditoria, nós vamos ver o modus operantis. Porque o hospital de Leopoldina carece de uma gestão mais firme, mais determinada, com objetivo muito bem estabelecido.

É isso que nós vamos fazer lá, um trabalho transparente, um trabalho de dedicação e primeiro de conhecer toda a realidade da Casa de Caridade para que nós possamos traçar qual é o período XYZ ideal para essa intervenção.

Pergunta: Nessa intervenção foi fechado todo o Conselho? Todo Conselho está destituído? Toda a Diretoria está destituída?

Prefeito: Todo o Conselho está destituído. Toda a Diretoria está destituída. Todos os advogados da Casa de Caridade estão destituídos das suas funções.


Pergunta: E quem vai ser o gestor da Casa de Caridade a partir de agora?

Prefeito: De maneira interina, porque nós não tivemos prazo. O prazo é uma coisa fundamental para que a gente possa tomar decisões, vão dizer assim, bem alicerçadas, e bem planejadas. Então nós fizemos o seguinte, nós nomeamos o secretário de saúde, ele vai ser um interventor interino, assim como pessoas especializadas dentro da prefeitura que vão trabalhar lá para poder fazer os levantamentos necessários e para que nós possamos tomar as iniciativas de contratação. Não só de uma equipe de anestesistas, como também para que nós possamos criar um ambiente necessário para que a auditoria seja feita naquela instituição de valor.


Pergunta: Senhor Pedro, hoje o Hospital retomou as cirurgias de urgência e emergência. Anunciando também a contratação de novos anestesistas que começaram hoje. Isso muda diante dessa intervenção?

Prefeito: Não muda, até porque quem orientou para que esses anestesistas do hospital de Juiz de Fora, como se que chama o hospital de Juiz de Fora? Hospital João Felício. São anestesistas que já tinham vindo para cá, já estavam trabalhando dentro das cirurgias eletivas. Em comum acordo com a Regional de Saúde. E eles, de maneira pronta, vieram para cá. No sábado, trabalharam, no sábado, inclusive, fizeram uma cirurgia. E deram assistência as gestantes e estão dispostos a nos ajudar. E a Prefeitura tem pleno conhecimento disso e a nossa tendência é procurar buscá-los para que eles venham para cá, nos ajudar nessa tarefa e cumprir as funções nessa parte aí de anestesista.

Pergunta: O secretário Márcio Machado, ele vai acumular as funções na Secretaria de Saúde e no Hospital?

Prefeito: Ele vai acumular. E vai trabalhar lá no hospital, nos ajudando. Nesse período interino.


Pergunta: Essa firma de anestesistas, uma das proprietárias é de Leopoldina? A Dra. Carla.

Prefeito: Sim, a Dra. Carla. Ela é filha de Leopoldina.


Pergunta: Esse trabalho vai ser acompanhado? Permanentemente haverá relatórios? Que vão ser enviados a cada 90 dias? Como é que será esse acompanhamento para ter a garantia de que tudo está correndo da forma correta?

Prefeito: De acordo com a nossa orientação, toda essa equipe que vai trabalhar no hospital, eles vão fazer relatórios sistemáticos. Até porque a gestão do hospital, de acordo com a determinação da Secretaria da Saúde de Minas Gerais as cidades de Ubá, Leopoldina e Muriaé passaram a ter Gestão Plena de Saúde. Nessa gestão plena de saúde faz com que todas as liberações de recursos passam pela prefeitura, os recursos são encaminhados para a prefeitura e a partir daí nós fazemos a liberação dos recursos para o Hospital. E como essa gestão plena já estava existindo e tem inclusive resultados excelentes, até porque o hospital tinha um índice extremamente baixo de cirurgias pelo SUS. Números insignificantes de cirurgias pelo SUS, na medida que passamos para a gestão plena, esse número melhorou de maneira significativa em um período pequeno o hospital chegou a fazer 700 cirurgias. Sei lá, eu não tenho dado exato, mas em 4 meses foram feitos 600 ou 700 cirurgias pelo SUS. Mostrando uma performance muito positiva e nós vamos continuar nessa estrada, porque o nosso objetivo é fazer com que o hospital dê essa assistência aos menos favorecidos e essa é a razão do dinheiro público que vem para a saúde, que é para assistir e dar assistência àqueles que realmente precisam.


Pergunta: A tesouraria vai continuar a mesma?

Prefeito: Eu não posso te garantir. Se nós estamos trocando agora a gestão total do hospital.
Cabe aos interventores fazer essa análise. Aqueles setores que estão indo bem, que trabalham bem e que dão a assistência correta, evidentemente que eles continuarão.

 

Pergunta: Existe uma previsão de quanto tempo essa auditoria vai levar?

Prefeito: Não. Nós fomos pegos de surpresa. Nós recebemos aqui a visita do Ministério Público na quinta-feira, e na própria quinta-feira na parte da tarde nós criamos um grupo de gestão de crise na prefeitura para acompanhar todo o desenrolar dos acontecimentos. Em um dia e meio de trabalho esse grupo já apresentou resultados e os resultados apresentados pelo grupo, acrescido dos relatórios do Ministério Público, nos levaram à conclusão que só tinha uma saída e essa saída foi a intervenção do hospital.


Pergunta: Sr. Pedro alguma outra instituição, além da prefeitura, está acompanhando essa intervenção?

Prefeito: Essa intervenção, na verdade, nós vamos nos reportar ao Ministério Público de Minas Gerais, dos nossos atos e das nossas ações, um dever de consciência, antes de noticiar a imprensa e de publicar essa intervenção eu telefonei diretamente para o Presidente da Câmara Municipal e  comuniquei a ele que nós estamos fazendo essa intervenção no hospital e comuniquei também a justiça. Como nós temos que ter sempre o cuidado de saber separar e ver os limites de cada poder.

Então, tanto o poder judiciário, como o executivo tomou a decisão. Comunicamos ao legislativo e ao Judiciário a decisão tomada, não é? Então estamos tendo uma resposta muito positiva perante a população que esperava realmente uma atitude dessa natureza, porque nós temos que zelar pela saúde e zelar pela transparência e pela gestão das instituições do município.


Pergunta: Então, nenhum órgão da justiça está acompanhando a intervenção da Prefeitura? A não ser por relatórios que a Prefeitura irá fornecer?

Prefeito: A intervenção aconteceu justamente diante de atos do Ministério Público. O Ministério público, diante dos relatórios dos atos e de fazer com que a provedora do hospital fosse afastada da sua posição deixou o hospital de Leopoldina a deriva.

E eu, na qualidade de Prefeito, diante dos fatos acontecidos, que são de conhecimento público, eu não poderia deixar de tomar uma decisão importante para preservar a saúde na nossa cidade, afinal, nós somos uma cidade com 52 mil habitantes, com um único hospital aqui dentro, então nós não podemos deixar um hospital naquela situação.


Pergunta: O senhor poderia deixar alguma mensagem para a população? Relacionada a rotina de funcionamento, se isso será afetado ou não. A população pode ficar tranquila em relação a isso?

Prefeito: A sua pergunta é muito boa. A população pode ficar tranquila porque nós estamos de mangas arregaçadas, numa época difícil que a época de Natal, de final de mandato, mas nós não podemos nos furtar da nossa responsabilidade. E nós estamos aqui com muita dedicação. Inclusive a equipe da prefeitura está lá hoje reunida no hospital. E nós vamos continuar fazendo com que o hospital continue até melhor, dando assistência à saúde e atendendo a população, tanto do pronto-socorro, tanto na emergência, nos casos graves, como também nas pequenas cirurgias, e nos processos de cirurgias eletivas.

Nós estivemos reunidos também com o Governo de Minas Gerais, através da Regional de Saúde. A Regional de Saúde do nosso município tem conhecimento total e já no primeiro momento, quando veio aqui o Ministério público, o governo de Minas já se colocou à disposição nossa, inclusive o sistema de transferência para outra unidade. E assim nós criamos todo um planejamento para que pudéssemos fazer essa travessia, que não é fácil, mas estamos muito animados e eles tem certeza que vai dar certo.

Pergunta: A partir de amanhã, o Márcio (Secretário de Saúde) vai estar lá direto? Ele vai ficar direto no Hospital?

Prefeito: Ele já vai a partir de amanhã. Ele é o interventor do hospital. Não só ele, como a Equipe de Crise. Essa equipe também vai continuar ajudando, que é composta pelo Secretário da Fazenda, que é composta pela Contadora do Município, que é composta pelo Procurador do Município, que é composta também pela Secretaria da Administração e pelo nosso advogado. Então, tudo isso somado forma um grupo de trabalho que terá muita atenção e muita vontade de acertar para poder atender esse momento difícil que nós estamos passando.

 

Pergunta: Qual é a expectativa da Prefeitura?

Prefeito: A expectativa é positiva porque já na sexta-feira eu fiz questão de fazer uma reunião com todo o corpo clínico e médico da Casa de Caridade, onde nós estivemos aqui reunidos com cerca de quarenta médicos. E fizemos a eles um apelo para que eles continuem com a sua tarefa diária de atender bem a população e que nós iríamos é agregar coisas positivas para fazer da nossa casa de Caridade uma instituição cada vez mais aberta e pronta para atender a população. Essa é a nossa vontade.

Pergunta: E qual é o gasto que isso vai gerar para a Prefeitura?

Prefeito: A princípio, nada. A princípio, o gasto de saúde que a prefeitura libera para a Casa de Caridade Leopoldinense são os recursos que vêm para cá, para a saúde. Eles vão continuar sendo liberados da mesma maneira. Agora cabe a Casa de Caridade usar esses recursos e poder atender a população.

Nós não podemos misturar o funcionamento normal da Casa de Caridade com o orçamento do município, a não ser aqueles 15% obrigatórios que são destinados dos nossos recursos próprios, já que são enviados para a Casa de Caridade, e os recursos que vem do Governo Federal e do Governo do Estado, que também são encaminhados para a Casa de Caridade

Com uma única diferença, antigamente os recursos eram liberados, depois que nós passamos para a gestão plena esses recursos não são mais liberados de maneira direta. Os recursos são pagos pelos serviços prestados. Se houve uma operação, nós pagamos a operação. Se houve uma consulta, nós pagamos a consulta. Se houve um atendimento, nós pagamos o atendimento e não uma liberação pura e simples do recurso, porque o grande objetivo é atender os mais necessitados.

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Foto: Cerqueiras Notícias


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