"Os tempos mudam, mas o papel da avó e do avô é um dos maiores presentes que vida nos dá."
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Numa determinada ocasião, uma pessoa conhecida, que não via há muito tempo, com todo o entusiasmo inicial que um encontro de amigos proporciona, entre outras perguntas, me fez essa: Pitico, você ainda trabalha com idosos?
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Eu respondi que sim. Entre uma prosa e outra, o papo terminou. Nos despedimos. Ele foi embora. Seguiu o seu caminho. Mas, eu não fiquei satisfeito com o “ainda” que ele colocou na pergunta que me chegou com um tom cínico e irônico. Seria mais amigável, de fato, se ele me perguntasse porque eu continuo atuando profissionalmente com as pessoas idosas.
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Para a época desse encontro e para hoje, eu não tenho uma resposta clara e objetiva para essa questão: por que eu atuo no campo da Gerontologia? Respondo que eu não sei muito bem. No entanto, dois registros emocionais me convencem do porquê.
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Devem ter outros, com certeza, mas, não estão claros para mim. Um é para honrar meu pai no quesito justiça social. Outro, é por causa dos meus avós maternos.

Foto: Reprodução Internet
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Com quem eu tive muito mais aproximação e encontros familiares ao longo da vida deles. Com os meus avós paternos, os contatos eram quase inexistentes, nem em datas comemorativas, como no o Natal. O que também aconteceu com um dos filhos deles, meu pai.
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Já escrevi por aqui, caros leitores e leitoras, que sou natural de Porciúncula, cidade pequena de nome comprido. Saí “pitico” de lá, em 1968, aos sete anos com muita infância.
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Por muito tempo, nos períodos de férias escolares, como em janeiro e julho, também no carnaval, festa de São Sebastião e Semana Santa, íamos aos encontros familiares.
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E o grande momento que me inunda em gostosas memórias, afetos e silêncios cheios de ternura: a noite de Natal. Na varanda da casa da vô Nilta e do vô Doca.
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Ela, uma senhora miúda, de “pés chatos”. Quanto amor cabia em seu coração gigante? Ele, um homem sério, que no seu íntimo trocava afetos com os seus netos, vindos da cidade grande.
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Por mais que eu falasse que não estava estudando para ser médico, ele apresentava o seu neto “doutor” para os amigos do marimbo (jogo de cartas).

Foto: Reprodução Internet
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Percebo que quanto mais eu vou para frente na vida, na vivência do tempo, mais as imagens e pessoas (familiares) de Porciúncula me aparecem.
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Acredito que sim, que pode ser que a justificativa para o trabalho com as pessoas idosas tenha nascido em Porciúncula nas noites de Natal. E também com minha vó moendo os grãos de café junto ao fogão a lenha.
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No alto, o varal de linguiças enquadrava esse cenário gastronômico. Nunca tive medo da minha vó. Perto dela eu sempre tinha colo, fala e muita liberdade.

Foto: Reprodução Internet
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Com minha mãe era diferente. Meu avô na companhia dos amigos que jogavam aos berros, entre uma dose e outra de cachaça, com raízes de ervas amargas, ensaiava o futuro do neto-doutor.
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Com a passagem do tempo, reacendo lembranças e memórias. Eu não vou deixar que elas se apaguem. Talvez sejam essas mesmas lembranças e desejo por tantas outras, que me colocaram no reino absoluto do contato com as pessoas idosas, autoras de muitas histórias e de muitas vidas – inclusive das minhas.
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Nesse Dia dos avós, celebrando no sábado (26 de julho) – mas que deve ser lembrado todos os dias -, mais do que presentear (o que é também muito bacana e vem ganhando a atenção do mercado publicitário), abrace o seu avô, a sua avó.
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Nesse mundo tão acelerado, com tecnologias e inteligência artificial, saia da tela por um instante. Dê ouvidos a eles. No fim das contas, os tempos mudam, mas o papel da avó e do avô é um dos maiores presentes que vida nos dá. Que me diga o Santiago. O “SAN”. Feliz dia dos avós!!!
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Jose Anisio Pitico
Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas.
Foto: Reprodução
Algumas Informações: Jose Anisio Pitico/ Tribuna de Minas
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