"O direito de ir e vir é garantido por lei, mas, na prática, andando pela cidade, ele só se realizará quando o ambiente urbano for pensado para todas as idades."
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As pessoas, de um modo geral, andam com muita pressa na cidade. Poucas são aquelas que olham para os lados. O celular capturou a nossa atenção.
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Não enxergamos as pessoas reais. Nesse turbilhão de gente, tem pessoas que caminham devagar – não porque querem, e sim, porque o tempo já lhes impregnaram um outro ritmo de ser e de andar.
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Em meio às calçadas irregulares, ônibus com motoristas (alguns) que não esperam e semáforos super ligeiros, as pessoas idosas travam, dia sim, e em outros também, uma silenciosa batalha pelo direito mais simples e essencial de todo ser humano: o de seguir adiante.
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Falar de mobilidade urbana na velhice é falar de dignidade. É reconhecer, publicamente, que cada passo dado, carrega histórias, carrega memórias, transporta trajetórias inteiras.
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Envelhecer é um destino comum a todos nós. O espaço público – a cidade – que acolhe as pessoas idosas é a mesma que recebe o futuro de todos nós. JF, como muitas cidades brasileiras, ainda é feita de desníveis urbanos.
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Ônibus com degraus altos para embarque e desembarque que alguns motoristas nem sempre param perto do meio-fio; calçadas, de novo, que se desfazem.

Foto: Reprodução
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Esses marcos na cidade parecem ser detalhes desprezíveis, mas, não são, principalmente, para quem tem mobilidade reduzida; são, de fato, barreiras reais para a autonomia dessas pessoas.
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Cada buraco na calçada, no passeio; cada falta de rampa; cada semáforo rápido demais se transforma em um limite imposto à cidadania dos mais velhos.
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O direito de ir e vir é garantido por lei, mas, na prática, andando pela cidade, ele só se realizará quando o ambiente urbano for pensado para todas as idades. Ainda não é.
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A pessoa idosa não precisa de privilégios, e não é disso, que estamos falando. A pessoa idosa exige respeito. Precisa e reivindica um banco à sombra onde ela possa descansar.

Foto: Reprodução
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Um ônibus com embarque acessível; uma calçada nivelada que não possa representar uma provável imobilidade no leito hospitalar ou ficar deitado numa cama em casa.
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O envelhecimento da população brasileira foi tema da redação do Enem, no domingo passado. O que atesta a presença cada vez maior das pessoas idosas no nosso dia a dia.
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No cotidiano de nossas cidades. Inclusive na nossa. Caros leitores e leitoras, vamos mudar o nosso olhar. Vamos prestar atenção naquele senhor que espera o sinal abrir para atravessar a rua; vamos prestar atenção naquela senhora que hesita, insegura, passar diante de uma calçada esburacada.
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Tanto esse senhor, como essa senhora, cada um deles carrega o retrato que a cidade pode – e deve – ser: um espaço de cuidado, um espaço de encontro, um espaço de pertencimento.
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Garantir o direito de seguir adiante é garantir o direito de viver plenamente em qualquer idade. É permitir que o caminho, mesmo que lento, porque já correu demais, seja livre e seguro.
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O verdadeiro progresso de uma cidade, como a nossa, não se mede pela régua da pressa, de quem vai chegar primeiro, como se estivéssemos numa grande competição esportiva.
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Mede-se o grau de cultura cívica de uma cidade pela dignidade com que as pessoas idosas são consideradas e continuam andando – passo a passo – no ritmo próprio(subjetivo) de cada uma.
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Jose Anisio Pitico
Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas. Tem no trabalho social com as pessoas idosas o seu lugar. Também é colaborador da Rádio CBN Juiz de Fora com a coluna Melhor Idade. Contato: (32) 98828-6941
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Foto: Reprodução
Algumas Informações: Jose Anisio Pitico/ Tribuna de Minas
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