"No exercício do planejamento urbano, a cidade precisa, antes de mais nada, fazer o dever de casa: criar condições dignas para que as pessoas idosas possam caminhar com segurança."
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Todas as manhãs, Dona Zuleika caminha até a padaria. Anda devagar com bastante cuidado para não cair de novo. Conhece cada buraco da calçada como conhece a palma da mão.
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Os degraus dos ônibus são altos; o tempo do semáforo é muito curto, igual ao tempo de 12 segundos, que muitas pessoas idosas têm para atravessarem a Avenida da Glória, quando saem, por exemplo, da missa das dez horas, aos domingos, para a realização de compras nos mercados para o preparo do almoço.
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Ainda assim, ela segue. Como fazem muitas pessoas idosas que circulam pela cidade. Seus passos lentos, mas firmes, contam a história de uma cidade que cresceu com ela, mas que parece ter esquecido dessa e de tantas outras donas Zuleikas que deram muitos passos para construí-la.
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No exercício do planejamento urbano, a cidade precisa, antes de mais nada, fazer o dever de casa: criar condições dignas para que as pessoas idosas possam caminhar com segurança.
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Vivemos um tempo em que o Brasil envelhece rapidamente. Em Juiz de Fora, 20% da população tem 60 anos ou mais. Isso significa que a cidade precisa, com urgência, repensar seus espaços, seus serviços e sua maneira de cuidar das pessoas idosas.
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Envelhecer é uma conquista. O desafio principal é manter a dignidade quando estamos velhos: um desafio coletivo, um desafio urbano e, acima de tudo, um desafio político.
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Quem levanta a bandeira política das pessoas idosas? Ainda não somos uma cidade “amiga da pessoa idosa”. É possível mudar. É preciso mudar.

Foto: Reprodução
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Algumas ações são simples e viáveis: melhorar o piso das calçadas; ajustar o tempo dos semáforos; treinar permanentemente os profissionais do transporte coletivo; ouvir as pessoas idosas em audiências públicas; em sessões na Câmara Municipal; no Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa; na Câmara Sênior.
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As fragilidades urbanas são evidentes para a vida das pessoas idosas na cidade. Elas estão enraizadas na cultura do descarte, quando tratamos as pessoas idosas como alguém que “atrapalha o fluxo” e como alguém que “já teve o seu tempo”.
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Esse preconceito silencioso, muito vivo entre nós – o etarismo ou o idadismo – fere mais do que o buraco na calçada. Exclui. Invisibiliza. Despreza. Desumaniza.
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Precisamos construir uma cidade onde a pessoa idosa não seja tolerada, mas respeitada; não seja um obstáculo, mas um elo da história. Envelhecer é inevitável.
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O que podemos escolher é como envelhecemos: com apoio, com dignidade e com pertencimento. Juiz de Fora, assim como muitas outras cidades brasileiras, passa por uma transformação demográfica que não pode ser ignorada.
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A população está envelhecendo, e isso traz uma série de demandas novas, para a saúde, para a assistência social, para a infraestrutura e para a mobilidade dos idosos.
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Uma cidade que cuida de suas pessoas idosas, que respeita o seu passado e aproveita a sua sabedoria, está no caminho certo para se tornar mais humana, justa e resiliente.

Foto: Reprodução
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Juiz de Fora tem essa missão. Os passos das pessoas idosas importam porque eles carregam histórias, vínculos, rotinas e o direito de permanecerem ativas no espaço público.
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Quando a cidade exclui a pessoa idosa do contexto urbano, ela não falha apenas em acessibilidade – falha em humanidade. Envelhecer é um destino coletivo e um direito de todas e de todos.
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Com dignidade e com acolhimento. Uma cidade que cuida do idoso, cuida, na verdade, de todo mundo: da criança que aprende a andar; da gestante; das pessoas com deficiências; cuida de todos. Desejo uma cidade que ofereça espaços comuns para a convivência intergeracional entre todas as idades.
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Jose Anisio Pitico
Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas.
Foto: Reprodução
Algumas Informações: Jose Anisio Pitico/ Tribuna de Minas
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