Eu acredito que as cidades, como a nossa, só serão verdadeiramente sustentáveis e humanas quando reconhecerem as pessoas idosas como parte ativa e valiosa da sociedade
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Toda cidade é construída para promover o bem-estar, o convívio e o encontro das pessoas. Afinal de contas, a cidade é o nosso lugar no mundo. Só que não é bem assim.
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Juiz de Fora, por exemplo: uma cidade que tem mais de 100 mil pessoas idosas, faz muito pouco por elas. Como eu escrevi na Coluna, de domingo passado, parece que a cidade, os juiz-foranos e as juiz-foranas, não notou que envelheceu.
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Como diria o poeta, “ficaram velhas, todas as coisas, eu mesmo envelheci”. E, se você, caro leitor e leitora, me permite apresentar a minha perspectiva, de como eu vejo a cidade hoje, principalmente no Centro, simbolicamente, representado pelo “Calçadão”, eu digo, que me sinto mais um no anonimato da vida urbana.
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Foto: Reprodução Internet
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Tenho a visão de muitas pessoas que passam por mim, mas, de fato, é como se fôssemos estrangeiros vivendo na mesma cidade. Percebo uma distância afetiva da cidade, quando desço ou subo o Calçadão.
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Vejo muitas pessoas, um mundaréu de gente, como diria minha mãe, mas elas pouco me veem. Não que eu tenha motivos para ser visto e chamar a atenção. Não é isso. É pela falta de contato humano, pelo adiamento ou impossibilidade do encontro.
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A campanha do diretor teatral “Gueminho” vem em boa hora. “Vamos ocupar o Calçadão”. É digno de registrar aqui, as iniciativas de amigos e colegas que se juntam na esquina da galeria para jogarem “purrinha”. Depois, juntos, eles tomam café, tendo assuntos para a semana inteira.
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Do lado feminino, é muito interessante e saudável ver os movimentos das mulheres na criação de espaços de conversas entre elas para a manutenção do afeto e para a expansão de outras iniciativas de socialização.
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A cidade nos submete a enormes desafios cotidianos à medida em que envelhecemos: calçadas esburacadas; ônibus lotados com degraus muito altos para embarque e desembarque; tempo para travessia de ruas compatível para quem é atleta de alta performance; falta de bancos para descanso; falta de mais espaços de convivência e de atividades culturais especificas. Nossa cidade pode mudar esse quadro.
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Podemos ter aqui um planejamento urbano, um futuro de cidade, no presente que fazemos, que começa agora, colocando as pessoas idosas na centralidade da agenda pública.

Foto: Reprodução
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É urgente tirar as pessoas idosas da invisibilidade social e urbana. Uma cidade que se deseja ser democrática não pode deixar ninguém de fora. Muito menos quem mais fez por ela, e pode continuar fazendo, que são as pessoas idosas.
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Não é justo que isso aconteça, que continue acontecendo. As contribuições das pessoas idosas para a vida urbana vão além de suas trajetórias pessoais de vida.
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Elas estão presentes na preservação da memória e identidade cultural da cidade: transmitem saberes populares, tradições, histórias locais e valores. Compartilham experiências de vida e profissional com as gerações mais novas.
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Na realidade, eu acredito que as cidades, como a nossa, só serão verdadeiramente sustentáveis e humanas quando reconhecerem as pessoas idosas como parte ativa e valiosa da sociedade.
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E devemos caminhar para essa direção o mais rápido possível diante da velocidade do nosso envelhecimento. Todos nós temos o direto de envelhecer na cidade, com dignidade, com qualidade de vida e com políticas públicas eficazes.
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A cidade que desejamos, que eu desejo é uma cidade que é muito mais do que feita de ruas, prédios e farmácias. Para mim, ela é um espaço de memórias afetivas, de carrinhos de pipocas, de desafios cotidianos e de sonhos por uma convivência intergeracional, inclusiva, diversa e plural de todas as idades.
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Jose Anisio Pitico
Assistente social e gerontólogo. De Porciúncula (RJ) para o mundo. Gosta de ler, escrever e conversar com as pessoas.
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Foto: Reprodução
Algumas Informações: Jose Anisio Pitico/ Tribuna de Minas
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