Prefeitura fala em dados "represados", mas médicos reforçam que cenário atual merece atenção, principalmente diante da baixa cobertura vacinal na cidade.

Quase 2 mil casos de Covid-19 foram notificados em Belo Horizonte em menos de um mês. No mesmo período, nove mortes por complicações provocadas pela doença foram confirmadas. Infectologistas afirmam que o cenário atual merece alerta, principalmente diante das baixas coberturas vacinais. As autoridades também demonstram preocupação com os índices de imunização na capital.
Em 2023, a cidade soma 8.623 casos e 93 óbitos. Por nota, a prefeitura afirma que se tratam de dados "represados" que estavam aguardando o resultado de exames para a confirmação. No entanto, infectologistas reforçam que os cuidados devem ser retomados.

"As pessoas devem ficar atentas aos sintomas, (se estiverem) usar máscara e evitar aglomerações", orienta o professor da UFMG, Unaí Tupinambás, que integrou o Comitê de Combate à Covid-19 em BH. Segundo ele, houve um aumento do pico, já esperado devido às variantes.
Unaí reforçou a baixa procura pelas vacinas. "Preocupante principalmente para idosos e pessoas com comorbidade. A Covid mata 40 pessoas por dia no Brasil. É a doença infecciosa que mais mata atualmente. Quem morre é quem tem comorbidade e quem não se vacina. A vacina é segura e todos devem tomar".
Para o infectologista, novas medidas ainda podem ser tomadas diante dos constantes apelos pela vacinação e baixa procura nos postos de saúde. "Tem que criminalizar quem divulga fake news e continuar a campanha. Colocar mais funcionários para evitar filas nos postos. Levar a vacina onde as pessoas estão, como escolas e comércios".
Cobertura vacinal
Na capital, a menor cobertura vacinal é a do público infantil. Entre as crianças de 6 meses a 2 anos, apenas 8,2% receberam a terceira dose. A situação dos adultos também merece atenção. Só 24,1% dos moradores de 18 a 59 anos estão imunizados com a bivalente. O Ministério da Saúde preconiza como ideal pelo menos 90% de cobertura.
A atual cobertura vacinal "é uma preocupação", afirma a PBH. A administração municipal reforça que o imunizante está à disposição da população nos 152 centros de saúde. Além da disso, ações programadas em escolas municipais, estações de ônibus, parques e shoppings têm sido organizadas.
Covid-19: Brasil registra mais de 44 mil novos casos da doença
Taxa de testes positivos para doença dobrou tanto no relatório da Abramed quanto no do Instituto Todos pela Saúde (ITpS). Alta é associada à Éris, uma subvariante da Ômicron que é monitorada pela OMS.
A taxa de testes positivos para Covid-19 aumentou no Brasil nas primeiras semanas de agosto, segundo dois relatórios independentes divulgados na quarta-feira (30). A alta em ambos os levantamentos é da ordem de 7 pontos percentuais, o que representa o dobro de pessoas que testaram positivo para o vírus Sars-Cov-2.
O aumento ocorre diante de um cenário distinto do já verificado em momentos anteriores da pandemia, com a maioria da população já vacinada e menos risco de casos graves:
Variante: OMS monitora o aumento da circulação da Éris, uma subvariante da Ômicron, que é um dos fatores apontados por especialistas para o aumento dos casos.
Gravidade: Apesar de mais transmissível, a Éris não está associada a casos mais graves ou mortes; para a OMS, ela é uma "variante de interesse", grau inferior ao das "variantes de preocupação".
Vacinação: Brasil enfrenta a sazonalidade dos casos com maioria da população já tendo tomado as doses básicas da vacina, mas o reforço da vacina bivalente só foi aplicado em 15% do público-alvo.
Grupos vulneráveis: pessoas imunossuprimidas (com baixa imunidade, seja por doenças ou por transplante) devem redobrar o cuidado com aglomerações e sempre manter o uso de máscaras.
Duração da onda: na avaliação de Alberto Chebabo, presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia, a atual onda da Covid deve durar entre 4 a 6 semanas.
Levantamento dos testes positivos
O aumento dos casos foi reportado por duas entidades. Um dos levantamentos é da Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), que representa laboratórios e clínicas privadas:
Aumento de testes positivos de 6,3% para 13,8%
"Possivelmente, sim, existe relação com a nova variante, que demonstrou ser muito transmissível, embora ela não traga quadros muito graves das pessoas que são infectadas", afirma Wilson Shcolnik · Presidente do Conselho de Administração (Abramed).
Outra fonte é o Instituto Todos pela Saúde (ITpS), que analisa dados dos laboratórios Dasa, DB Molecular, Fleury, Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE), Hilab, HLAGyn e Sabin:
Aumento de testes positivos de 7% para 15,3%
Segundo o ITpS, os percentuais mais elevados são observados nas faixas etárias de 49 a 59 anos (21,4%) e acima de 80 anos (20,9%).
Conforme mostra o infográfico abaixo, a atual taxa de 15,3% é inferior ao que foi visto até mesmo em dezembro do ano passado, quando os números chegaram a 38%.
Sars-Cov-2, um vírus que coexiste
A infectologista Carla Kobayashi afirma que é preciso considerar que o vírus da Covid vai "coexistir" como um vírus respiratório entre aproximadamente outros 20 que nos acometem sazonalmente. Ela pondera que o cenário hoje é muito diferente do visto no início da pandemia graças à vacinação, à imunidade adquirida e à evolução do vírus, que mudou para ser menos letal e mais transmissível.
Mudam os protocolos? Como me cuidar?
Os especialistas são unânimes em afirmar que, no atual momento, ter todas as doses possíveis da vacina contra a Covid é a melhor medida. É justamente o fato de a maioria de a população ter tomado ao menos as doses básicas que evita o aumento das internações e das mortes.
Máscaras para mais vulneráveis
A infectologista Carla Kobayashi destaca que as pessoas com baixa imunidade geralmente não conseguem obter a mesma resposta imune por meio da vacina do que os indivíduos sem ressalvas na saúde. Por isso, sobretudo para esse público, o uso de máscaras é mais do que recomendado.
"Se puder usar a máscara em locais fechados com aglomeração é ideal, porque você reduz a chance de transmissão de vírus respiratórios, não só de Covid, mas ainda de influenza, que também pode ser mais grave em um paciente imunocomprometido", explica a infectologista.
Fonte: G1 Globo / Hoje em Dia
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