QUANDO A MAIORIA NÃO OCUPA O PODER: A LUTA NEGRA POR REPRESENTAÇÃO E DIGNIDADE NO BRASIL
Reportagem Aristides dos Santos / Crédito das informações e imagens: Prefeituras de Descoberto, Guarani, Rio Novo e gabinetes parlamentares
✓ Eles são maioria da população, mas a inclusão social e representatividade de negros, principalmente mulheres negras, ainda é um grande desafio no país.
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Um especial do Novembro Negro sobre histórias de superação, resistência e presença nos espaços de poder
O Dia da Consciência Negra expõe uma contradição estrutural do Brasil: pessoas negras são a maioria da população, mas continuam minoria nos espaços do Executivo, Legislativo e Judiciário.
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Quando homens e mulheres negras chegam a esses lugares, não se trata apenas de mérito, estudo ou voto. Trata-se de vitória sobre traumas históricos, marcas do racismo, da discriminação e da injúria racial — tipificada no artigo 140, §3º do Código Penal, enquanto o racismo está no artigo 20 da Lei 7.716/1989.
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É uma vitória contra o olhar que duvida, contra a porta que se fecha, contra a violência que não agride fisicamente, mas sufoca silenciosamente.
Neste especial, ouvimos quatro lideranças negras da Zona da Mata que romperam barreiras e hoje ocupam posições de destaque: os prefeitos Emerson Patrick (Guarani) e Luiz Fernando de Oliveira (Descoberto), e as vereadoras Fabiana Evangelista (Rio Novo) e Flávia Ferraz (Descoberto).
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PREFEITOS
Emerson Patrick — Prefeito de Guarani (Republicanos), 34 anos, vereador entre 2017–2020
Nascido em Santos Dumont, radicado em Guarani desde 2001, Emerson Patrick, hoje com 34 anos, construiu sua vida sobre dois pilares: estudo e trabalho. Especialista em Ciência
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Política, Sociologia, Filosofia e Teoria do Direito, professor em cursos preparatórios, coordenador de MBA e docente em instituições tradicionais da Zona da Mata, sua trajetória acadêmica e profissional revela disciplina e profundidade.
A origem é humilde: filho de pedreiro e dona de casa, já foi entregador de salgados, office boy, atendente de videolocadora e de lan house. Cada etapa moldou seu caráter.
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Na vida acadêmica e política, enfrentou desconfiança racial e episódios explícitos de preconceito. Quando manifestou o desejo de se tornar prefeito, muitos duvidaram — não por critérios técnicos, mas pelo racismo estrutural que tenta definir onde pessoas negras “podem chegar”.
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Ele desenvolveu uma disciplina emocional sólida: equilíbrio, autoestima, foco e a habilidade de não absorver agressões raciais. Mesmo eleito prefeito em 2024, relata que ainda enfrenta olhares carregados de desconfiança — mas, centrado, segue adiante.
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Solteiro e sem filhos, resume sua trajetória como parte de um movimento maior:
“representar é romper barreiras e resistência”.
Foto: Reprodução
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Luiz Fernando de Oliveira — Prefeito de Descoberto (PDT), 52 anos, 2º Mandato
Casado, pai de jovens de 23 e 20 anos, Luiz Fernando — o Fernandinho — viveu o racismo desde a infância. Ao longo da vida, enfrentou discriminações explícitas e sutis, mas sempre se recusou a ser prisioneiro da dor racial.
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Desenvolveu um hábito interno de examinar sentimentos, compreender suas reações e evitar que o preconceito dominasse sua identidade. Reconheceu que seus verdadeiros amigos podiam ser negros ou brancos — e entendeu que caráter não tem cor.
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A educação que recebeu dos pais foi determinante: disciplina, honestidade, confiança e esperança. Sua mãe, sobretudo, o inspirou a sonhar com uma vida digna e acreditar no próprio valor. Foi essa base que o conduziu ao segundo mandato como prefeito de Descoberto.
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Ele sintetiza sua visão com uma frase que carrega profundidade e firmeza: “Não se mede o valor de uma pessoa pela marca da roupa que ela veste, mas pela nobreza de seus ideais.”
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VEREADORAS
Fabiana Evangelista — Rio Novo (PT), 44 anos, 1ª Legislatura
Divorciada, mãe de uma jovem de 23 anos, Fabiana teve seu primeiro contato com o racismo na escola, justamente onde deveria ter sido acolhida. Na vida adulta, o racismo se repetiu em várias formas — algumas explícitas, outras silenciosas.
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Na política e na vida profissional, enfrentou situações humilhantes, como ter de “provar que sabia ler” para ser levada a sério. É a violência invisível que atinge tantas mulheres negras diariamente.
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Fabiana atribui sua força à ancestralidade e acredita que sua presença no Legislativo funciona como porta aberta para meninas negras que precisam de referência.
Sua mensagem para a data traduz coragem, afeto e resistência: “Ser preto é resistir, é lutar por oportunidades iguais, é amor. Não vamos desistir. Muitos lutaram e sofreram para que hoje consigamos estar aqui. Consciência Negra: por reparação e bem viver.”
Foto: Reprodução
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Flávia Helena Dias Ferraz Alves — Descoberto (PDT), 49 anos, 2º Mandato
Casada há 32 anos, mãe de 2 filhos, Flávia viveu o racismo em diferentes etapas da vida. Foi alvo de descaso, de julgamentos injustos, de tentativas de reduzi-la pela cor da pele.
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Transformou dor em sabedoria. Reeleita para o 2º mandato, consolidou-se como liderança firme e consciente da responsabilidade de ser mulher negra na política. Sua permanência é um gesto de resistência ao apagamento histórico.
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Define sua trajetória com uma frase que sintetiza força, ancestralidade e dignidade: “Ser negro é carregar a nobreza de uma ancestralidade guerreira e a força da luta pela liberdade e dignidade.”
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O Novembro Negro lembra ao Brasil que representatividade não é concessão — é direito. Cada uma dessas lideranças negras carrega, em sua caminhada, séculos de resistência, coragem e dignidade. Quando uma pessoa negra chega ao poder, ela não chega só: chega acompanhada de uma história inteira que recusou a invisibilidade.

Reportagem Aristides dos Santos / Crédito das informações e imagens: Prefeituras de Descoberto, Guarani, Rio Novo e gabinetes parlamentares
Algumas informações: 📶 Difusora SJN 📻 97,3 FM
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