Fórum estadual reúne propostas para combater miséria no município, enquanto cresce a pressão por políticas públicas eficazes de moradia, trabalho e segurança alimentar.
A realidade da extrema pobreza em Juiz de Fora voltou a ser destaque após a divulgação de dados que apontam a existência de cerca de 24 mil moradores vivendo em condições de miséria. O número, alarmante por si só, foi apresentado no Fórum Técnico “Minas Sem Miséria”, promovido pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e expõe um quadro de grande vulnerabilidade social que exige respostas rápidas e concretas do poder público.

O encontro, realizado na cidade, reuniu representantes de diversas instituições e movimentos sociais que discutiram propostas para a aplicação dos recursos do Fundo Estadual de Erradicação da Miséria. A iniciativa busca entender melhor a realidade local e desenhar caminhos que possam de fato contribuir para a melhoria da vida de quem enfrenta diariamente a falta de moradia adequada, de renda e até mesmo de alimentação básica.
Mais de 100 pessoas participaram da etapa regional do fórum, representando cerca de 70 entidades ligadas à assistência social, ao terceiro setor e ao poder público. Desses debates, surgiram 46 propostas, das quais 24 foram priorizadas como mais urgentes e viáveis. Entre elas, destacam-se ações voltadas para o trabalho, a moradia e a segurança alimentar, temas que refletem diretamente as carências mais sentidas pela população em situação de vulnerabilidade.
Uma das medidas apresentadas diz respeito à criação de um canal de comunicação acessível e transparente, que permita à população acompanhar de perto a utilização dos recursos destinados ao combate à pobreza. A ideia é desenvolver uma página oficial do governo estadual que mostre de forma clara e didática como os recursos do fundo estão sendo aplicados, aumentando o controle social sobre as políticas públicas.
Outra proposta relevante é a criação de um programa estadual voltado para a contratação de pessoas em situação de rua ou vulnerabilidade social. O objetivo é promover não apenas a geração de emprego e renda, mas também a capacitação profissional, por meio da inclusão em cooperativas e associações, garantindo que essas pessoas possam conquistar autonomia e dignidade.

No campo da habitação, foi sugerida a implementação de um programa de apoio à autoconstrução e aos mutirões habitacionais. Essa proposta inclui subsídios financeiros, assistência técnica e acesso a materiais de construção sustentáveis, de modo que famílias sem condições possam construir ou reformar suas casas em melhores condições, com segurança e qualidade.
Também foi debatida a criação de um sistema de repasse de recursos fundo a fundo, em que o fundo estadual transfere diretamente verbas para os fundos municipais de segurança alimentar e nutricional. Esse modelo facilitaria a chegada dos recursos às cidades, permitindo que as ações cheguem com mais rapidez a quem precisa, além de garantir maior autonomia na execução das políticas em nível local.
O fórum em Juiz de Fora foi apenas o primeiro de uma série de encontros regionais que ainda acontecerão em Minas Gerais. Estão previstas reuniões em cidades como Montes Claros, Uberlândia, Araçuaí e Betim, além de uma consulta pública online que será aberta ainda neste mês, possibilitando a participação de cidadãos de todo o estado.
No âmbito municipal, a Prefeitura de Juiz de Fora destacou que o fórum tem caráter consultivo, funcionando como espaço de debate e formulação de ideias, mas sem executar diretamente as políticas. A administração lembra que os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) desempenham papel fundamental no mapeamento das áreas mais vulneráveis e no acompanhamento das famílias em situação de risco.
Apesar da divulgação dos números de extrema pobreza, a gestão municipal preferiu não fornecer detalhes adicionais à imprensa. O argumento utilizado é a necessidade de proteger os dados pessoais das famílias e também o fato de que os cadastros precisam ser constantemente atualizados, já que a situação socioeconômica das famílias pode se alterar rapidamente.
Em termos orçamentários, o município tem buscado ampliar os investimentos na área social. De acordo com a administração, o orçamento destinado à assistência social cresceu 50% nos últimos anos, chegando a 63,4 milhões de reais em 2025. A maior parte desses recursos, cerca de 87%, vem de verbas próprias do município, enquanto o governo federal responde por 10% e o estadual por apenas 3%.
Um dos programas em funcionamento que tem colaborado para reduzir os impactos da miséria são os restaurantes populares. Em Juiz de Fora, eles oferecem diariamente refeições subsidiadas e, em casos específicos, cerca de 500 pessoas recebem alimentação gratuita, o que representa um alívio para quem enfrenta a fome de maneira mais aguda.
Apesar desses esforços, críticas não deixam de surgir. Alguns setores da sociedade apontam que os números da extrema pobreza mostram que as ações realizadas até agora não têm sido suficientes para conter o avanço da miséria. Há quem argumente que os programas implementados são importantes, mas ainda não alcançam a profundidade necessária para transformar a realidade de milhares de famílias.
Para parte da oposição política, a responsabilidade pelo agravamento do quadro recai sobre a atual administração municipal. A avaliação é de que houve mais discursos e planos do que medidas concretas, o que contribuiu para o crescimento da população em situação de indigência durante o atual governo.
Esse cenário coloca Juiz de Fora em uma contradição visível. De um lado, o município é reconhecido como polo regional de desenvolvimento econômico e cultural, sendo referência em várias áreas. De outro, convive com bolsões de miséria extrema que expõem a desigualdade social de forma contundente e desafiam as autoridades a encontrar soluções efetivas.
Segundo a última estimativa populacional divulgada pelo IBGE, Juiz de Fora possui cerca de 567 mil habitantes. Nesse universo, aproximadamente 24 mil pessoas vivendo em extrema pobreza representam uma parcela significativa da sociedade local, reforçando a gravidade do problema.
A proporção equivale a cerca de 4% da população total da cidade em situação de indigência. Embora esse percentual possa parecer pequeno em termos absolutos, seus efeitos sociais são devastadores, pois concentram-se em regiões específicas e impactam diretamente a dignidade humana, a saúde, a educação e a qualidade de vida das famílias afetadas. É certo que o desafio é grande e exige esforços conjuntos dos governos municipal, estadual e federal, além da sociedade civil organizada. Apenas por meio de políticas públicas integradas, contínuas e acompanhadas de perto pela população será possível reduzir de forma significativa os índices de extrema pobreza que marcam a cidade.
A luta contra a miséria em Juiz de Fora, portanto, não é apenas uma questão administrativa, mas também um compromisso social e humano. Envolve olhar para aqueles que mais sofrem, garantir dignidade e construir, de forma coletiva, um futuro mais justo e inclusivo para todos os cidadãos.
Algumas Informações: Tribuna de Minas.com.br
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