Proposta de Emenda à Constituição visa proibir pagamento de salários inferiores ao mínimo legal a servidores estaduais.
Em Minas Gerais, uma situação preocupante vem chamando a atenção de autoridades e da sociedade: cerca de 13,3% dos servidores públicos estaduais recebem remuneração inferior ao salário mínimo nacional. Essa realidade levanta questionamentos não apenas sobre legalidade, mas também sobre dignidade e valorização do funcionalismo público.
O salário mínimo no Brasil é definido pela Constituição Federal como o valor necessário para suprir as necessidades básicas do trabalhador e de sua família. Quando o próprio Estado paga menos que esse valor, compromete-se o princípio da justiça social que deveria orientar a administração pública.
A deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT) propôs uma mudança significativa para corrigir essa distorção. Com o apoio de outros 28 parlamentares, ela apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) estadual que visa proibir, de forma definitiva, o pagamento de salários inferiores ao mínimo legal a servidores de todos os poderes do estado.

Foto: Reprodução
A proposta abrange o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, além de instituições como o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública. A intenção é assegurar que nenhum trabalhador vinculado ao serviço público mineiro receba menos do que o piso nacional.
Atualmente, para que uma PEC possa começar a tramitar na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), é necessário o apoio formal de pelo menos 26 dos 78 deputados estaduais. Com 29 assinaturas, a proposta de Beatriz já atingiu esse requisito e seguirá para análise nas comissões temáticas.
Essa iniciativa não surgiu do nada. A deputada já havia conseguido aprovar uma emenda durante a tramitação do projeto de reajuste dos profissionais da educação que garantia o pagamento do salário mínimo à categoria. Agora, ela busca ampliar esse direito a todos os servidores estaduais.
O problema do pagamento abaixo do salário mínimo atinge principalmente cargos de apoio, terceirizados ou temporários, que são contratados com baixos salários, muitas vezes sem os mesmos direitos dos servidores efetivos. Isso aprofunda a desigualdade dentro do próprio serviço público.
Além de ser uma questão de justiça social, a proposta também se conecta ao cumprimento da Constituição Federal, que determina o salário mínimo como base da remuneração do trabalhador brasileiro. O não cumprimento dessa norma fere princípios constitucionais como a dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho.
Os defensores da proposta argumentam que o Estado, enquanto empregador, deve ser o primeiro a garantir o respeito aos direitos trabalhistas. Permitir que seus próprios servidores recebam menos do que o mínimo é, além de incoerente, um grave retrocesso social.
Críticos, por outro lado, argumentam que a medida pode gerar impacto fiscal nos cofres do Estado, especialmente em um momento de crise financeira enfrentada por Minas Gerais. No entanto, os apoiadores da PEC apontam que não se trata de aumento de salários, mas sim de cumprimento de um direito básico.
A PEC também traz à tona o debate sobre o modelo de contratação adotado pelo Estado. Muitos dos servidores que recebem menos que o mínimo são contratados temporariamente ou em regime precário, o que evidencia a necessidade de políticas públicas de valorização e efetivação da carreira pública.
Para a deputada Beatriz Cerqueira, a valorização do servidor é essencial para garantir um serviço público de qualidade. Ela defende que ninguém deve ser tratado como cidadão de segunda classe apenas por ocupar cargos de apoio ou com menor visibilidade.
A tramitação da PEC ainda passará por comissões e, se aprovada, seguirá para votação em plenário. Para que a proposta seja incluída na Constituição estadual, será necessário o apoio de, no mínimo, 48 deputados estaduais em dois turnos de votação.
Esse debate também pode influenciar outras unidades da federação. Se aprovada, a PEC mineira pode servir de referência para outros estados onde situações semelhantes ocorrem, fortalecendo a luta por condições dignas no serviço público em todo o país.
A discussão também deve mobilizar entidades sindicais, movimentos sociais e a própria sociedade civil. O tema diz respeito à forma como o Estado trata seus trabalhadores e, consequentemente, à qualidade dos serviços prestados à população.
O funcionalismo público é fundamental para o funcionamento do Estado e para a garantia de direitos à população. Valorizar esses profissionais é investir em um país mais justo, eficiente e equilibrado.
O salário mínimo é mais do que um número: ele representa um compromisso social com a dignidade humana. Não pagar esse valor, especialmente por parte do Estado, é uma afronta aos direitos básicos garantidos pela Constituição.
A PEC proposta por Beatriz Cerqueira representa um passo importante na defesa desses direitos e na construção de um serviço público mais justo e respeitoso com seus trabalhadores.
O debate em torno da proposta promete ser intenso, e sua aprovação dependerá do engajamento da sociedade, dos sindicatos e da pressão popular sobre os deputados. Mais do que uma questão administrativa, essa é uma luta por respeito, igualdade e justiça social.
Algumas Informações: estadodeminas (Instagram)
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