Defasagem salarial, falta de repasses e jornada exaustiva acendem alerta na saúde de urgência.
Trabalhadores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Minas Gerais alertaram para a possibilidade de cruzar os braços nos próximos dias. A ameaça foi feita durante audiência pública realizada nesta quinta-feira (14 de Agosto) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

O Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde (Sind-Saúde) denuncia que a categoria sofre com uma grave defasagem salarial e cobra do governo estadual o repasse de recursos para manter o serviço funcionando plenamente.

Na capital mineira, Belo Horizonte, o Samu conta com 28 ambulâncias para atender ocorrências emergenciais. Segundo os profissionais, qualquer paralisação pode ter impacto direto e imediato no socorro à população.
A diretora do Sind-Saúde, Núbia Roberta Dias, afirmou que os socorristas de Minas Gerais recebem uma das piores remunerações do país. Ela também destacou que as jornadas de trabalho são excessivamente longas e desgastantes.
De acordo com Núbia, sem uma solução rápida para recompor salários e contratos, há um risco real de paralisação em todo o estado. O alerta acendeu o sinal vermelho entre gestores e parlamentares presentes na audiência.
Outra reivindicação importante da categoria é a regulamentação da função de condutor socorrista. Apesar de exercerem papel essencial no atendimento, esses profissionais não são oficialmente reconhecidos como integrantes da área da saúde.
Os trabalhadores também cobram o repasse integral e em dia do piso nacional da enfermagem. Conforme o sindicato, há atrasos de dois a três meses no pagamento desse valor.
A situação do financiamento agrava ainda mais o cenário. O custeio do Samu é dividido entre União, estados e municípios, mas, segundo representantes dos consórcios intermunicipais, o repasse federal tem sido insuficiente.
O secretário executivo do Consórcio Intermunicipal das Regiões Sudeste e Sul de Minas (Cisdeste), Denys Carvalho, afirmou que a União tem contribuído com apenas 30% dos custos. O esperado, de acordo com as regras, seria pelo menos 50%.
Em consequência dessa redução, o governo estadual também diminuiu sua participação no financiamento, deixando um rombo orçamentário para os municípios.
Carvalho destacou que “a conta não fecha” e defendeu a necessidade urgente de um pacto que garanta a manutenção do atendimento. Ele reforçou que o financiamento tripartite precisa ser revisto.
O Samu é responsável por salvar milhares de vidas anualmente no estado, realizando atendimentos pré-hospitalares e transferências de pacientes em estado grave. Uma interrupção no serviço pode gerar colapso no sistema de saúde.
Os profissionais argumentam que trabalham sob alta pressão física e emocional, lidando com acidentes, traumas e emergências médicas diariamente. A falta de valorização e condições adequadas torna o quadro insustentável.
Para o sindicato, a situação é resultado de um descaso histórico com o serviço de urgência e emergência no estado. Eles afirmam que, sem recursos adequados, o Samu caminha para um colapso iminente.
Além de salários e repasses, os trabalhadores apontam problemas na manutenção das ambulâncias e na reposição de equipamentos, o que compromete a qualidade do atendimento.
Durante a audiência, parlamentares se comprometeram a intermediar negociações entre os trabalhadores e o governo estadual, buscando evitar a paralisação.
A mobilização da categoria deve se intensificar nos próximos dias, com possibilidade de atos públicos e assembleias para definir os rumos da greve.
Se não houver avanço nas negociações, a população mineira pode enfrentar um cenário preocupante, com aumento do tempo de resposta a emergências e sobrecarga de outros serviços de saúde.
O caso acende um alerta para a necessidade de investimento contínuo e sustentável no Samu, garantindo que a rede de urgência e emergência continue cumprindo seu papel vital na preservação de vidas em Minas Gerais.
Algumas Informações: jornalhojeemdia (Instagram)
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