Falta de mão de obra para o corte manual, exigido em 65% da área, é o principal motivo pelo encerramento das atividades da usina centenária
Usina Jatiboca, em Urucânia (MG), anunciou o fechamento e a demissão em massa de mil funcionários por falta de matéria-prima e mão de obra no campo.
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Usina Jatiboca, em Urucânia, Zona da Mata mineira, decretou falência na última semana e anunciou o encerramento de suas atividades até 10 de novembro. Dias depois, uma liminar da Justiça do Trabalho suspendeu as demissões coletivas, impondo negociação com os sindicatos antes de qualquer desligamento.
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Falência, cronograma e impacto imediato
A comunicação interna aos trabalhadores ocorreu no dia 22, com orientação de que a fábrica encerraria as operações e iniciaria acertos rescisórios, inicialmente cogitados de forma parcelada, o que motivou protestos na portaria.
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Os sindicatos dialogam para garantir calendário e forma de pagamento que preservem o mínimo de renda às famílias afetadas. A Jatiboca emprega cerca de 1,1 mil pessoas na entressafra e chega a quase 2 mil na safra, além de outros 5 mil postos indiretos na cadeia regional. A cidade Urucânia tem pouco mais de 10 mil habitantes.
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A direção atribuiu o quadro a dificuldades de matéria-prima e mão de obra no campo, somadas ao risco de operar uma safra que “poderia ampliar prejuízos”. Urucânia (MG) tem 138,792 km² de área e 10.600 habitantes, segundo Censo 2022 do IBGE.
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Foto: Google Maps/Reprodução/ND Mais
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Capacidade produtiva, cadeia de fornecedores e energia
Segundo dados públicos da própria companhia, a usina tem capacidade para cerca de 1 milhão de sacas de açúcar e 32 milhões de litros de álcool por safra.
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Aproximadamente 20% da cana vem de cerca de 400 produtores locais. Essa produção gerava renda para arrendatários, transportadores, oficinas e comércios de insumos agrícolas. O bagaço de cana é utilizado nas caldeiras para gerar vapor de processo e cogeração elétrica.
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Em condições normais, o excedente de energia pode ser comercializado para a rede, reduzindo custos e adicionando uma fonte complementar de receita, algo que agora fica suspenso com a parada do parque industrial.
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Justiça impediu demissão de funcionário da Usina Jatiboca. Foto: Mateus Eberson/Google Maps/Reprodução/ND Mais
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Sindicato dos Trabalhadores não quer fechamento de usina
O presidente do STRU (Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Urucânia), José Luiz da Anunciação, relatou que muitos funcionários dedicaram a vida à usina e estavam próximos da aposentadoria. Para parte desse grupo, a interrupção impõe replanejamento de contribuição e renda.
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Já o presidente do SITIAPM (Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Ponte Nova e Outros Municípios), Júlio César Rodrigues da Silva, disse que o mercado regional pode absorver parte da mão de obra, mas não todos, o que tende a pressionar salários e condições de contratação.
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Usina Jatiboca em Urucânia (MG)
A Usina Jatiboca é uma empresa do setor sucroalcooleiro, ou seja, se dedica à produção de açúcar e, principalmente, etanol a partir da cana-de-açúcar. Fundada em 1920 em Urucânia, Minas Gerais, a usina tem mais de um século de história no agronegócio.
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As principais atividades da Usina Jatiboca são:
- Produção de etanol: Iniciada na década de 1980, a produção de etanol é uma das principais frentes da usina;
- Produção de açúcar: A empresa tem uma longa tradição na produção de açúcar, um dos seus produtos originais;
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- Cogeração de energia: A usina aproveita o bagaço da cana-de-açúcar, um resíduo da produção, para gerar energia elétrica. Essa energia é usada para o consumo próprio da usina e o excedente pode ser vendido para a rede elétrica;
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- Cultivo de cana-de-açúcar: A empresa planta e colhe mais de 15 variedades de cana-de-açúcar, usando um sistema tecnológico para garantir a eficiência de todo o processo.
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Origem do nome Uricânia
Etimologicamente “Urucânia” procede do Tupi-Guarani, “urucu” (ou urucum), [do Tupi] - Fruto de polpa doce de cor avermelhada encontrada em grandes quantidades nessas terras.
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Os índios faziam da polpa, uma tinta vermelha, com a qual se enfeitavam ou se pintavam antes das batalhas. Atualmente a semente da fruta é usada na culinária em alguns estados do Brasil, como corante para alimentos e na fabricação de bronzeadores. O acréscimo da palavra “cana” se deve ao cultivo da cana-de-açúcar na região.

Foto: Reprodução
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História
A história de Urucânia se confunde com as manifestações religiosas na região, que têm origem na devoção a Nossa Senhora das Graças. A cidade da Zona da Mata faz parte do Circuito Montanhas e Fé. Seu povoamento data de meados do século XIX, quando seus primeiros habitantes instalaram-se no local. Por volta de 1869, Francisca Inácia da Incarnação, senhora fervorosamente católica, amiga dos escravos e protetora dos colonos, mandou erguer uma capela e uma casa para abrigar o sacerdote em terreno por ela doado.
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Na mesma época surgiu o cemitério, construído onde atualmente se encontra a Igreja Matriz. Como era grande a quantidade de urucum nestas terras, o povoado denominou-se Urucu e a capela foi dedicada à Nossa Senhora do Bom Sucesso do Urucu. Com a chegada de usinas açucareiras em 1924 e o cultivo extensivo da cana de açúcar nas proximidades do povoado, passou a chamar-se Urucânia. A cidade ficou conhecida a partir de Padre Antônio Ribeiro Pinto, tido como milagroso, que se estabeleceu na Paróquia municipal em 1946. A data de sua morte, 22 de Julho, tornou-se feriado municipal.
Algumas informações: Correio de Minas / novaCana / Diário do Comércio / Rádio Ponte Nova / site oficial da usina / wikipedia
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