Mais de 50 internos foram encontrados em condições degradantes em clínica de Ipoema; seis pessoas foram presas durante a operação conjunta.
Na manhã da última sexta-feira (18 de Julho), uma operação de fiscalização flagrou situações alarmantes em uma clínica de reabilitação localizada na comunidade de Montes Claros, na zona rural de Ipoema, distrito de Itabira (MG).
A ação contou com a presença de diversos órgãos, incluindo Polícia Militar, Ministério Público, Vigilância Sanitária, CREAS, Assistência Social e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Durante a inspeção, foram constatadas graves irregularidades. Mais de 50 internos viviam em condições sub-humanas, muitos alojados em antigas baias de cavalos, sem colchões, higiene ou dignidade.
Alimentos vencidos foram encontrados nos estoques, e diversos internos apresentavam sinais de sedação. Dois deles afirmaram estar internados contra a própria vontade.

Seis pessoas foram presas em flagrante. Os suspeitos, com idades entre 33 e 45 anos, responderão por crimes como sequestro, cárcere privado, prática ilegal da medicina e exposição de pessoas a risco de vida.
O Samu prestou socorro imediato a seis internos em estado crítico, que foram encaminhados a hospitais da região. A clínica foi interditada pela Vigilância Sanitária, que também apreendeu celulares e computadores.
Um dos relatos mais chocantes envolve a dopagem forçada dos internos com misturas de medicamentos em alimentos como “Danoninho”, sem qualquer prescrição médica ou controle.
A inspeção também revelou que o local não oferecia água potável, atendimento médico regular ou estrutura mínima para acolher os internos, muitos deles adolescentes e idosos.

Alguns pacientes estavam visivelmente debilitados e desorientados, sem acesso a roupas limpas ou produtos de higiene pessoal. O ambiente era descrito como insalubre e opressor.

A clínica operava sem autorização legal, burlando normas básicas de vigilância sanitária e direitos humanos. O Ministério Público abriu investigação para apurar a responsabilidade dos envolvidos.
Após a liberação, vários internos optaram por caminhar até o distrito de Ipoema, distante cerca de 14 quilômetros, devido à ausência de transporte ou apoio imediato.
Moradores relataram momentos de tensão ao encontrarem ex-internos vagando desorientados pelas ruas durante a madrugada, alguns pedindo ajuda ou comida.
A operação foi resultado de denúncias anônimas feitas por familiares e ex-funcionários, que apontavam maus-tratos, negligência e abusos dentro da unidade.
Segundo o CREAS, a maioria dos internos era de fora da cidade, encaminhados por famílias que buscavam tratamento para dependência química ou problemas psicológicos.
A Prefeitura de Itabira informou que não tinha vínculo com a instituição e se comprometeu a prestar assistência aos ex-internos e colaborar com as investigações.
A sociedade civil e organizações de direitos humanos exigem punição exemplar aos responsáveis e reforçam o apelo por mais fiscalização em instituições semelhantes.
Casos como esse expõem a fragilidade no controle de clínicas de reabilitação clandestinas, muitas das quais funcionam sob aparência de legalidade, mas escondem práticas criminosas.
Veja o vídeo:
Vídeo: Reprodução Redes Sociais
O Ministério da Saúde alerta para que famílias busquem sempre instituições com registro, equipe multidisciplinar, plano terapêutico e fiscalização ativa.
A operação trouxe à tona um drama silencioso vivido por muitos que, em busca de ajuda, acabaram presos e violentados em nome da “cura”. As investigações continuam.
Algumas Informações: itabirando_news (Instagram)
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