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Elizan Coradine (Dia das Mães): entre flores, silêncios e saúde mental

Existe um domingo em maio em que tudo parece ganhar tons mais suaves.
As vitrines ficam cheias de flores. Os restaurantes lotados. As redes sociais se enchem de fotografias felizes, abraços antigos e frases prontas sobre amor incondicional.

É o Dia das Mães.

O dia em que paramos para celebrar aquela que, em teoria, sempre esteve ao nosso lado.

Mas a verdade é que nem toda história cabe em um comercial de televisão.

Muitas pessoas não tiveram mãe presente. Umas foram abandonadas. Outras cresceram tentando entender por que nunca receberam o afeto que tanto ofereceram.
Há ainda aquelas que perderam suas mães cedo demais 

Então surge uma pergunta silenciosa: O que exatamente comemoramos nesse dia?

Talvez a maternidade esteja muito mais ligada ao acolhimento do que ao sangue.
Mãe pode ser aquela que ouve quando o mundo inteiro ignora.
A que acolhe sem perguntas. A que redireciona. A que corrige sem humilhar. 
A que permanece.

Talvez, mãe seja também quem ocupa, com amor, a cadeira vazia dentro da vida de alguém.

E é justamente por isso que o Dia das Mães provoca sentimentos tão contraditórios.

Para alguns, é celebração. Para outros, ausência. Para muitos, uma mistura difícil de explicar.

Há quem enxergue a data apenas como um movimento comercial para aquecer as vendas de maio. E, de fato, existe comércio. Existe consumo. Existe marketing.

Mas existe também algo profundamente humano escondido entre as propagandas: a necessidade de reconhecer afetos antes que seja tarde.

O problema é que, muitas vezes, cobramos das mães uma força desumana.

A sociedade romantizou o cansaço feminino.

Espera-se que a mãe dê conta de tudo: da casa, dos filhos, do trabalho, das emoções da família inteira — e ainda esteja pronta para sorrir no domingo, receber flores e agradecer pelo “seu dia”.

Mas como sobreviver ao caos cotidiano e estar emocionalmente disponível apenas porque o calendário mandou?

A maternidade real quase nunca aparece nos cartões comemorativos.

A maternidade verdadeira está na mulher que chora escondido no banheiro, na mãe solo que dorme preocupada com as contas do mês. Na exaustão e na culpa por precisar de cinco minutos de silêncio. E, principalmente, naquela que ama os filhos, mas que também sente medo, sobrecarga e solidão.

Fala-se pouco sobre a saúde mental das mães.

Pouco sobre o esgotamento emocional. Sobre ansiedade.
Sobre a culpa constante de achar que nunca está fazendo o suficiente.

Existe uma ideia cruel de que ser mãe é suportar tudo. Mas não é.

Cuidar-se não é egoísmo. É sobrevivência.

O autocuidado cabe em pequenos intervalos da vida:
um banho demorado depois de um dia difícil; um chá quente no cair da tarde;
dez minutos de silêncio; uma conversa sincera; ou simplesmente permitir-se descansar sem culpa.

Porque quando a saúde mental de uma mãe adoece, toda a estrutura ao redor sente.

Não haverá esteio para os filhos se a mulher que sustenta emocionalmente a casa estiver completamente destruída por dentro.

O verdadeiro sentido do Dia das Mães talvez não esteja apenas em presentear alguém, mas em agradecer enquanto há tempo, abraçar quem cuidou de nós e reconhecer mulheres que foram colo, cuidado e presença mesmo sem obrigação. Sobretudo, em compreender que mães também precisam ser cuidadas.

Quem ainda tem sua mãe, que celebre.
Quem não tem, que transforme a saudade em memória viva.
Quem nunca recebeu esse amor, que encontre maneiras de oferecer a si mesmo o acolhimento que faltou.

E que, para além de um único domingo em maio, possamos aprender a celebrar o afeto nos pequenos dias comuns.

Porque amor verdadeiro não deveria caber apenas em datas comemorativas.

Elizan Coradine - Terapeuta  
Psicanalista - CRTHBR - 13346 
Transformo dores em força 🧠  
Constelação Familiar | Análise Corporal | Palestras  
https://www.instagram.com/elizancoradine.terapeuta

Foto: Arquivo Pessoal

Informações: Elizan Coradine

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