Por: Cerqueiras Portal de Notícias

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Fóssil revela 'dragão' de 240 milhões de anos; conheça

Cientistas revelaram os detalhes de um fóssil novo e extraordinariamente completo de um réptil aquático com 5 metros de comprimento do período Triássico.

A criatura remonta a 240 milhões de anos e foi apelidada de "dragão" devido ao seu pescoço extremamente longo.

O Dinocephalosaurus orientalis foi originalmente identificado em 2003.

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Mas a descoberta de um novo fóssil da espécie permitiu aos cientistas ver toda a anatomia desta fera pré-histórica.

O paleontólogo Nick Fraser, do Museus Nacionais da Escócia, que fez parte da equipe internacional que estudou o fóssil, disse que esta foi a primeira vez que os cientistas conseguiram vê-lo por inteiro.

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Ele descreveu o Dinocephalosaurus orientalis como "um animal muito estranho".

"Ele tinha membros parecidos a nadadeiras e pescoço é mais longo que o corpo e a cauda juntos", observa ele.

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O pesquisador especulou que um "pescoço longo e flexível", com 32 vértebras separadas, poderia ter proporcionado uma vantagem na caça — e permitiu que o Dinocephalosaurus orientalis procurasse comida em fendas sob a água.

O fóssil foi descoberto em antigos depósitos de calcário no sul da China.

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"Esta descoberta apenas aumenta a estranheza do período Triássico", disse Fraser à BBC News.

"E cada vez que olhamos para estes depósitos, encontramos algo novo."

O artigo que descreve um conjunto de novos fósseis do Dinocephalosaurus orientalis foi publicado na revista acadêmica Earth and Environmental Science: Transactions of the Royal Society of Edinburgh.

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Veja também: As fascinantes histórias de 7 dinossauros encontrados no Brasil

Foi a partir de uma exposição organizada em 2006 na Oca, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, que o paleontólogo Luiz Eduardo Anelli identificou um incômodo.

"Poxa, porque a Argentina já descreveu 150 espécies de dinossauros e o Brasil só tem 23?", perguntou à época.

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Com esse questionamento, nasceu a ideia de escrever um livro sobre os grandes répteis do passado que viveram onde identificamos hoje o território brasileiro.

Porém, passados alguns anos da primeira edição do texto, a obra já estava obsoleta.

"Nesses últimos 15 anos, o número de dinossauros identificados no Brasil se multiplicou e eu precisava fazer uma atualização", conta o pesquisador, que também é diretor da Estação Ciência da Universidade de São Paulo (USP).

Surgiu, assim, o livro Novo Guia Completo dos Dinossauros do Brasil, lançado recentemente pela Editora da USP (Edusp) e pela Editora Peirópolis.

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A obra traz detalhes sobre 54 espécies catalogadas de dinos "brasileiros" e explica todas as evidências sobre o surgimento do planeta e da vida ao longo de milhões de anos. As ilustrações que acompanham o texto foram feitas pelo paleoartista Julio Lacerda.

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Irmãos Gonçalves

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Vale lembrar, como mostra a escala abaixo, que os dinossauros foram os seres dominantes durante a Era Mesozoica, que compreende um período que vai de 252 milhões a 65,5 milhões de anos atrás.

Em entrevista,  Anelli destacou sete espécies descritas no Brasil com características interessantes e curiosas, como você confere ao longo da reportagem.

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1. Staurikosaurus, o ancião
Gráfico com detalhes e curiosidades sobre o Staurikosaurus pricei

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Há um motivo para o Staurikosaurus pricei ser a estrela da capa do livro: ele é considerado o dinossauro mais antigo já encontrado no mundo.

As datações de rochas próximas revelam que esse animal viveu há 233 milhões de anos. Com isso, ele é cerca de 1,8 milhão de anos mais antigo que alguns outros dinos descobertos na Argentina, como o Eoraptor e o Herrerasaurus.

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"No que hoje conhecemos como Rio Grande do Sul possivelmente nasceram as primeiras linhagens de dinossauros que iriam colonizar e dominar o mundo ao longo dos próximos 170 milhões de anos", estima Anelli.

Atualmente, o único fóssil conhecido do Staurikosaurus está no Museu de Anatomia Comparada da Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

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2. Buriolestes, o precurssor

Gráfico com detalhes e curiosidades sobre o Buriolestes schultzi

Anelli destacou o Buriolestes schultzi por causa de uma aparente contradição.

"A comunidade científica ficou um tanto chocada ao saber que o Buriolestes era um bípede carnívoro/faunívoro que deu origem às linhagens posteriores dos dinossauros quadrúpedes herbívoros", resume.

Os especialistas tiveram a sorte de encontrar dois esqueletos praticamente completos dessa espécie. Elas estavam com o crânio preservado, inclusive com as massas do que foram os cérebros desses animais no passado.

"Com isso, foi possível obter imagens de tomografia para conhecer todas as formas, protuberâncias e características do cérebro dessa espécie", diz.

"“Descobrimos assim o 'tataravô' dos dinossauros pescoçudos, então esse é um patrimônio da biologia e da história natural", classifica o paleontólogo.

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3. Ubirajara, o polêmico

Gráfico com detalhes e curiosidades sobre o Ubirajara jubatus

Catalogado em 2020, o Ubirajara jubatus também é considerado uma peça rara.

"Ele é o primeiro dinossauro não voador encontrado na região do Crato, no Ceará, e possui uma penugem, ou penas", descreve Anelli.

"Além disso, o Ubirajara tinha dois pares de penas longas no dorso, muito parecidas com aquelas que são observadas hoje nas aves-do-paraíso [típicas da Oceania]", complementa.

De acordo com o cientista, uma possibilidade é que essas estruturas servissem para vibrar e chacoalhar durante os ritos de acasalamento — característica que, diga-se, algumas aves mantêm até os dias atuais.

E esse não é o único comportamento que aproxima aves e dinossauros: ambos dormem (ou dormiam) com o pescoço enrolado no corpo, constroem (ou construíam) ninhos e botam (ou botavam) ovos com características similares.

Infelizmente, o Ubirajara está envolvido numa polêmica. "Ele foi levado para a Alemanha de modo suspeito e os pesquisadores, bem como o museu que hoje o hospeda, se recusam a devolvê-lo", informa o livro.

"Mas há rumores de que o Ubirajara está voltando para casa em breve", completa.

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4. Oxalaia, o pescador

Gráfico com detalhes e curiosidades sobre o Oxalaia quilombensis

Esse gigante foi caracterizado a partir de dois fragmentos: a extremidade superior do focinho e um pedaço da maxila esquerda.

Isso porque as rochas onde estavam esses fósseis, numa ilha no Estado do Maranhão, sofrem com os efeitos das ondas e das marés — daí boa parte do material se degradou.

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Mundo das Utilidades

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Anelli chama a atenção para o fato de que, à época em que o Oxalaia quilombensis existiu, a América do Sul e a África tinham acabado de se separar (antes, elas integravam um supercontinente conhecido como Gondwana).

Por isso, há muitas similaridades entre esse dino brasileiro e alguns outros que foram descobertos na costa africana.

"Ao que tudo indica, o Oxalaia era um dinossauro pescador", complementa o antropólogo.

O nome científico da espécie faz uma referência à divindade afro-brasileira Oxalá e aos assentamentos quilombolas maranhenses.

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5. Ibirania, o nanico

Gráfico com detalhes e curiosidades sobre o Ibirania parva

Há 85 milhões de anos, a região que hoje conhecemos como o interior de São Paulo não era um dos lugares mais fáceis para se viver.

Recursos como água e comida eram escassos — e os poucos animais que se aventuravam por essas terras precisaram se adaptar.

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Um exemplo desse processo é o Ibirania parva, um dinossauro pescoçudo nanico.

"Ele muito provavelmente reflete um momento do cretáceo que tinha um clima muito seco, com pouca disponibilidade de alimentos", avalia Anelli.

Por uma estratégia evolutiva em um tempo de vacas magras, o Ibirania era pequenino, ainda mais quando comparado a outros dinossauros que surgiram em épocas posteriores.

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6. Berthasaura, a banguela

Gráfico com detalhes e curiosidades sobre a Berthasaura leopoldinae

O nome Berthasaura leopoldinae faz uma homenagem tripla.

Primeiro, à cientista e ativista brasileira Bertha Lutz. Segundo, à imperatriz Leopoldina, esposa de D. Pedro 1º. Terceiro, à escola de samba carioca Imperatriz Leopoldinense, que fez uma homenagem ao Museu Nacional no carnaval de 2018.

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Anelli descreve a Berthasaura no livro como uma "gema preciosa".

"Ela era um dinossauro caçador, mas sem dentes", resume.

"Ainda temos muito a descobrir sobre essa espécie, que tinha hábitos de vida e de caça muito diferentes dos dinossauros tradicionais, cheios de dentes duros", complementa.

É provável que a boca da Berthasaura fosse revestida de um "bico córneo de bordas afiadas semelhante ao das tartarugas".

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7. Uberabatitan, o colosso

Gráfico com detalhes e curiosidades sobre o Uberabatitan ribeiroi

Eis o maior dinossauro já encontrado em território brasileiro.

"O Uberabatitan ribeiroi era enorme, chegava a 26 metros de comprimento", estima Anelli.

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"Isso dá quase o tamanho de dois ônibus grandes enfileirados."

Ele é um dos titanossauros mais completos conhecidos de todo o Brasil e superou em um metro o Austroposeidon magnificus, que antes era considerado o maior do país.

Algumas informações: BBC News

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