Partículas já foram identificadas em diferentes partes do organismo e estão presentes no ar, na água e em diversos produtos do cotidiano
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A presença de microplásticos no meio ambiente e no organismo humano tem despertado preocupação entre pesquisadores. As pequenas partículas, encontradas em produtos, roupas, alimentos e até no ar, passaram a ser consideradas um dos principais desafios relacionados à poluição causada pelo plástico.
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Um estudo realizado pela Universidade de Toulouse, na França, e publicado na revista científica *PLOS One*, apontou que um adulto pode inalar cerca de 68 mil partículas de microplástico por dia em ambientes internos. O número ficou mais de cem vezes acima do que era estimado anteriormente pela comunidade científica.
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A exposição também já foi identificada em pesquisas sobre o corpo humano. Segundo a professora Thais Mauad, do Departamento de Patologia da Universidade de São Paulo (USP), estudos encontraram microplásticos em diferentes regiões do organismo, inclusive no cérebro.
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Os microplásticos são partículas de plástico com até cinco milímetros de tamanho. Eles podem ser produzidos intencionalmente em dimensões reduzidas ou surgir a partir da fragmentação de materiais plásticos maiores expostos ao ambiente.
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O processo de degradação do plástico pode levar centenas de anos. Durante esse período, o material pode se fragmentar progressivamente, passando por diferentes dimensões até chegar aos chamados nanoplásticos, partículas ainda menores.

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A dimensão do problema ultrapassa os centros urbanos. Registros científicos já identificaram microplásticos em locais considerados remotos, como áreas próximas ao Monte Everest, na neve da Antártida e na água da chuva.
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A produção mundial de plástico também ajuda a explicar a expansão da poluição. De acordo com dados citados pela Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 400 milhões de toneladas do material são produzidas todos os anos, sendo aproximadamente um terço destinado a produtos de uso único.
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Parte desse material chega aos rios, lagos e oceanos. A ONU estima que a quantidade de plástico despejada diariamente nesses ambientes seja equivalente à carga transportada por mais de 2 mil caminhões de lixo.
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No organismo humano, pesquisadores já encontraram microplásticos no sangue, no leite materno e no líquido amniótico. Apesar dessas descobertas, ainda não há uma compreensão completa sobre os efeitos da exposição prolongada, quais seriam os grupos mais vulneráveis ou a partir de que quantidade os materiais poderiam provocar danos.
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Uma das áreas que despertam atenção é o sistema nervoso. Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Sydney, na Austrália, em parceria com a Universidade de Auburn, nos Estados Unidos, identificaram mecanismos pelos quais os microplásticos poderiam estar relacionados a processos associados a doenças neurodegenerativas.

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Além das próprias partículas, os especialistas chamam atenção para os aditivos químicos utilizados na fabricação dos plásticos. Algumas dessas substâncias estão associadas, em estudos com seres humanos, a efeitos sobre o desenvolvimento neurológico, potencial cancerígeno e alterações no sistema endócrino.
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A exposição pode ocorrer também durante o uso cotidiano dos produtos. Segundo Thais Mauad, bebidas quentes colocadas em recipientes plásticos podem favorecer a liberação de componentes do material e de seus aditivos, aumentando a preocupação com o contato frequente. Diante desse cenário, a especialista defende mudanças nos hábitos de consumo. Entre as medidas citadas estão evitar produtos descartáveis, utilizar garrafas reutilizáveis, reduzir a compra de alimentos embalados em plástico e priorizar produtos vendidos a granel.
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A redução do consumo de roupas também é apontada como uma alternativa, especialmente quando envolve peças produzidas com fibras sintéticas. Para a professora, a diminuição da produção e do uso de plásticos não essenciais é uma das medidas mais efetivas para enfrentar o avanço da poluição por microplásticos
Créditos: Terra.com.br

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