Nunca antes o mundo viveu uma situação com: (Assista ao vídeo no final da matéria)
-Tanto gás carbônico acumulado na atmosfera;
-Uma sequência tão longa de recordes diários de calor;

-Oceanos tão febris, com recordes sucessivos de temperatura na água;
-Diminuição das extensões da camada de gelo da Antártica e do Ártico;
-e, para finalizar, um El Niño atípico, que deixa os mapas dos oceanos e ainda mais vermelhos.
A concentração de gases aumentou notavelmente nas últimas décadas (veja gráfico acima), enquanto a taxa de emissões anuais diminuiu nos últimos dez anos. Apesar disso, o aumento da concentração não diminuiu.
Isso já é uma indicação clara que a capacidade de remoção do gás carbônico pelas florestas e pelos oceanos já começa dar sinais de diminuição", afirma Nobre.
Recordes também no mar

A temperatura média da superfície do oceano também tem batido recordes desde março deste ano. Em 30 de julho, a temperatura da superfície dos oceanos atingiu 20,96°C, superando o recorde anterior de 20,95°C estabelecido em março de 2016, também de acordo com o observatório do clima da União Europeia.
Alerta na Antártica e no Ártico
Um outro fator preocupante do clima global atualmente é que o gelo marinho na Antártica está em declínio recorde, com o nível mais baixo já registrado em fevereiro de 2023, quando a extensão do gelo do mar antártico atingiu o nível mais baixo já registrado, ficando 34% abaixo do valor médio de referência.
Clima extremo: Final de 2023 deve ser o ano mais quente da história, alertam cientistas

O ano mais quente já registrado até hoje foi 2016, também por conta do aquecimento do El Niño, que retorna este ano e pode fazer 2023 bater essa marca.
A NASA já advertiu: 2023 deve ser o ano mais quente já registrado. E isso se deve, em parte, ao El Niño. O fenômeno, que acontece a cada dois ou sete anos no planeta, começou este mês, e deve atingir seu pico até o final do ano, podendo se tornar um “Super El Niño“, de acordo com especialistas.
O El Niño eleva a temperatura do Oceano Pacífico, podendo resultar em recordes de calor. Além disso, também gera uma alteração no padrão de ventos, com chuvas ou secas em diferentes partes do mundo.

Aquecimento em alta
O ano mais quente já registrado até hoje foi 2016, também por conta do aquecimento do El Niño, que teve maior impacto do que em sua última aparição, em 2018 e 2019.
Este ano, os primeiros onze dias de junho registraram as temperaturas globais mais altas para esta época do ano, segundo o programa de observação da Terra da União Europeia Copernicus.
Em 9 de junho, a temperatura média global do ar atingiu seu pico, de 16,7°C. O número foi apenas 0,1°C abaixo do mais quente até então, em 13 de agosto de 2016. Os meses de abril e maio também foram os mais quentes registrados.
Ademais, a manifestação do calor será diferente. Em 2016, os picos de temperatura concentravam-se no Ártico siberiano. Já em 2023, o calor se manifesta em vários pontos, inclusive no Oceano Antártico e na Antártida, no início deste ano.
O El Niño é o culpado do aumento das temperaturas?
Apesar de seu potencial em causar elevação nas temperaturas, o El Niño não é o único responsável pelas mudanças climáticas. Segundo os cientistas, as temperaturas da superfície do mar estão em níveis recordes.
No Atlântico Norte, em 11 de junho, as temperaturas atingiram uma máxima de 22,7°C, por exemplo. 0,5°C acima da alta anterior em junho de 2010.
“Ventos alísios mais fracos causados por mudanças na dinâmica atmosférica são talvez a explicação mais provável”, explicou Samantha Burgess, da Copernicus, ao News Scientist.
No Atlântico Norte, a queda na força do vento pode ter reduzido a quantidade de poeira soprada do Saara para esta parte do oceano. A poeira costuma causar um resfriamento nas temperaturas oceânicas.
“O que observamos até agora sugere que 2023 provavelmente estará entre os cinco anos mais quentes. Acho que é justo dizer que estamos em território desconhecido”, concluiu a cientista.
Christopher Merchant, da Universidade de Reading, no Reino Unido, completa:
“Há uma boa chance de estarmos caminhando para outro ano recorde, este ano ou no próximo ano.”
Fonte: G1
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