“Com mais de 100 mil idosos, Juiz de Fora envelhece rapidamente, mas não adapta seus espaços urbanos às necessidades da população mais velha.”
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Jose Anisio Pitico- Pesquisas sérias com evidências comprovadamente científicas produzidas na área da gerontologia apresentam resultados interessantes e que se tornam características próprias desta fase da vida. Entre outros achados, temos que as mulheres vivem mais do que os homens e elas se cuidam mais também. E cuidam de outras mulheres. E que tanto os homens idosos quanto as mulheres idosas vivem nas cidades, em centros urbanos. Portanto, não é nenhum exagero, ou mesmo nenhum disparate, afirmar que a velhice ou o envelhecimento é uma questão eminentemente urbana. Juiz de Fora, “a princesinha de Minas”, sempre foi vista como uma cidade do interior, com alma de metrópole, como diz a letra do seu hino, “na cultura e no trabalho não receia outra rival”.
Assim como acontece no mundo todo, os “rostos” das cidades, e claro, de Juiz de Fora, têm mudado com a passagem do tempo. Somos extraoficialmente, mais de 100 mil pessoas com 60 anos ou mais. Com toda essa gente, fica claro e evidente que a cidade envelheceu e envelhece a passos rápidos. Isso não é projeção demográfica apenas ou exercício de futurologia: é presente, é realidade. Por outro lado, me parece, que a cidade não vem junto com essa nova composição etária. O que vocês acham, caros leitores e leitoras de tal percepção?
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Os juiz-foranos e juiz-foranas não acompanham essa nova realidade que é o seu envelhecimento. Que respostas temos? Parece que não estão nem aí. Estamos cuidando da população idosa como deveríamos? Não estamos cuidando, porque se estivéssemos cuidando não teríamos na cidade, calçadas esburacadas, ônibus lotados, sinais de pedestres com tempo super reduzido, por exemplo com 12 segundos para atravessar a Avenida dos Andradas, próxima à Igreja da Glória.
A cidade deve ser o lugar para o encontro das pessoas, desejamos ter e ser uma cidade para todas as idades. Não temos bancos suficientes para descanso após uma compra no mercado. Carecemos de mais espaços públicos de convivência com atividades físicas, culturais e educativas. É justo que eu escreva nesse momento sobre o quanto é muito importante para a geriatria e para a gerontologia brasileira ter, em nossa cidade, com um orgulho danado, um dos mais bonitos e melhores Centro de Convivência para as Pessoas Idosas. A cidade não cresceu, a cidade envelheceu. Precisamos de mais espaços sociais e públicos para esse público que vai viver sua longevidade, por onde está o Rio Paraibuna – antes que suas águas parem de passar.
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Por que as pessoas idosas não são ouvidas no planejamento urbano? Porque elas não são consideradas no cotidiano do ambiente social e comunitário da cidade, e essa cultura etarista é reforçada por quem ocupa as salas para o planejamento urbano. As opiniões das pessoas idosas são tidas como irrelevantes, ficam ganhando poeira nas gavetas dos agentes públicos. Não poderíamos ter avançado bem, no tocante às melhorias das condições de vida delas se, pelo menos, algumas das últimas deliberações das Conferências Municipais fossem colocadas nas ruas? As políticas acabam sendo feitas por e paras os mais jovens, de classe média ou alta.
O modelo urbano de desenvolvimento das cidades despreza quem não caminha rápido, quem precisa sentar, quem precisa evitar escada ou quem depende de ônibus. Nessa direção a prevalecer essa lógica da cidade enquanto mercadoria, junto com a demolição das casas, as pessoas idosas também vão tombar, definitivamente, para o esquecimento de sua importância humana. Triste cidade! É preciso urgentemente incluir as pessoas idosas no centro do planejamento urbano para que a cidade responda às suas necessidades porque elas (ainda) enfrentam duras e pesadas barreiras físicas, sociais e econômicas para acessar o espaço urbano com segurança, autonomia e qualidade de vida.
Algumas Informações: Jose Anisio Pitico/ Tribuna de Minas
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