Por: Guilherme Gouvea

Publicado em

Fotógrafo de ensaios infantis é preso suspeito de pedofilia em MG; enteada de 2 anos é uma das vítimas, diz polícia

A Polícia Civil prendeu um fotógrafo de 34 anos suspeito de armazenar e compartilhar conteúdo de pornografia infantil.

Segundo a instituição, ele fazia ensaios com crianças. A prisão foi no último dia 10, em Bambuí, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais, e a enteada dele, de 2 anos, é uma das vítimas identificadas. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira (16) em Belo Horizonte.

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A polícia disse também que o homem provavelmente está ligado a uma rede de pedofilia e que as investigações começaram há cerca de dois meses pela Delegacia de Divisão de Crimes Cibernéticos.

No momento da prisão, ele fechou a porta do estúdio para barrar a entrada dos policiais e jogou o celular em um lote ao lado do imóvel. Contudo, o aparelho foi recuperado e ainda foram apreendidos cartão de memória, máquinas fotográficas e um computador.

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A instituição afirmou que as investigações foram iniciadas pelo setor de inteligência e que não houve denúncia anônima.

Já a delegada Marcelle Bacellar disse que as fotos estão passando por perícia.

"Ele pode ser indiciado por compartilhamento e armazenamento de fotos envolvendo crianças nuas", disse Marcelle.

A partir dessas apurações, ele também pode ser indiciado por estupro de vulnerável, já que a investigação aponta que ele manipulou a genitália da enteada. As penas somadas podem chegar a 15 anos de prisão.

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Reincidente
As delegadas contaram que em 2013 o homem já tinha sido condenado a cinco anos e quatro meses de prisão pelo mesmo crime – pedofilia. Porém, ele cumpriu um ano e três meses da pena.

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Ainda de acordo com a polícia, depois que o suspeito foi preso, mães de crianças que foram fotografadas pelo suspeito procuraram a delegacia.

Contudo, as delegadas ressaltaram que o fato dele ter feito as fotos não quer dizer que as crianças tenham sido abusadas. Elas orientaram que a família converse antes com os filhos. Caso perceba algo errado, deve entrar em contato com a polícia.

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Como proteger seu filho?

O abuso sexual infantil ainda é um tema complicado e difícil de ser abordado, justamente pelos tabus que o cercam, pelo preconceito e pelo silêncio das vítimas – que nem sempre compreendem exatamente o que está acontecendo com elas – e também das famílias que sentem “vergonha” ou não sabem como lidar com a situação. Esse silêncio que permeia o tema torna difícil ter estatísticas que realmente abranjam o problema de forma real.

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De acordo com um estudo da Rainn, a maior organização social contra a violência sexual dos Estados Unidos, em 93% dos casos, as vítimas norte-americanas com menos de 18 anos conhecem o agressor. Lembrando que nem sempre ele precisa ser um adulto, podendo também ser um jovem ou adolescente que, de certa forma, possui poder sobre a vítima. Por tudo isso, falar sobre esse tema é tão importante.

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Por que precisamos falar sobre o abuso sexual infantil?
Apesar de ser uma causa nobre, nem todo mundo tem ideia do quanto crianças são vitimadas todos os dias e precisam de proteção.

A dificuldade de ter números precisos sobre essa situação é uma realidade e o maior indicador do problema está no Disque-Denúncia. De acordo com a publicação desse órgão, em 2017, foram mais de 120 mil denúncias recebidas, sendo que desse número mais de 70 mil eram relacionadas à violência e violação dos Direitos Humanos de crianças e adolescentes.

Todas essas denúncias são encaminhadas individualmente para as polícias estaduais e demais autoridades que investigam e apuram os casos.

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Sistema Público de Saúde (SUS)

Outra forma de compreender o problema é pelos dados do sistema público de saúde (SUS). Em 2016, foram registrados 22,9 mil atendimentos a vítimas de estupro no país, segundo dados apurados pela BBC. Mais de 57% desses casos eram de vítimas entre 0 e 14 anos, sendo que 6 mil vítimas tinham menos de 9 anos de idade.

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Além desses números alarmantes, vale à pena também enfatizarmos o quanto muitas vítimas acabam sofrendo em silêncio, já que o tema ainda é um tabu na nossa sociedade. Quebrar o silêncio pode significar ajudar outras vítimas a terem força de lutar contra seus agressores e de relatar a realidade vivida.

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Irmãos Gonçalves

O perfil do abusador
Como dissemos, na maioria dos casos de abuso sexual infantil, o abusador é alguém que a criança conhece, convive, confia e ama. Na maior parte das vezes, ele é membro da família e dispõe de certo poder sobre a vítima, como pai padrasto, irmãos, primos, tios ou avós. Dados corroborados pelo Guia de Referência produzido pela Childhood Brasil.

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Fora do âmbito familiar, o abuso também pode acontecer e o abusador costuma ser alguém conhecido da criança e com quem ela tem uma relação de confiança, como amigos da família, vizinhos, educadores, médicos, psicólogos, responsáveis por atividades de lazer e até técnicos de modalidades esportivas. Raras vezes o abusador é uma pessoa desconhecida.

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Consequências do abuso sexual infantil
Uma criança abusada sempre sofrerá sequelas dessa violência, desenvolvendo problemas de relacionamento e até de comportamento, como o abuso de drogas e medicamentos na adolescência, atitudes agressivas, quadro depressivo e assim por diante. A vítima poderá apresentar sentimentos confusos e nem sempre a criança consegue compreender o que está acontecendo no momento, percebendo a situação posteriormente, quando ela processa que aquilo vivido foi uma agressão. É comum que essas crianças cresçam com sentimentos como:

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-medos aparentemente infundados;
-culpa;
-imagem corporal negativa;
-dificuldades para estabelecer confiança interpessoal.
-Como prevenir o abuso sexual infantil?
-Como você viu, embora o abuso sexual infantil seja um tema complicado de ser abordado, ele é extremamente importante. Primeiro, porque ainda é algo que acontece frequentemente em muitos lares brasileiros e, segundo, porque ele pode ter consequências danosas às vítimas. 

 

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Saiba como ajudar a proteger o seu filho contra essa violência:

Converse com a criança sobre as partes íntimas do corpo
As crianças precisam saber nomear corretamente as partes do corpo e identificar o que é íntimo, para assim, poderem relatar aos pais quando algo fora do comum acontecer. Ensine ao seu filho o nome correto de todas as partes do corpo e explique sobre as partes íntimas, ensinando que ninguém poderá tocar nessas regiões e nem vê-las, apenas os pais quando forem dar banho ou trocar de roupa.

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Explique sobre os limites do corpo
Ensine a criança a não permitir que ninguém toque as suas partes íntimas, ou ainda, que ela não toque nas partes íntimas de nenhuma pessoa, seja ela conhecida ou desconhecida. Alerte a criança para possíveis artimanhas usadas pelos abusadores, como trocar carícias por doces, apresentar um “cachorrinho” e assim por diante.

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Incentive a criança a conversar com você
É preciso que o seu filho se sinta seguro para lhe contar qualquer coisa, inclusive uma situação de abuso. Muitas vezes, os abusadores pedem às crianças para manterem o ocorrido em segredo, seja ameaçando-a ou de maneiras lúdicas.

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Irmãos Gonçalves

Se o seu filho for ensinado que segredos não são coisas boas e que ele sempre poderá (e deverá) contar a você tudo o que acontece, será mais fácil de identificar uma situação de abuso. Lembre-se que essa relação de confiança é muito importante e, por isso, a criança NUNCA deverá ser punida, criticada ou castigada por contar qualquer coisa sobre o seu corpo.

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Saiba com quem seu filho anda e o que ele está fazendo
Muitos dos casos de abuso infantil acontecem quando uma criança passa horas sozinha com um adulto, que pode ser um membro da família ou um conhecido. Por isso, saiba o que seu filho está fazendo mesmo na sua ausência.

Se for preciso deixá-lo por horas com um adulto ou um adolescente responsável, tenha meios de vigiá-los por um tempo para saber como é esta relação. O melhor é sempre preferir situações nas quais seu filho integre-se a um grupo, pois isso dificulta a ação de abusadores.

Porém, tente saber sobre as pessoas que cuidarão da criança mesmo nesses casos. Por exemplo, se você for inscrever seu filho em um acampamento, saiba quem são os monitores e qual preparo eles possuem para prevenir e reagir contra um possível abuso.

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Mundo das Utilidades

Analise a reação da criança
Muito importante: sempre analise a reação da criança. Se ela demonstra não ter afeição por alguém próximo, que ela teoricamente deveria desenvolver afeto, tente entender o motivo.

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BibiCar

Identifique os possíveis sinais de um abuso
Embora não seja fácil notar os sinais físicos de um abuso sexual, é possível que a criança tenha alterações no seu comportamento, como: irritação, ansiedade, dores de cabeça, alterações gastrointestinais frequentes, rebeldia, raiva, introspecção ou depressão, problemas escolares, pesadelos constantes, xixi na cama e presença de comportamentos regressivos (por exemplo, voltar a chupar o dedo). Outro sinal de alerta é quando a criança passa a falar abertamente sobre sexo, de forma não-natural para a sua idade, física e mental.

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Se você notar algum desses sinais, tome cuidado com a sua reação, porque ela poderá fazer com que a vítima se sinta ainda mais culpada. O importante é oferecer apoio à criança, escutando o que ela tem a dizer e não duvidando da sua palavra. Busque ajuda e orientação profissional para que o seu filho consiga falar sobre o ocorrido e lidar com o fato.

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Claro, busque medidas legais para afastar o abusador. Romper o silêncio é uma forma ativa de lidar com o problema e impedir que ele continue acontecendo.

 

Fonte: G1 Globo / PCMG


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