Por: Cerqueiras Portal de Notícias

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Minas Gerais descobre grande vocação para o cultivo de cacau

Com novas tecnologias e cultivo a pleno sol, região norte do Estado conquista produtividade 10x superior e projeta se transformar em novo polo de produção de cacau no País.

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Alimento sagrado para os mesoamericanos, moeda de troca no Brasil colonial e atualmente fonte de oportunidades. Ao longo dos anos, o cacau vem reafirmando sua relevância no mercado e, desta vez, desponta em regiões não tradicionais de cultivo, como no Norte de Minas Gerais.

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Somando atualmente uma área plantada superior a 400 hectares, a produção de cacau no Estado está presente em cidades como Janaúba, Jaíba e Matias Cardoso, além de novas áreas em implantação no município de Pirapora. 

A expectativa para os próximos anos é que a região se transforme em um polo de produção de cacau com cerca de 10 mil hectares.

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Para colocar em prática esse objetivo, há cerca de dez anos, pesquisadores vêm estudando o cultivo do fruto na fazenda experimental da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). 

Nesse trabalho, que envolve professores, alunos e parceiros, são realizados estudos, que adaptados à tecnologia e produção local, mostram resultados otimistas, como a adoção do cultivo a pleno sol.

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A técnica, segundo o professor Victor Maia, é independente da plantação de outros cultivares, diferenciando-se do sistema mais adotado no País, o “cabruca” (quando o plantio do cacau é sob a sombra das árvores nativas). 

“Pelo fato de ser a pleno sol e com adoção de novas tecnologias, conseguimos produtividade até 10 vezes acima da média das regiões tradicionais, como no sul da Bahia e Pará”, afirma.

Entre as tecnologias adotadas a partir dos estudos realizados, Maia diz que foram identificados os genótipos mais adaptados para as condições climáticas na região. Além de ser utilizado o sistema de fertirrigação (adubo injetado na água de irrigação) para nutrição adequada do cultivo.

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Outros importantes estudos giram em torno do cultivo consorciado do cacau com outras espécies como abacaxi, banana e noz-macadâmia. Além disso, a fisiologia do cacaueiro e suas respostas ao estresse hídrico e térmico na região também estão entre os principais focos da pesquisa que visa impulsionar no cultivo de cacau no Norte de Minas.

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Em relação ao clima da região, que é desafiador para alguns cultivos, Maia destaca que para a cacauicultura o calor não é um impeditivo e, sim, um benefício. 

“Além de ser uma planta de gosta de calor, aqui temos uma grande vantagem de ser uma região seca e de baixa umidade. 

Esse clima se tornou desfavorável para as principais doenças do cacaueiro, como a vassoura de bruxa”, destaca o professor.

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A região, segundo ele, vem se mostrando como uma área de escape às doenças, o que tem atraído a atenção de diversas indústrias para possíveis instalações em diferentes cidades. Isso é possível já que o cultivo de cacau é viável em todas as áreas do Norte do Estado que possuem condição de irrigação.

“É uma lavoura de fácil condução e comercialização, que tem demanda. É mais uma opção que surge para a região com enorme potencial, tanto para geração de renda quanto emprego”, conclui o professor.

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Irmãos Gonçalves

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Sistemas agroflorestais permitem cultivo com sustentabilidade

professor em cacaueiros

“A cultura do cacau por si só já é sustentável do ponto de vista ambiental” – Victor Maia, professor da Unimontes/ Foto: Rede sociais

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As práticas sustentáveis estão entre os pilares do cultivo de cacau na região Norte de Minas Gerais. O fruto é cultivado com trabalhos de ciclagem de nutrientes e acúmulo de carbono no solo, além de não haver necessidade de supressão de mata nativa, utilizando áreas com baixa produtividade, os chamados sistemas agroflorestais (SAF).

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Os SAFs na cacauicultura são a forma mais comum de cultivo do fruto no Brasil. O sistema utiliza áreas de pastagens degradadas ou improdutivas para a plantação de cacau, diversificando a renda do produtor, além de beneficiar o meio ambiente.

“A cultura do cacau por si é como se fosse uma floresta plantada. Tanto a planta, quanto o solo retiram o CO² da atmosfera. Ela por si só já é sustentável do ponto de vista ambiental”, reforça Victor Maia.

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Região vai ganhar centro tecnológico para cacauicultura


Em setembro do ano passado, a Unimontes recebeu recursos de cerca de R$ 2,2 milhões para a criação de um centro tecnológico para cacauicultura em regiões não tradicionais. 

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O montante faz parte de um aporte total de R$ 26,6 milhões que a universidade recebeu para investir em 27 projetos aprovados em chamada da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) destinada às universidades estaduais mineiras.

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Com o recurso, serão criados espaços de pesquisa voltados para o cultivo do cacau no campus de Janaúba, em parceria com mais duas instituições no Estado: a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O Centro Tecnológico contemplará os laboratórios de:

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W Aluminium

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Fertilidade dos solos;
Irrigação e Drenagem;
Tecnologia de Processamento de Produtos Vegetais;
Fisiologia de Plantas Cultivadas.
 

Para o reitor da Unimontes, professor Wagner de Paulo Santiago, a aprovação das propostas irá fortalecer a estrutura de pesquisa e inovação na universidade, proporcionando reflexos positivos para toda a sociedade.

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Cacau “bean-to-bar” impulsiona mercado de chocolates especiais

Helena Avelar: “Nós conhecemos os nossos produtores, o espaço onde o cacau é beneficiado e garantimos que esse beneficiamento aconteça da forma adequada” / Foto: Divulgação/Ambar

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Mundo das Utilidades

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Transparência, alto padrão de qualidade e responsabilidade socioambiental. O consumo de cacau no Brasil vem se modificando, resultando em uma maior procura por chocolates especiais “bean-to-bar”.

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O conceito se refere ao produto que passa por acompanhamento de todo o processo produtivo, desde a obtenção dos grãos de cacau até a produção dos chocolate finalizados. Tudo controlado por um único fabricante de chocolate ou empresa, garantindo a procedência da origem a partir do cacau com Indicação Geográfica (IG).

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BibiCar

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Segundo analista de inovação do Sebrae, Hulda Giesbrecht, “o registro de produtos com Indicação Geográfica é um dos melhores caminhos para mudar a realidade dos pequenos produtores rurais em diferentes regiões do país”.

Em Belo Horizonte, a empresa AMBAR (da amêndoa à barra), vem se destacando no segmento “bean-to-bar”, levando aos consumidores mineiros a valorização da identidade do cacau brasileiro.

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“É um chocolate que tem identidade. Nós conhecemos os nossos produtores, o espaço onde o cacau é beneficiado e garantimos que esse beneficiamento aconteça da forma adequada”, ressalta a idealizadora da marca, Helena Avelar.

Ela destaca que a marca sempre preza que a história do cacau seja compartilhada e afirma que recompensa de forma justa os produtores de cacau, pagando diretamente uma quantia que pode chegar até dez vezes mais do que a grande indústria paga.

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Segundo ela, as expectativas, apesar de boas, são contidas em razão de uma crise no mercado de cacau no mundo, o que afetou algumas estratégias da marca. Para a Páscoa de 2024, a idealizadora prevê crescimento de 12 a 15% em vendas em relação ao ano passado.

“A nossa comunicação está sendo feita de modo a direcionar os clientes para produtos com maior valor agregado, apostando em recheios e sabores diferenciados para agradar o paladar brasileiro”, pontua. 

A idealizadora destaca que durante o pré-lançamento da Páscoa deste ano, 1/3 das metas de vendas já haviam sido atingidas.

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Irmãos Gonçalves

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Cultivo de cacau no Brasil


6º maior produtor de cacau no mundo;
600 mil hectares cultivados;
Produção superior a 200 mil toneladas de amêndoas por ano;
75 mil produtores;
60% são de agricultura familiar;
Os estados do Pará e da Bahia são os principais produtores do Brasil, responsáveis por, aproximadamente, 96% de toda a produção nacional;
Em 2022, o Brasil exportou 36 mil toneladas de chocolates e 48 mil toneladas de derivados do cacau, gerando U$ 340 milhões de dólares;
A Argentina é o destino principal, seguido por Estados Unidos e Chile.

Algumas informações: Portal Diário do Comercio

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