Técnica de enfermagem, Raquel Mariano só se deu conta quando foi alertada por outra pedestre sobre o ferimento logo após cruzar com um homem que a encarou; vítima já tomou a 1ª dose do coquetel de profilaxia. Polícia investiga o caso.
“Fui à loja de uma amiga no shopping e depois ia comprar uma embalagem. Vi que ele [suspeito] tava vindo na minha direção, virei para trás, perguntei o que era, ele olhou para a minha cara e saiu andando. Aí uma senhora que tava do lado me ajudou, porque fiquei muito nervosa”, explicou.

"Ela falou que me ele espetou com uma agulha de seringa. Só então olhei para a minha perna e vi que ela tava sangrando.”
O relato do assustador trajeto feito entre as ruas Mister Moore e a Floriano Peixoto, bem no Centro de Juiz de Fora, é de Raquel Mariano, 30 anos, que registrou boletim de ocorrência na Polícia Militar denunciando ataque de um possível homem em situação de rua.

Além de denunciar o caso na corporação, registrado como “Perigo para vida ou saúde de outrem”, a técnica de enfermagem também procurou um hospital, onde foi examinada, realizou exames para testagem de HIV e recebeu a primeira dose do coquetel de profilaxia.
"Tenho tido muitos efeitos colaterais e já emagreci 5 kg. Segunda-feira faço novos exames e dia 21 retorno no HPS”.
Assustada com a situação, a técnica de enfermagem disse que optou por fazer o tratamento sem divulgar o caso. No entanto, após conversas com outras mulheres, foi incentivada a denunciar o ocorrido, já que o homem pode ter atacado outras vítimas, que talvez também preferiram se silenciar.
“Ali é um lugar que fica bem cheio, e a gente fica com medo. Todo mundo que converso fica horrorizado, pois muita gente pega ônibus ali perto. Graças a Deus recebi ajuda, mas podia ter percebido horas depois ou talvez nem ter percebido. Pode ser que alguma outra pessoa tenha sido espetada, mas também não percebeu e apresente alguma doença”.
O suspeito não é conhecido de Raquel. “Ele tava com a roupa suja e um saco nas costas”, lembrou.
Investigação
Até a publicação desta reportagem, o suspeito não havia sido identificado. Em resposta, a Polícia Civil informou que o caso foi encaminhado para a 7ª Delegacia de Polícia Civil.
Segundo Raquel, ela chegou a tentar obter imagens de câmeras de segurança de uma loja do entorno, mas foi informada que as imagens gravadas não estavam mais disponíveis. Ainda conforme ela, um militar teria feito contato informando a possibilidade de registro por uma câmera.
MAIS DE 18 MILHÕES DE MULHERES JÁ SOFRERAM ALGUMA FORMA DE VIOLÊNCIA
De acordo com os resultados da pesquisa, 11,6% das mulheres entrevistadas foram vítimas de violência física no ano passado, o que representa um universo de cerca de 7,4 milhões de brasileiras. Isso significa que 14 mulheres foram agredidas com tapas, socos e pontapés por minuto.
Entre as outras formas de violência citadas, as mais frequentes foram as ofensas verbais (23,1%), perseguição (13,5%), ameaças de violências físicas (12,4%), ofensas sexuais (9%), espancamento ou tentativa de estrangulamento (5,4%), ameaça com faca ou arma de fogo (5,1%), lesão provocada por algum objeto que lhe foi atirado (4,2%) e esfaqueamento ou tiro (1,6%).
A pesquisa também trouxe um dado inédito: uma em cada três brasileiras com mais de 16 anos sofreu violência física e sexual provocada por parceiro íntimo ao longo da vida. São mais de 21,5 milhões de mulheres vítimas de violência física e/ou sexual por parte de parceiros íntimos ou ex-companheiros, representando 33,4% da população feminina do país.
A média global, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, fica em 27%. Se considerarmos também os casos de violência psicológica, 43% das mulheres brasileiras já foram vítimas do parceiro íntimo. Mulheres negras, de baixa escolaridade, com filhos e divorciadas são as principais vítimas.
Principal agressor é o ex
Pela primeira vez, o estudo apontou o ex-companheiro como o principal autor da violência (31,3%), seguido pelo atual parceiro íntimo (26,7%). O autor da violência é conhecido da vítima na maior parte dos casos (73,7%).
Assim, o lugar menos seguro para as mulheres é a própria casa – 53,8% relataram que o episódio mais grave de agressão dos últimos 12 meses aconteceu dentro de casa. Esse número é maior do que o registrado na edição de 2021 da pesquisa (48,8%), que abrangeu o auge do isolamento social durante a pandemia de Covid-19. Outros lugares onde houve episódio de violência foram a rua (17,6%), o ambiente de trabalho (4,7%) e os bares ou baladas (3,7%).
Diante do questionamento sobre a reação à violência, a maioria (45%) das mulheres não fez nada. Em pesquisas anteriores, em 2017 e 2019, esse número foi de 52%. É digno de nota que a maioria das vítimas ainda permanece em silêncio.
“Na pesquisa aqui apresentada, 45% das mulheres vítimas de violência relataram não terem tomado atitudes diante da agressão mais grave que sofreram, e 38% afirmaram que “resolveram a situação sozinhas”. Mas o que significa “resolver sozinha” uma violência? Quão solitária e desamparada está a mulher que “resolve sozinha” a violência que sofre? Por que isso acontece?
Sabemos que as relações marcadas por abuso e violência são relações inseridas numa espiral com potencial apenas de crescer, nunca de diminuir. Por isso é tão preocupante que quase metade das vítimas fique em silêncio”, completa Juliana Martins, coordenadora institucional do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
O número de mulheres que foi até uma Delegacia da Mulher aumentou em relação a 2021, passando de 11,8% naquele ano para 14% em 2023. Outras formas de denúncia foram ligar para a Polícia Militar (190) (4,8%), fazer um registro eletrônico (1,7%) ou entrar em contato com a Central de Atendimento à Mulher pelo Disque 180 (1,6%).
As razões citadas pelas mulheres que não procuraram as autoridades foram: 38% resolveram sozinhas, 21,3% não acreditavam que a polícia pudesse oferecer solução e 14,4% julgaram que não tinham provas suficientes.
O levantamento traz ainda as ações que as brasileiras consideram importantes para o enfrentamento da violência doméstica: punição mais severa para os agressores (76,5%), acesso a especialistas em saúde mental, como psicólogos (72,4%), suporte legal e serviços que orientem a mulher vitimizada (69,4%), ampliação da divulgação de campanhas para conscientização e orientação sobre denúncias de violência doméstica para homens e mulheres (67,9%), garantir acesso a necessidades básicas para mulheres em situação de violência (67,2%).
Percepção sobre violência doméstica
Todos os entrevistados foram questionados sobre suas percepções sobre a violência de gênero e 65% dos brasileiros acham que a violência contra a mulher aumentou.
Quando comparamos as respostas de homens e mulheres, verificamos diferenças significativas. De modo geral, mulheres apresentaram maior percepção sobre crescimento da violência contra a mulher (70,6%) do que os homens (59,4%).
Fonte: Fonte Segura / G1 Globo
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