Testes revelam que sapatos e sandálias dessas marcas de fast fashion excedem os limites legais de substâncias como ftalatos e chumbo.
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Calçados das marcas de fast fashion Shein e Temu contêm substâncias tóxicas em níveis centenas de vezes superiores ao permitido por lei, de acordo com autoridades de saúde da Coreia do Sul. Um teste realizado com 144 produtos, incluindo itens da AliExpress, revelou que vários deles não cumpriram as diretrizes de segurança estabelecidas, conforme reportagem da Business Insider. As duas informaram, em nota, que retiraram os produtos citados de suas plataformas.
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Os resultados mostraram que alguns sapatos da Shein continham ftalatos em quantidades que ultrapassavam em 229 vezes o limite legal. Ftalatos são compostos químicos usados para tornar plásticos mais maleáveis, mas que podem causar danos à saúde reprodutiva, como a redução da contagem de esperma e infertilidade, além de aumentar o risco de nascimento prematuro.
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Produtos da Temu também apresentaram níveis preocupantes de substâncias tóxicas. Padrões de chumbo foram encontrados em palmilhas de sandálias vendidas pela plataforma online, com níveis 11 vezes superiores ao permitido pela legislação.
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"Investigação interna"
Em resposta às descobertas, um porta-voz da Temu informou que a empresa iniciou uma investigação interna assim que foi notificada pelo governo de Seul. Dos 11 produtos apontados, dois — um par de sandálias e um chapéu — eram comercializados pela Temu. A empresa rapidamente removeu esses produtos de sua plataforma global e está revisando seus processos para garantir o cumprimento das normas de segurança e das regulamentações locais.
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Já a Shein disse que leva muito a sério a segurança dos produtos que vende e está comprometida em oferecer produtos seguros e confiáveis aos clientes. "Ao tomar conhecimento das reclamações contra os nossos produtos, nós os removemos imediatamente de todos os nossos sites por uma questão de precaução enquanto conduzimos as nossas investigações. Se for verificada uma não conformidade, não hesitaremos em tomar as medidas de acompanhamento adequadas junto ao fornecedor do referido produto", afirmo em nota.
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Esta não é a primeira vez que produtos da Shein são alvo de investigações na Coreia do Sul. Em maio deste ano, as autoridades encontraram sapatos da marca contendo níveis de ftalatos 428 vezes acima do permitido. Além disso, bolsas testadas apresentaram níveis de ftalatos 153 vezes superiores ao limite legal.
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A Shein tem se destacado como uma das principais empresas de fast fashion nos Estados Unidos, conhecida por oferecer roupas baratas e alinhadas às tendências de moda, especialmente populares entre os jovens da Geração Z.
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Em 2022, a empresa alcançou uma avaliação de US$ 100 bilhões (R$ 547 bilhões), posicionando-se como a terceira maior empresa privada do mundo, atrás apenas da ByteDance, dona do TikTok, e da SpaceX, de Elon Musk. Agora, a Shein se prepara para abrir capital, um processo que pode ocorrer já em 2024.
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A Temu, por sua vez, também tem ganhado popularidade nos Estados Unidos, com seu site registrando um aumento de 700% no tráfego em 2023, o que o colocou entre os sites de crescimento mais rápido no país no último ano.
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Impacto na Saúde Pública e Consumidores
Os níveis excessivos de ftalatos e chumbo encontrados nos calçados das marcas Shein e Temu representam uma séria ameaça à saúde pública. Ftalatos, conhecidos por sua capacidade de tornar plásticos mais flexíveis, são substâncias que, quando presentes em concentrações elevadas, podem causar uma variedade de problemas de saúde.
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Estudos indicam que a exposição prolongada a ftalatos pode interferir no sistema endócrino, resultando em uma redução da contagem de espermatozoides e até mesmo em infertilidade. Em mulheres grávidas, a exposição a esses compostos químicos está associada a um maior risco de parto prematuro e outras complicações relacionadas ao desenvolvimento fetal.
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O chumbo, por sua vez, é uma substância altamente tóxica, especialmente para crianças. A exposição ao chumbo, mesmo em pequenas quantidades, pode causar problemas graves, como dificuldades de aprendizado, déficit de atenção, e danos permanentes ao cérebro e sistema nervoso.
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Em adultos, a exposição prolongada ao chumbo pode resultar em problemas renais, hipertensão e uma variedade de outras condições crônicas.
O fato de que esses calçados foram vendidos sem qualquer aviso prévio ou teste adequado antes de chegarem ao consumidor final levanta sérias preocupações sobre a segurança dos produtos de fast fashion.
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A ausência de uma regulamentação rigorosa e a falta de transparência das empresas responsáveis amplificam os riscos à saúde pública, especialmente para populações vulneráveis como crianças e gestantes.
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Comparação com Regulamentações Globais
A questão dos níveis de substâncias tóxicas em produtos de consumo, como os calçados da Shein e Temu, não é exclusiva da Coreia do Sul. Em várias partes do mundo, existem normas rigorosas para limitar a presença de ftalatos e chumbo em produtos de consumo.
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Nos Estados Unidos, por exemplo, a Comissão de Segurança de Produtos de Consumo (CPSC) estabelece limites para a quantidade de chumbo que pode estar presente em produtos infantis e outros itens de uso frequente.
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Na União Europeia, a legislação REACH (Registro, Avaliação, Autorização e Restrição de Substâncias Químicas) impõe limites rigorosos para o uso de ftalatos em produtos que possam entrar em contato com a pele.
Entretanto, a fiscalização dessas regulamentações pode variar significativamente entre os países.
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Enquanto na União Europeia e nos Estados Unidos existe uma fiscalização mais robusta e uma aplicação mais rigorosa das leis, em outros mercados, como o sul-coreano, as empresas ainda conseguem distribuir produtos que ultrapassam os limites permitidos, como demonstrado pelos resultados dos testes.
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Isso evidencia a necessidade de uma maior harmonização das regulamentações globais e de uma colaboração internacional para garantir que produtos tóxicos não entrem no mercado, independentemente de onde sejam fabricados ou vendidos.
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A descoberta de níveis alarmantes de ftalatos e chumbo em calçados das marcas Shein e Temu levanta sérias questões sobre a segurança dos produtos vendidos por empresas de fast fashion. Esses achados destacam os riscos à saúde pública, especialmente para populações vulneráveis, e sublinham a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa e regulamentações globais mais coesas para garantir a segurança dos consumidores.
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Além disso, a situação expõe a falta de transparência e responsabilidade dessas empresas, que continuam a priorizar a produção em massa e a redução de custos em detrimento da saúde e segurança dos consumidores.
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A reação das empresas, retirando rapidamente os produtos do mercado, embora positiva, não é suficiente para mitigar os danos já causados ou para garantir que situações semelhantes não ocorram no futuro.
Esse incidente serve como um alerta para consumidores e reguladores em todo o mundo sobre os perigos potenciais dos produtos de fast fashion e a importância de uma vigilância contínua.
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À medida que a indústria continua a crescer, é imperativo que a segurança dos produtos seja tratada com a seriedade que merece, garantindo que os direitos e a saúde dos consumidores sejam sempre protegidos.
Algumas Informações: Portal Exame
Direitos Autorais Imagem de Capa: Monika Skolimowska/picture alliance /Getty Images / Divulgação
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