Elas amam os netos. Viajam com eles, levam para passear, trocam mensagens, dão presentes, cuidam quando necessário. São avós que atuam como rede de apoio, ou seja, estão à disposição quando os filhos ou filhas precisam daquela ajuda rápida.
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Mas a relação para por aí. Para elas, não existe qualquer obrigação de cuidar: isso é papel da mãe ou do pai. E é claro: elas sabem que isso é também um privilégio e está longe de ser a realidade de muitas famílias.
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A Universa, Cláudia e Josefa contam como criaram esse "limite" com os filhos e como gostam de aproveitar o envelhecimento.
'Não me sinto na obrigação'
Cláudia Grande, 68, tem uma agência de viagem. Passa boa parte do tempo viajando com o grupo —em sua maioria, mulheres— para várias partes do mundo.
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"Sou uma avó diferente porque viajo muito. Não sou nada convencional", diz a empresária, que tem quatro filhos e sete netos. Os filhos de Cláudia sabem que a mãe é assim: vai ajudar pontualmente, quando for necessário, mas não vai criar os netos.
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Há um ano, ela gravou um vídeo no YouTube com o título "Avós não são obrigadas a cuidar dos netos", que já teve mais de 6,4 mil visualizações e mais de 60 comentários —com críticas e elogios. Na legenda, Cláudia explicou: "Já criamos nossos filhos, já trabalhamos tanto."
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Cláudia sabe que nem toda família pode fazer esse tipo de escolha —há diversas realidades no Brasil e a avó ou o avô podem ser as únicas opções para cuidar das crianças.
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Mas aqui a situação é diferente. A crítica dela vai para os filhos que sentem que as avós, principalmente, precisam ter a obrigação de cuidar dos netos.
"As pessoas acharam o máximo alguém falar o que elas sempre pensaram. Dou todo o meu suporte aos meus netos, mas não tenho obrigação. Se você quer cuidar, perfeito, faça o que quiser." - Cláudia Grande
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A empresária tem consciência de que fez "sua parte", criou os filhos e que, agora, é a vez deles. "Tem gente que fica se punindo, que deveria fazer mais pelos netos, mas não sinto obrigação."
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'Faço o possível como avó'
Ao observar o grupo de mulheres com mais de 60 anos que viajam pela agência, ela nota mudanças. "Aquela obrigação de cuidar dos netos todos os dias, quando os filhos estão trabalhando, não existe mais. Acabou para a gente."
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"Acabou esse conceito do velho sempre em casa. Estamos com 60 anos, na flor da idade, querendo aproveitar a vida."- Cláudia Grande
O comportamento, inclusive, vai contra a ideia de falta de afeto pelos netos: Cláudia os ama e está sempre por perto.
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Cláudia com a neta mais velha, Gabi, de 21 anos/ Foto: Arquivo pessoal
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"Levo ao teatro e ao cinema. Quando volto de viagem, conto todas as histórias. Incentivo que façam o mesmo. Temos de viajar para nos tornarmos interessantes, senão, só falamos de doença e dor. Faço o possível como avó." - Cláudia Grande
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Os filhos e os netos entendem e respeitam a rotina dela: "'Dona Cláudia, você pode dar um alô?' É assim que minha neta de 20 anos me procura quando estou viajando."-
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A agenda de mês em mês é compartilhada com a família, e a casa dela, em Granja Viana, zona oeste da Grande São Paulo, está sempre aberta, mesmo quando ela está fora.
"Aniversário, casamento, tudo acontece em casa. Às vezes, só descubro quando vejo fotos nas redes sociais." - Cláudia Grande
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Cláudia acredita que o papel da avó pode ser diferente do que, muitas vezes, é esperado: "Não é só porque estou velha que acabei para o mundo. Sou a avó que namorou e conheço muitos que estão procurando companhia no Tinder. As coisas mudaram."
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'Já criei meus filhos, e agora vivo viajando'
Josefa Feitosa, 65, já foi a avó —aos 46 anos— que precisou cuidar do neto como se fosse o próprio filho. Na época, sua filha tinha 19 anos e a ajuda era fundamental.
"Fiz isso porque ela precisava. Era uma criança cuidando de outra criança. Foi muito difícil, tinha acabado de me separar também." - Josefa Feitosa
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Josefa em viagem a Praga/ Foto: Arquivo pessoal
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A aposentada e agora nômade ajudou na criação do neto por cerca de 10 anos, em tempo integral. Depois, passou cerca de um ano e meio "longe". Nesse período, a filha dela queria sair de Fortaleza, onde os três viviam, para estudar em São Paulo.
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Josefa tinha, então, dois caminhos: ficar e cuidar mais dois anos do neto ou seguir com seus planos de viajar —hoje, ela não tem "casa", vive viajando pelo mundo (a história você pode conferir aqui).
"Pensei em abrir mão da minha viagem para a Irlanda, mas acabei indo. Já tinha criado meus três filhos." O neto sofreu com a partida da avó, mas, com o tempo, se acostumou a viver com o pai em Fortaleza, enquanto a mãe estudava em São Paulo.
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"No começo, foi difícil. Ele me pedia para voltar e eu tentava sempre mandar cartas e presentes. Dizia que eu o tinha abandonado. Mas depois as coisas foram se ajeitando." - Josefa Feitosa
O neto Vinicius aprendeu a virar realmente "o neto" de Josefa com o passar dos anos. Eles viajaram muito juntos —a primeira vez do neto em um avião foi com a avó. "Nossa relação é incrível. Conversamos muito, saímos para comer."
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Agora, a filha de Josefa, hoje aos 37, professora e antropóloga, vai ter uma bebê (que foi planejada), a segunda neta.
'É gostoso curtir como avó'
"Minha filha está vivendo uma gravidez gostosa desta vez, sem precisar esconder. Está feliz. Já comprei várias roupinhas e estão todos muito felizes, inclusive o Vinicius. Agora, posso curtir como avó." - Josefa Feitosa
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Josefa tem outros dois filhos —uma mulher e um homem. Os três apoiam a vida que a mãe leva, sempre em algum lugar diferente do mundo.
A aposentada nunca se identificou com o "ambiente doméstico": prefere viajar e passar um período em cada país. "Não preciso de muito, apenas uma cama, fogão e uma geladeira no lugar."
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Aliás, assim que virou nômade, sente que a relação com os três filhos mudou para melhor.
"Nossa relação passou para algo mais harmonioso, de muito carinho, respeito e admiração. Os três agora levam uma vida melhor, tanto na parte intelectual como financeira." - Josefa Feitosa
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Algumas Informações: Portal UOL
Direitos Autorais Imagem de Capa: iStock/ Divulgação
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