Por: Cerqueiras Publicidades

Publicado em

Cientistas finalmente definem quando a obesidade é uma doença

A partir da terça-feira (14 de janeiro) muita coisa deve mudar no entendimento do que é obesidade e na forma como ela é diagnosticada. Após uma longa espera, sai finalmente o resultado do trabalho de uma comissão composta por 58 especialistas do mundo inteiro para definir o que é obesidade clínica. Eles trabalham arduamente nisso há exatos três anos.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Em outras palavras, agora a ciência determina quando ter excesso de gordura no corpo é uma doença, derrubando alguns conceitos e preconceitos e ajudando os sistemas de saúde a priorizar quem realmente precisa tratar essa condição.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Os profissionais de saúde envolvidos em uma comissão criada para isso pela revista The Lancet, que inclui ainda dois pacientes, chegaram a 18 sinais capazes de indicar quando obesidade é doença em adultos — e outros 13 sinais, em crianças e adolescentes.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

O artigo, publicado hoje na internet, será apresentado a médicos e cientistas ao redor do globo em uma videoconferência com duração prevista de três horas, marcada para a próxima quinta-feira (16 de janeiro).

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Sinais de mudança 
Um exemplo de conceito que pode despencar com a divulgação do estudo: o de que o IMC (índice de massa corporal) serve para dizer quem tem e quem não tem obesidade e, pior, qual a sua gravidade. Vá pegando a fita métrica, por exemplo, porque ela promete ter muito mais valor do que esse cálculo e, de certa forma, pode desbancar até a balança em importância.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Exemplo de preconceito que deve cair? O de que toda pessoa com obesidade está mal da saúde. Algumas têm o que agora se define como obesidade pré-clínica, ou seja, carregam excesso de gordura no corpo, sim. Só que, no momento, não mostram qualquer sinal ou sintoma de que isso esteja atrapalhando o funcionamento de seus órgãos e tecidos. Estão, portanto, com a saúde preservada.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Obesidade pré-clinica é sobrepeso, então? "Nada disso! É obesidade mesmo", dispara o médico Ricardo Cohen, confessando que, por ele, a palavra "sobrepeso" seria riscada para sempre. "Até porque ela lembra 'peso' e não é disso que se trata", justifica. Obesidade é excesso de adiposidade, isto é, de gordura corporal pra valer — que, especialmente no abdômen, é capaz de ser um perigo. Peso pode ser outra história.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

À frente do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo, e atual presidente da IFSO (Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos), Cohen é o único brasileiro na tal comissão e, diga-se, um dos três autores responsáveis pela versão final do artigo, que teve um pouco da mão de todos na elaboração.

------ A matéria continua após os anúncios ------

Irmãos Gonçalves

------

Ele, aliás, viu a ideia da comissão nascer, quando participou de uma acalorada discussão em 2021. "Eu e alguns colegas estávamos inconformados. Passava o tempo e os critérios sobre obesidade continuavam os mesmos, imprecisos e obsoletos. Foi aí que um deles, que mora em Londres, resolveu agitar com o pessoal da Lancet", relembra.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Isso porque a publicação britânica tem uma série de comissões científicas para discutir tópicos que ou são controversos ou são bastante atuais. "A obesidade seria as duas coisas", diz o médico, que nos ajuda a entender o que pode mudar.

Obesidade: principais causas e tratamentos

Foto: Reprodução Internet

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Como deverá ser feito o diagnóstico 
Foi ainda na década de 1970 que a OMS (Organização Mundial da Saúde) adotou o IMC para avaliar se alguém tem obesidade ou não. Mas o cálculo não dá a menor noção de quanta gordura está acumulada no corpo, muito menos onde ela se concentra.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Talvez você encontre duas pessoas com o mesmíssimo resultado entre 30 e 34,9 kg/m2 de IMC, por exemplo. Seriam dois casos de obesidade grau 1 por esse jeito velhusco de olhar. No entanto, uma delas pode ter, de fato, uma circunferência abdominal larga, acumulando bastante gordura na região da barriga. E outra, quem sabe, é uma atleta cheia de pesados músculos. "Logo, são incomparáveis", observa Cohen.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Ele e seus colegas não levantaram essa bola. Ela vem quicando faz tempo nos congressos de Medicina. "Todo mundo reclamava desse modo de diagnosticar um indivíduo, mas ninguém fazia nada de diferente", nota o médico.

------ A matéria continua após os anúncios ------

W Aluminium

------

O que artigo publicado propõe é que o IMC seja sempre complementado por, pelo menos, uma medição corporal. Ou, se preferir, você pode deixá-lo de lado e fazer, em compensação, dois tipos de medição. Apenas em pessoas com IMC acima de 40 kg/m2 dá para deduzir que exista obesidade sem pegar na fita métrica — "e olhe lá, porque existem exceções", comenta o doutor Cohen.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

A primeira opção de medida corporal é a da circunferência abdominal para checar se está acima dos valores saudáveis, que podem variar conforme sexo, idade e etnia. Mas, se você quer ter uma ideia genérica, assim por alto, a OMS fala que o melhor seria que a cintura das mulheres não ultrapassasse 88 centímetros e a dos homens, 102 centímetros.

------ A matéria continua após os anúncios ------

Mundo das Utilidades

------

Você também pode medir a cintura para ver se ela é, no máximo, a metade da sua altura. É um segundo jeito. Há uma terceira medição, conhecida por índice cintura-quadril, ou seja, o valor da circunferência abdominal seria dividido pela medida do quadril e, aí, há tabelas para conferir o resultado.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

E, sim, um último modo de diagnosticar a obesidade, dispensando todos os outros, é um exame de imagem, o DEXA, que avalia a quantidade e a distribuição da gordura corporal. Mas, claro, esse método é menos acessível.

"Essas abordagens — o DEXA e as medições corporais — podem indicar a obesidade", esclarece o doutor Cohen. "Porém, isso ainda não quer dizer que a pessoa tenha uma doença."

Obesidade infantil

Foto: Reprodução Internet

 

------ A matéria continua após os anúncios ------

BibiCar

------

Os 18 sinais da obesidade clínica em adultos 
Segundo Ricardo Cohen, uma vez constada a obesidade, a pessoa deverá ser avaliada por um médico, para ver se apresenta algum dos sintomas capazes de entregar órgãos ou tecidos que deixaram de funcionar como deveriam por causa da infiltração de gordura. Saiba, a seguir, do que os autores estão falando:

  • Dores de cabeça recorrentes e perda de visão. Às vezes, têm a ver com a pressão intracraniana aumentada.
  • Apneia do sono. Quando você se deita e dorme, a gordura em excesso no abdômen e na garganta faz o ar ter encontrar resistência para passar. A respiração sofre breves (e ruidosas) interrupções.
  • Falta de ar. Ela mostra que os pulmões e o músculo da respiração, que é o diafragma, têm dificuldade para se expandir.
  • Insuficiência cardíaca de fração reduzida: o coração não se contrai direito para bombear o sangue.
  • Fadiga e inchaço nas pernas. Esses sintomas podem indicar outro tipo de insuficiência cardíaca, a de fração preservada. Nela, o coração não relaxa direito. O bombeamento do sangue também fica prejudicado.
  • Palpitações e ritmo cardíaco irregular. São sinais de arritmias.
  • Hipertensão pulmonar: quando sobe demais a pressão da artéria que leva o sangue do coração até os pulmões para ser oxigenado.
  • Trombose venosa: quando surgem coágulos nas veias das pernas.
  • Hipertensão. Isto é, pressão sanguínea acima dos valores saudáveis.
  • Alterações metabólicas: quando o exame de sangue acusa aumento do colesterol LDL ou dos triglicérides ou, ainda, dos níveis de glicose, por exemplo.
  • Doença hepática gordurosa: quando exames de imagem encontram gordura infiltrada no fígado, o que é capaz de inflamá-lo.
  • Excesso da proteína albumina na urina: este é um dos sintomas de rins que não estão funcionando a contento.
  • Escapes de xixi: se os episódios de incontinência urinária se tornam frequentes.
  • Menstruação irregular, falta de ovulação e síndrome dos ovários policísticos: são sinais de problemas reprodutivos em mulheres.
  • Deficiência de testosterona nos homens e baixa produção de espermatozoides: indicam problemas reprodutivos no público masculino.
  • Dores nos joelhos e/ou na bacia. Elas acusam problemas articulares.
  • Linfedema. Ele causa inchaços e dores crônicas.
  • Limitações em atividades básicas do dia a dia: se a falta de mobilidade dificulta tarefas como tomar banho, vestir-se e outras.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Nas crianças e nos adolescentes, vale lembrar, são 13 critérios, muitos deles em comum com a lista dos mais velhos. "Infelizmente, a partir da adolescência as complicações do excesso de adiposidade são as mesmas, como pressão alta e apneia do sono", informa o doutor Cohen. "Daí que seria até irresponsável não abordarmos a obesidade infantil."

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

O estudo não entra no mérito do tratamento — se deve ser com remédios, com cirurgia ou com mudanças no estilo de vida. Só deixa claro que, não importa a idade, quando a obesidade é clínica, com sintomas, ela precisa ser tratada.

Foto: Reprodução Internet

------ A matéria continua após os anúncios ------

------ 

E quem tem obesidade pré-clínica? 
"Quem tem excesso de adiposidade, mas nenhum dos sintomas listados, em princípio não tem motivo para fazer um tratamento contra a obesidade do ponto de vista médico", declara o doutor Cohen, prevendo o alvoroço que irá causar.

------ A matéria continua após os anúncios ------

Irmãos Gonçalves

------

Ele e seus colegas reconhecem, porém, que os indivíduos nesse grupo correm maior risco de desenvolver doenças, como diabetes e a própria obesidade clínica. "Por isso, não devem ser deixados de lado. Precisam de acompanhamento, repetindo exames de tempos em tempos", explica.

------ A matéria continua após os anúncios ------

------

Avaliar o risco e diminuir o estigma 
Com todos esses critérios, o que o estudo busca é descobrir o risco de cada um. "À frente na fila para tratamento não deve estar quem simplesmente chegou primeiro, mas quem tem obesidade clínica. E, entre essa gente, devem ser priorizados aqueles com maior número de sintomas ou com sintomas mais graves. Assim como, em um segundo momento, podem ser priorizados indivíduos com obesidade pré-clínica, mas que tenham, por exemplo, histórico familiar de doenças do coração."

------ A matéria continua após os anúncios ------

Irmãos Gonçalves

------

Segundo o médico, uma preocupação é que, diante da altíssima prevalência, oferecer tratamento para todas as pessoas com obesidade do planeta explodirá o caixa das seguradoras e da saúde pública. "Nesse contexto, selecionar aqueles pacientes que precisam de tratamento mais urgente é uma forma de aliviar os custos e viabilizar o cuidado", pensa.

Mas, acima de tudo, ele e os outros autores esperam que o estudo reduza do estigma em relação ao peso: "Vamos parar de dizer que alguém tem um problema só pela corpulência, pela aparência, pelas formas do seu corpo. A obesidade precisa ser avaliada por critérios médicos bem mais objetivos, como qualquer outra doença crônica", opina Cohen.

Foto: Reprodução Internet

Algumas informações: Viva Bem Universo On Line


------ A matéria continua após os anúncios ------

A Palavra Morde no Portal

------


Digite no Google: Cerqueiras Notícias

Entre em nosso Grupo do Whatsapp e receba as notícias em primeira mão 
(clique no link abaixo para entrar no grupo):

https://chat.whatsapp.com/DwzFOMTAFWhBm2FuHzENue

Siga nossas redes sociais.  
🟪 Instagram: instagram.com/cerqueirasnoticias
🟦 Facebook: facebook.com/cerqueirasnoticias

----------------------

----------

O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias. 
Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.

Mais sobre:
Comentários
O seu endereço de e-mail não será exibido no comentário.
Campos obrigatórios estão indicados com Asterisco ( * )
Ainda restam caracteres.

Seu comentário está aguardando aprovação.

Obrigado pelo seu comentário!