Pediatra Daniel Becker alerta sobre os perigos do uso precoce de tecnologia e defende o tédio como ferramenta essencial para o desenvolvimento infantil.
Vivemos em uma era em que o acesso à tecnologia está cada vez mais precoce. Crianças pequenas, antes mesmo de aprenderem a falar corretamente, já sabem deslizar os dedos na tela de um smartphone. Esse cenário, que pode parecer um avanço, é motivo de preocupação entre especialistas da saúde infantil.

O pediatra Daniel Becker, referência em pediatria integral no Brasil, alerta que o uso excessivo de telas por crianças está interferindo no desenvolvimento emocional, social e até mesmo físico dos pequenos. Para ele, mais do que oferecer distração, os aparelhos estão roubando experiências fundamentais da infância.
Segundo Becker, muitos pais recorrem aos celulares como uma solução rápida para acalmar, entreter ou distrair os filhos. No entanto, essa prática repetitiva pode impedir que a criança desenvolva habilidades essenciais como a paciência, a criatividade e a autonomia.
Um dos pontos centrais levantados por Becker é a importância do tédio. Embora muitas vezes demonizado, o tédio é um estado natural que provoca inquietação e, por consequência, estimula a imaginação e a invenção. É na ausência de estímulos externos que a criança aprende a criar seus próprios jogos, histórias e brincadeiras.
Crianças que são constantemente entretidas por dispositivos digitais perdem a oportunidade de explorar o mundo real de forma ativa. Elas deixam de brincar ao ar livre, de se sujar, de interagir com outras crianças de forma espontânea e de vivenciar conflitos e soluções em grupo.
A tecnologia, usada de forma descontrolada, atua como uma muleta emocional. Crianças que recorrem a telas sempre que estão entediadas ou desconfortáveis não aprendem a lidar com o próprio desconforto. Isso pode prejudicar sua capacidade de autorregulação emocional a longo prazo.
Outro ponto importante destacado por Becker é o prejuízo ao sono. A luz azul emitida pelas telas inibe a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono. Crianças que usam celular à noite costumam ter mais dificuldade para dormir e apresentam padrões de sono fragmentados.
O sono ruim, por sua vez, afeta diretamente o rendimento escolar, o humor e o sistema imunológico. Ou seja, um simples hábito de assistir vídeos antes de dormir pode desencadear uma série de consequências negativas.
Além disso, Becker ressalta que o contato constante com conteúdos digitais pode gerar uma dependência psicológica parecida com o vício. Isso porque as redes e jogos são programados para liberar dopamina no cérebro — o neurotransmissor da recompensa —, criando um ciclo de prazer e necessidade de repetição.
Quando proibidos de usar as telas, muitas crianças demonstram sinais de abstinência, como irritação, agressividade ou apatia. Esses comportamentos não são normais e indicam uma relação pouco saudável com a tecnologia.
O pediatra defende que os pais devem assumir o papel de mediadores conscientes. Não se trata de demonizar a tecnologia, mas de estabelecer limites claros, coerentes e respeitosos. O exemplo dos adultos também é fundamental: não adianta proibir o celular se os próprios pais estão sempre conectados.
Oferecer alternativas reais e saudáveis ao uso do celular é essencial. Atividades como leitura, desenho, jogos de tabuleiro, esportes e passeios ao ar livre ajudam a fortalecer vínculos afetivos e a desenvolver múltiplas inteligências.
O convívio familiar deve ser priorizado. Almoçar juntos, conversar sobre o dia, cozinhar em grupo ou apenas caminhar no bairro podem parecer atitudes simples, mas são extremamente valiosas para o desenvolvimento emocional da criança.
Becker também reforça que é importante confiar na capacidade da criança de lidar com o tédio. Pais superprotetores, que oferecem distrações a todo momento, impedem que os filhos desenvolvam resiliência e autonomia.
O tempo de tela recomendado por sociedades pediátricas varia conforme a idade. Para crianças menores de 2 anos, o ideal é nenhuma exposição. Entre 2 e 5 anos, no máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão. E mesmo crianças mais velhas precisam de equilíbrio entre o mundo digital e o mundo real.
Escolas e professores também devem estar atentos a essa questão. Muitos alunos chegam à sala de aula com dificuldades de concentração e baixa tolerância à frustração, sintomas cada vez mais relacionados ao uso excessivo de telas.
O uso saudável da tecnologia passa por critérios como: tempo limitado, conteúdo apropriado, supervisão adulta e equilíbrio com outras atividades. Sem isso, a infância corre o risco de se tornar digitalmente isolada, desconectada da natureza, das pessoas e de si mesma.
Daniel Becker nos convida, portanto, a repensar a infância que estamos oferecendo. Uma infância conectada pode até parecer moderna, mas perde a essência do brincar, do imaginar e do se desenvolver em liberdade.
Deixar a criança entediada, sem estímulos prontos, não é negligência. É um presente. O tédio, quando bem conduzido, é fértil. Ele ensina que não precisamos de telas para sermos felizes — precisamos de espaço, tempo e liberdade para descobrir quem somos.
Algumas Informações: Portal Raízes.com.br (Daniel Becker)
------
Digite no Google: Cerqueiras Notícias
Entre em nosso Grupo do Whatsapp e receba as notícias em primeira mão
(clique no link abaixo para entrar no grupo):
https://chat.whatsapp.com/DwzFOMTAFWhBm2FuHzENue
Siga nossas redes sociais.
🟪 Instagram: instagram.com/cerqueirasnoticias
🟦 Facebook: facebook.com/cerqueirasnoticias
----------------------
----------
O espaço para comentários é destinado ao debate saudável de ideias.
Não serão aceitas postagens com expressões inapropriadas ou agressões pessoais.




































