Carlos Eduardo Brandt, um dos principais idealizadores do sistema brasileiro, assume cargo no Fundo Monetário Internacional para simplificar e baratear as transferências financeiras globais.
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Após mais de duas décadas de dedicação ao Banco Central do Brasil (BC), Carlos Eduardo Brandt, figura central na concepção e implementação do Pix, encerrou sua trajetória na instituição e no país. Há cerca de três meses, Brandt mudou-se de Brasília para Washington, onde assumiu uma posição estratégica no Fundo Monetário Internacional (FMI).
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O ex-servidor do BC agora atua na área de pagamentos e infraestrutura de mercados do FMI, com a missão global de replicar a experiência brasileira em escala internacional. A saída de Brandt encerra uma tradição familiar, visto que seu pai e avô também dedicaram suas carreiras ao Banco Central.
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O reconhecimento internacional do trabalho de Brandt e sua equipe veio logo cedo. Em 2021, quando o Pix celebrava apenas um ano de existência e já havia dobrado o número de usuários, Brandt foi incluído na lista da agência Bloomberg das 50 pessoas que moldaram os negócios globais.
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Seu novo desafio no FMI é resolver um dos maiores gargalos do sistema financeiro mundial: as transferências internacionais. Atualmente, remessas de dinheiro entre países são lentas e custosas, devido à complexidade das diferenças regulatórias e dos padrões técnicos entre as nações.

Foto: Reprodução
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💰 O Legado: Pix como Referência Global
A mudança de Brandt para uma instituição global ocorre no momento de plena consolidação do sistema que ele ajudou a criar. O Pix se estabeleceu como uma referência internacional em pagamentos instantâneos.
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Hoje, o Pix é utilizado por 93% da população adulta do Brasil, contabilizando 161,7 milhões de pessoas físicas e 16,3 milhões de empresas cadastradas. Em apenas cinco anos de operação, o sistema já movimentou impressionantes R$ 85 trilhões no país.
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Uma das principais vantagens do Pix é a sua instantaneidade: as transações são concluídas em poucos segundos, independentemente do dia ou horário, funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana. Além disso, a gratuidade para pessoas físicas e o baixo custo para empresas o tornaram a ferramenta favorita dos brasileiros.
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O BC como gestor: O sistema é gerido e operado integralmente pelo Banco Central do Brasil. Essa decisão estratégica, defendida por Brandt, garante a competitividade e a interoperabilidade entre as instituições financeiras, impedindo o domínio de poucas empresas privadas sobre o mercado de pagamentos.
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O papel do BC é essencial para manter a segurança e a estabilidade da infraestrutura, assegurando que o sistema funcione de forma integrada entre todos os bancos, fintechs e plataformas de pagamento que participam do Pix. A inclusão financeira, alcançando milhões de brasileiros que antes não tinham acesso a serviços bancários modernos, é um dos maiores méritos sociais do Pix.

Foto: Reprodução
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⚙️ Como Funciona o Sistema
O Pix é um meio de pagamento que permite a transferência monetária e a realização de pagamentos e recebimentos em tempo real. Diferente das antigas TEDs e DOCs, ele utiliza o Sistema de Transferência de Reservas (STR) do Banco Central para liquidar as operações de forma imediata.
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A principal inovação para o usuário comum é a Chave Pix. Este é um código de identificação que simplifica a transação, substituindo a necessidade de informar dados bancários longos, como agência, conta e CPF do recebedor. A chave pode ser o e-mail, o número de telefone, o CPF/CNPJ ou uma chave aleatória.
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Todo o sistema é construído sobre uma base de segurança robusta, aproveitando a infraestrutura já existente no país. A implementação do Pix, inclusive, abriu caminho para o Open Finance, permitindo o compartilhamento seguro de dados bancários entre instituições, mediante consentimento do cliente.
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A eficiência do modelo brasileiro chamou a atenção de bancos centrais de dezenas de países. O sucesso do Pix demonstra que é possível criar uma infraestrutura nacional de pagamentos instantâneos que seja acessível, segura e gerida por uma autoridade pública.

Foto: Reprodução
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🌐 O Desafio Global no FMI
No FMI, a experiência de Brandt será aplicada na solução de problemas complexos. Hoje, as remessas internacionais custam, em média, 6,5% do valor enviado. Segundo o diretor do FMI, Tobias Adrian, grande parte dos US$ 45 bilhões pagos anualmente em taxas poderia retornar ao bolso das famílias mais pobres, que dependem dessas remessas.
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Brandt trabalha em iniciativas de grande escala que visam criar um sistema de conexão entre as redes nacionais de pagamentos instantâneos. Um desses projetos é o Nexus, do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que é visto como uma espécie de "Pix internacional".
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O Nexus conecta as redes nacionais, permitindo que uma transferência seja enviada de um país a outro em poucos segundos e a um custo muito baixo. O sistema já está em fase de implementação em nações como Índia, Malásia, Filipinas, Singapura e Tailândia.
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Outras frentes de trabalho envolvem a modernização da infraestrutura financeira em blocos regionais, como o projeto da SADC (Comunidade de Desenvolvimento da África Austral), que engloba 16 países. O avanço tecnológico global inclui ainda o estudo de Moedas Digitais de Bancos Centrais (CBDCs), que estão sendo testadas em dezenas de países e prometem ser uma das chaves para reduzir drasticamente o custo das remessas internacionais.
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O sucesso do Pix brasileiro é visto como um contraponto ao modelo adotado em outros países, como a Índia, onde empresas privadas dominam uma parte significativa das transações digitais. A administração pública centralizada do Pix garante, segundo Brandt, a manutenção da concorrência e o foco na inclusão financeira.
Ao assumir o novo cargo, Brandt resume seu desafio: "Poder contribuir em escala global" com a experiência de sucesso do Brasil.
Algumas informações: Diário do Comércio
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📝 Síntese da reportagem
🚀 Ascensão: Carlos Eduardo Brandt, co-criador do Pix, deixou o BC para trabalhar no FMI, em Washington.
🌎 Missão Global: Simplificar e reduzir o custo das transferências internacionais (remessas).
💡 Projeto Nexus: Brandt trabalha na implementação do "Pix internacional" (Nexus/BIS) em diversos países.
📈 Sucesso Nacional: Em 5 anos, o Pix movimentou R$ 85 trilhões no Brasil e é usado por 93% dos adultos.
⚙️ Vantagem Pix: Sistema é gerenciado pelo Banco Central (administração pública), garantindo concorrência e gratuidade para PFs.
🔒 Mecânica: Opera 24/7, com liquidação instantânea via STR e identificação simplificada via Chave Pix.
💲 Impacto: O FMI busca reverter os 6,5% de custo médio das remessas, devolvendo bilhões às famílias mais pobres.
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