Britânica começou a sentir os sintomas durante viagem de férias quando tinha 14 anos. Ela perdeu 38 quilos por causa da doença de Crohn.
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A doença de Crohn é uma inflamação intestinal crônica que afeta o revestimento do trato digestivo. Até ser diagnosticada com a doença, a britânica Matilda Crome, de 24 anos, chegou a evacuar 30 vezes por dia e perder 38 quilos.
Foi durante uma viagem de férias para a Itália, em 2014, aos 14 anos, que a jovem começou a sentir os primeiros sintomas, que se manifestavam principalmente como excesso de gases e idas frequentes ao banheiro.
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Ela e a família pensaram que os problemas eram intolerância ao glúten por comer tanta pizza. No entanto, o quadro não só continuou como piorou quando a adolescente voltou para casa.
Nos próximos dois anos, ela continuou sofrendo com os sintomas e procurou diversos médicos. A condição se tornou tão grave que Matilda fez os exames do GCSE (similiar ao ENEM no Brasil) na cama de casa, com um fiscal sentado ao seu lado.
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Em 2016, a jovem notou sangue nas fezes e fez novos exames — foi quando recebeu o diagnóstico para doença de Crohn e também para colite, outro tipo de condição inflamatória intestinal que pode causar dor abdominal, diarreia, perda de peso e fadiga.
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“Foram dois longos anos tentando obter um diagnóstico. Meus sintomas pioraram muito: eu estava perdendo bastante peso e exausta a maior parte do tempo, indo ao banheiro de 25 a 30 vezes por dia, e a maior parte sendo sangue”, conta Matilda em texto publicado mas suas redes sociais.
Ela lembra que demorou para criar coragem e contar sobre o sangue nas fezes pois pensava que tinha câncer e “que iria morrer”.
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“Quando finalmente recebi o diagnóstico, chorei de puro alívio. Embora soubesse que dali em diante seria uma vida totalmente nova por ter uma condição crônica, parte de mim estava um pouco feliz por saber o que estava causando tanto problemas”, explica.
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Doença de Crohn
De acordo com o manual MSD, a doença de Crohn é uma enfermidade inflamatória intestinal crônica que geralmente afeta a parte inferior do intestino delgado, o intestino grosso ou ambos, embora possa atingir qualquer parte do trato digestivo.
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O diagnóstico é feito por meio de colonoscopia, exame de cápsula endoscópica e exames de imagem, como radiografias, tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Os sintomas incluem diarreia crônica, muitas vezes com presença de sangue, cólicas abdominais e febre, além de perda de apetite e peso.
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No caso da jovem, ela não saía de casa a menos que soubesse onde estavam os banheiros.
A vida continua
Depois de alguns anos fazendo o tratamento, a saúde de Matilda melhorou: ela voltou a ter um peso saudável e conseguiu começar a “viver a vida”.
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Uma nova medicação fez com que, em outubro de 2023, ela estivesse saudável o suficiente para comprar uma van e fazer uma viagem sozinha para a Espanha e Marrocos, que durou até fevereiro deste ano. “Posso dizer com segurança que escalar foi uma grande parte do que me fez me sentir viva de novo”, afirma a jovem.
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Em março de 2024, os médicos descobriram que o intestino grosso de Matilda ainda estava inflamado. A britânica precisou passar por uma cirurgia para remover o cólon e reconectar o intestino delgado ao reto.
Agora, quatro meses após a operação, a recuperação de Matilda tem sido irregular, mas ela está esperançosa quanto ao futuro.
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“Fiquei chocada por precisar de cirurgia porque não me sentia tão bem há anos”, conta. “Tento aproveitar os dias bons porque sei o quão ruins eles podem ser. Mas é possível viver sua vida com uma condição crônica. Sei que tenho um longo caminho de recuperação pela frente, mas se isso significa que posso viver uma vida semi-normal e viajar pelo mundo, então valerá a pena”, conclui.
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Saiba mais sobre e entenda importância do diagnóstico:
O intestino inflamado está associado a diferentes tipos de doenças e a dificuldade no diagnóstico atrapalha os tratamentos.
Aproximadamente 10 milhões de pessoas no mundo vivem com a doença inflamatória intestinal (DII), segundo o Ministério da Saúde. A condição não tem cura, mas há tratamentos para controlar o processo e reduzir os sintomas.
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Entre as inflamações intestinais estão a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa. Elas são crônicas e imunomediadas, ou seja, se originam em nosso próprio corpo quando ocorre uma resposta inflamatória anormal a algum gatilho.
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“Em geral, os primeiros sinais são constipação, dores abdominais e diarreia. As inflamações intestinais são doenças sistêmicas, ou seja, afetam todo o corpo humano, em vez de apenas um órgão. Por isso, elas costumam estar associadas a comorbidades”, afirma a gastroenterologista Cristina Flores, presidente da Organização Brasileira de Doença de Crohn e Colite (GEDIIB).
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Diagnóstico e Desafios
O diagnóstico da Doença Inflamatória Intestinal (DII) pode ser complexo e desafiador devido à natureza variável dos sintomas e à semelhança com outras condições gastrointestinais. Os principais desafios incluem:
Sintomas Não Específicos: Muitas vezes, os sintomas iniciais, como dor abdominal, diarreia e fadiga, são comuns a várias outras condições, como a síndrome do intestino irritável ou infecções gastrointestinais.
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Isso pode levar a um diagnóstico tardio, prolongando o sofrimento do paciente e dificultando o início de um tratamento eficaz.
Falta de Biomarcadores Específicos: Atualmente, não existem exames de sangue ou testes específicos que possam confirmar a DII com precisão. O diagnóstico geralmente requer uma combinação de exames clínicos, endoscópicos, radiológicos e histopatológicos, o que pode ser invasivo e custoso.
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Variedade de Apresentações Clínicas: A DII pode se manifestar de diferentes maneiras em diferentes pacientes. Enquanto alguns podem apresentar sintomas leves, outros podem ter manifestações graves e complicações, como estenoses ou fístulas, que dificultam o diagnóstico correto.
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Acesso ao Diagnóstico: Em alguns países ou regiões, o acesso a especialistas e a tecnologias diagnósticas avançadas é limitado, o que pode atrasar ainda mais o diagnóstico e o início do tratamento adequado.
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Prevalência e Fatores de Risco
A prevalência da Doença Inflamatória Intestinal (DII) tem aumentado globalmente, especialmente em regiões ocidentais e em países em desenvolvimento que adotaram um estilo de vida ocidental. Estima-se que aproximadamente 10 milhões de pessoas no mundo vivam com a DII, mas essa prevalência varia amplamente dependendo da região.
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Distribuição Geográfica: A DII é mais comum na América do Norte e na Europa, onde a incidência pode ser até cinco vezes maior do que em países da Ásia, África e América do Sul. No entanto, nas últimas décadas, tem havido um aumento significativo nos casos de DII em países em desenvolvimento, possivelmente relacionado a mudanças na dieta e no ambiente.
Fatores Genéticos: Pessoas com histórico familiar de DII estão em maior risco de desenvolver a condição. A genética desempenha um papel significativo, com várias mutações genéticas sendo associadas ao aumento da predisposição à DII, especialmente na Doença de Crohn.
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Fatores Ambientais: O estilo de vida ocidental, caracterizado por uma dieta rica em alimentos processados e pobre em fibras, tem sido associado ao aumento da incidência de DII. Outros fatores de risco ambientais incluem o tabagismo, o uso excessivo de antibióticos e uma exposição reduzida a micróbios devido a ambientes excessivamente higienizados.
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Influência do Microbioma Intestinal: A composição do microbioma intestinal (as bactérias que vivem no intestino) também pode influenciar o risco de DII. Alterações no equilíbrio das bactérias intestinais, muitas vezes causadas por dieta, uso de medicamentos ou infecções, podem desencadear respostas inflamatórias anormais no intestino.
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Idade e Gênero: A DII pode se manifestar em qualquer idade, mas é mais frequentemente diagnosticada em jovens adultos entre 15 e 35 anos. Há também uma ligeira predominância de casos em mulheres, embora a Doença de Crohn tenda a ser mais comum em homens.
Algumas Informações: Portal Metrópoles
Direitos Autorais Imagem de Capa: Reprodução/Facebook
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