Estudo do INCA revela que, para cada R$ 1 de lucro da indústria do tabaco, o Brasil gasta R$ 5 com doenças causadas pelo fumo — um rombo social e econômico que ameaça a saúde pública e o orçamento nacional.
O tabagismo continua sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil e no mundo. Embora o consumo de cigarros tenha diminuído nas últimas décadas, os impactos sociais e econômicos causados por essa prática ainda são alarmantes.
Foto: Reprodução/ Internet
Um estudo divulgado recentemente pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA) e pelo Ministério da Saúde revelou dados que evidenciam essa disparidade. Segundo o relatório, para cada R$ 1 de lucro obtido pela indústria do tabaco, o país gasta R$ 5 no tratamento de doenças causadas pelo fumo.
Essa relação mostra que os lucros empresariais do setor não são suficientes para compensar os prejuízos que a sociedade enfrenta com os danos à saúde provocados pelo tabaco. Em termos práticos, isso significa que os custos gerados ao sistema público e à economia superam em muito os ganhos obtidos com a comercialização de cigarros.
Em 2022, os cofres públicos arrecadaram cerca de R$ 8 bilhões em impostos federais relacionados à venda de produtos de tabaco. No entanto, esse valor representa apenas 5,2% dos custos totais estimados em decorrência do tabagismo no país.
Os gastos diretos com o tratamento de doenças como câncer de pulmão, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), doenças cardiovasculares e acidente vascular cerebral (AVC) chegaram a R$ 67,2 bilhões no mesmo ano.
Além disso, o estudo considerou os custos indiretos, como perdas de produtividade e cuidados informais prestados a pessoas doentes. Esses gastos foram estimados em R$ 86,3 bilhões, totalizando R$ 153,5 bilhões em 2022 — o que equivale a 1,55% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil.
Um dado ainda mais chocante apontado pelo relatório é que, para cada R$ 156 mil de lucro das empresas do setor, ocorre uma morte relacionada ao consumo de tabaco. Isso revela uma equação perversa: o lucro das empresas está diretamente associado a um custo de vida.
Estima-se que o custo médio por morte atribuída ao tabagismo seja de R$ 361 mil em despesas médicas diretas. Quando somados os custos indiretos, esse valor sobe para R$ 796 mil por pessoa.
Além das mortes, o tabagismo provoca incapacidades permanentes, internações recorrentes, gastos com medicamentos contínuos e a sobrecarga do sistema público de saúde, especialmente o SUS.
Os prejuízos extrapolam a saúde. Famílias são impactadas emocional e financeiramente, trabalhadores perdem renda e produtividade, e o país perde em desenvolvimento social e econômico.
Embora o Brasil tenha avançado em políticas de controle do tabaco, como a proibição de propaganda, advertências nos maços e ambientes livres de fumo, o estudo mostra que essas medidas ainda não são suficientes.
O documento do INCA e do Ministério da Saúde recomenda ações mais incisivas, como o aumento da carga tributária sobre os produtos de tabaco. A ideia é tornar o cigarro menos acessível, especialmente para jovens e populações de baixa renda.
Países que aumentaram significativamente os impostos sobre o tabaco observaram uma queda importante no consumo. A política de preços é considerada uma das mais eficazes para reduzir o tabagismo.
Além da taxação, o governo pode investir mais em campanhas educativas, oferecer programas de cessação do tabagismo e apoiar pesquisas sobre os impactos sociais do fumo.
Também é necessário combater o contrabando, que representa uma parcela significativa do consumo de cigarros no Brasil. Produtos ilegais não seguem os padrões sanitários e não recolhem impostos, agravando ainda mais o problema.
A responsabilização da indústria do tabaco por seus impactos também entra em pauta. Organizações internacionais defendem que empresas devem contribuir com os custos causados à saúde pública.
A sociedade civil, por sua vez, pode pressionar por políticas mais rigorosas, denunciar abusos e apoiar campanhas de conscientização. A redução do tabagismo é uma tarefa coletiva.
O estudo "A Conta que a Indústria do Tabaco Não Conta" cumpre um papel importante ao jogar luz sobre uma realidade que muitos desconhecem. Ele revela que o tabaco, além de matar, custa caro — e quem paga, na maioria das vezes, é o cidadão comum.
Diante de dados tão claros, é urgente revisar as prioridades públicas. A saúde da população e o equilíbrio econômico não podem ser sacrificados em nome do lucro de um setor que lucra com a doença e a morte.
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