Redes de proteção sólidas e eficazes on e offline ganham peso em um cenário cada vez mais perigoso para crianças e adolescentes.
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O documentário Childhood 2.0, disponível no YouTube, propôs o seguinte experimento: disparar um cronômetro e acompanhar quanto tempo predadores on-line demorariam para encontrar um perfil falso, recém-criado, de uma criança de 11 anos. O resultado é chocante. Em 26 segundos, a página ganha uma “curtida” de um homem que usa a foto de um pênis à mostra como imagem de perfil.
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Em um minuto e sete segundos, chega uma mensagem privada e logo em seguida mais duas novas, de outros perfis, perguntando a idade da criança. A caixa de mensagens logo começa a ser bombardeada por mensagens e, em menos de cinco minutos, o perfil recebe uma chamada de vídeo.
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O experimento mostrou o quão vulneráveis e expostas estão as crianças e adolescentes no ambiente digital. De acordo com dados do TIC Kids Online Brasil 2023, as crianças brasileiras estão se conectando à internet cada vez mais cedo no país.
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O estudo apontou que uma proporção maior de crianças de até seis anos de idade está acessando a rede e que, atualmente, 95% da população entre 9 e 17 anos é usuária de internet no país, representando uma média de 25 milhões de pessoas.
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Agora imaginem só esse universo de crianças e adolescentes navegando em um ambiente digital cada vez mais hostil e perigoso.
No último domingo, o Fantástico exibiu uma reportagem que mostrou a facilidade no comércio de conteúdos que envolvem exploração sexual infantil em grupos do Telegram e em outras redes sociais.
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O programa jornalístico simulou algumas negociações para entender como os predadores agem, quais formas eles encontram para acessar esse tipo de conteúdo e como se comunicam.
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Há desde o assédio a pais e responsáveis pela venda de vídeos, fotos e lives de seus filhos, até a manipulação de fotos e vídeos de crianças comuns, conteúdos que estão hospedados em perfis abertos nas redes sociais, utilizados para distorcer e sexualizar a imagem da criança.
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A matéria mostrou o caso de um influenciador que notou mensagens que se assemelhavam a uma possível brincadeira de internet nos vídeos de sua filha pequena. Na verdade, se tratava de termos usados por pedófilos para atrair outros criminosos para a publicação.
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Um registro feito pela ONG SaferNet em 2023 observou um recorde histórico de denúncias de imagens de abuso e exploração sexual infantil na internet, totalizando 71.867 novas denúncias.
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Na ocasião da divulgação dos dados, o fundador da organização, Thiago Tavares, alertou para três fatores determinantes para esse aumento:
1) a introdução da inteligência artificial generativa para a criação desse tipo de conteúdo;
2) a proliferação da venda de packs com imagens de nudez e sexo auto-geradas por adolescentes;
3) demissões em massa anunciadas pelas big techs, que atingiram as equipes de segurança, integridade e moderação de conteúdo de algumas plataformas.
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Com tantos dados assustadores, o que podemos fazer para proteger nossas crianças dos riscos das redes sociais?

Foto: Rede Verbita/ Reprodução
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Redes de proteção
Diante deste cenário, é essencial a atuação conjunta do governo, sociedade civil, influenciadores digitais, plataformas de redes sociais, pais e responsáveis na busca por soluções que enfrentem o desafio de proteger crianças e adolescentes na internet. Juntos, formamos significativas e eficazes redes de proteção.
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Em 2024, o Brasil teve um importante avanço na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, com a aprovação da Resolução 245 no Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).
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A resolução posiciona o bem-estar no centro da discussão e determina a criação de uma política nacional para o tema. Em nossas casas e famílias também podemos pensar em algumas saídas para enfrentar o problema.
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A primeira dica é sempre monitorar as redes sociais e aplicativos de jogos e mensagens onde as crianças estão sendo expostas ou que estão acessando.
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Não publique fotos da criança sem roupa, exposta ou em situação de vulnerabilidade e opte sempre que possível por colocar acessórios como óculos e chapéu para evitar a manipulação da imagem original.
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Caso queira publicar fotos e vídeos da criança, opte por fazer isso em um perfil fechado, sem acesso a pessoas de fora do seu convívio e rede de confiança. Ainda assim, tenha cuidado com o tipo de conteúdo que será compartilhado.
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Há uma série de materiais que podem ser utilizados para falar sobre segurança digital com crianças, além de cartilhas com orientações para pais, educadores, formuladores de políticas e indústria.
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Em 2023, o Ministério da Justiça e Segurança Pública lançou o De Boa Na Rede, um portal com orientações para a proteção de crianças e adolescentes em ambientes virtuais.
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No mesmo ano, a Anatel publicou o “Online com Sango”, um livro de atividades para os pais realizarem com filhos de até 9 anos.
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O portal Lunetas, braço jornalístico do Instituto Alana, fez uma lista com seis livros para conversar com as crianças sobre o uso de tecnologia.
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Uma das principais especialistas em educação midiática no país, a escritora Januária Cristina Alves, tem uma série de livros sobre o tema, como a obra “Navegando em mares conhecidos – Como usar a internet a seu favor”. Uma rede de proteção vigilante, bem informada e preparada pode fazer a diferença.
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Algumas Informações: Portal Metrópoles
Direitos Autorais Imagem de Capa: Tirachardz/Freepik/ Divulgação
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