O que fazer diante do apelo desesperado de uma menina de apenas 12 anos? A resposta está nas páginas do livro “Aconteceu com Minha Filha - Uma história real sobre os abismos sombrios da internet” (Editora Geração, 2025).
No livro, o autor Paulo Zsa Zsa relata de forma crua e corajosa o doloroso processo para livrar sua única filha, Júlia, do universo sádico e perverso, aparentemente invisível, do mundo digital.

Foto: Reprodução/ Internet
Ele não fazia ideia de que a jovem estava mergulhada em comunidades nocivas no Discord e desenvolvia dependência digital, culminando em automutilações, tentativas de suicídio e no pedido de internação.
Os nomes são fictícios para preservar a privacidade da família. O livro, em pré-lançamento, tem a contracapa assinada pelo pediatra Daniel Becker e pelo influenciador Felipe Neto.
Assim como o pai na série da Netflix "Adolescência", em que o filho de 15 anos é acusado de matar a facadas uma colega de escola, Paulo viveu os sentimentos de culpa, abandono, raiva e, sobretudo, de impotência diante de uma realidade devastadora: a manipulação que vem do submundo da internet.
No livro, o autor conta que, a partir do pedido de Júlia para ser internada, começou a entender o que estava acontecendo com a filha : desafios online, ‘panelinhas’, vídeos feitos por ela, exibindo os cortes feitos na própria pele, estimulados pela falsa sensação de pertencimento.
O autor explica que o objetivo do livro é fazer um alerta: - A cada dia que leio a notícia de uma criança ou adolescente vítima da internet, tenho ainda mais certeza da urgência desse alerta. Torço para que meu livro chegue aos pais como uma forma de evitar tragédias.
Como milhares de crianças e jovens no mundo, Júlia estava viciada. Ela se tornou agressiva, introspectiva, não queria sair de casa. A vida era o celular. No início, Paulo hesitou em fiscalizar o telefone da garota, sentia-se constrangido, até chegar o momento em que precisou impor limites à adolescente e viu-se obrigado a cortar radicalmente as telas.
O pediatra Daniel Becker, um dos principais nomes do país na defesa da infância, descreve o caso como um retrato potente e necessário da crise de saúde mental da juventude:
- É uma história do nosso tempo, e que precisa ser lida. Para que nossos filhos e filhas possam viver em paz, com saúde física e mental, aproveitando tudo de maravilhoso que o mundo real pode oferecer, e curtindo o ambiente digital de forma adequada e segura.
A obra foi escrita em apenas quatro meses e o autor conta que funcionou como uma terapia, uma enorme catarse. “Foi doloroso, mas muito necessário”, explica. Com o objetivo de servir como um sinal de alerta para pais, educadores e adolescentes, ao longo das páginas Paulo detalha como os perigos não estão apenas nas ruas.
Mas também -e cada vez mais- dentro dos quartos das crianças, onde a conexão com o mundo digital acontece longe dos olhos dos adultos.
Para o influenciador Felipe Neto, o livro é uma denúncia e um chamado: “É a dor de uma família que pode salvar a vida de outras. Precisa ser lido por todos que têm filhos ou convivem com adolescentes.
A internet nos oferece possibilidades incríveis, mas também riscos que não podemos ignorar. Como alguém que acompanhou de perto o nascimento e o crescimento do mundo digital, afirmo com convicção: vivemos uma epidemia de crimes online”, afirma.
A história pode soar semelhante para inúmeras famílias que passam por esse tipo de problema. Qual a hora certa de intervir? Como ajudar os jovens a saírem dessas armadilhas impostas por grupos na internet?
Paulo achou um caminho. Não desistiu. Foi um processo sofrido por todos os envolvidos, mas ele conseguiu dar à Júlia o que tinha à mão para trazer a filha de volta à ‘vida real’: acolhimento, escuta e amor. Mas o autor deixa claro: em muitos casos, essa chance não existe — e é justamente por isso que o alerta é tão urgente.
Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente um em cada sete adolescentes no mundo enfrentam algum tipo de problema de saúde mental, sendo muitos deles relacionados ao uso excessivo das redes sociais.
O impacto das redes sociais na saúde mental dos adolescentes é um problema que ultrapassa fronteiras. Em 2023 nos Estados Unidos, Jason Stevens, de 13 anos, morreu após tomar uma quantidade excessiva de remédio para alergia como parte de um desafio viral no TikTok.
Na Argentina, uma menina de 12 anos perdeu a vida ao reproduzir um desafio semelhante. Já no Reino Unido, a adolescente Molly Russell, com 14 anos, tirou sua própria vida após passar meses consumindo conteúdos relacionados à depressão e automutilação no Instagram.
Diante de tantos casos — nacionais e internacionais — o livro Aconteceu com Minha Filha e a série Adolescência não apenas retratam a gravidade da situação, como também contribuem para que esse tema deixe de ser tabu e se transforme em prioridade social.
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