Por: Cerqueiras Portal de Notícias

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Primeiro tetra-amputado no mundo: “Quero mudar como a sociedade nos enxerga”

Pedro Pimenta é o primeiro tetra-amputado no mundo a viver com total autonomia e luta para democratizar esse sonho.

Pedro Pimenta em depoimento a Ligia Moraes - Minha história mudou drasticamente em setembro de 2009, quando, aos 18 anos, fui internado com uma meningite bacteriana, provavelmente do tipo B, já que, naquela época, ainda não havia uma vacina para a doença. 

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Fiquei uma semana em coma, e, quando acordei, consideraram um milagre. Os médicos disseram à minha família que eu tinha menos de 1% de chance de sobreviver. O quadro progrediu rapidamente, causando gangrena nos braços e nas pernas, e uma infecção hospitalar me levou à mesa de cirurgia. 

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Cheguei a me despedir da família e, quando acordei, após um novo coma depois da operação, percebi que tinha perdido todos os membros. No total, foram cinco meses e meio de hospital.

Muita gente vê a amputação como o maior desafio de quem passa por isso. Para mim, o peso emocional foi muito maior.

Eu acordava e não me reconhecia no espelho. Não sabia quem era aquele novo Pedro. Havia um conflito entre ele e aquele “eu” de antes, o cara que jogava futebol e tocava violão. Foi devastador. 

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Quando tive alta, o mundo lá fora parecia seguir normalmente, e eu me sentia estagnado. Aprender a lidar com esses pensamentos negativos e redescobrir minha identidade foi parte essencial da recuperação.

A reabilitação física foi lenta e, aos poucos, aceitei minha nova realidade. Fiz o melhor com as cartas que recebi.

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Nesse período, realizando o tratamento no setor público, comecei a frequentar eventos para entender o mundo das próteses.

Em uma ocasião, conheci o vice-presidente da Hanger, a maior empresa global de reabilitação. Ele me convidou a conhecer um centro especializado em veteranos de guerra amputados em Oklahoma, nos Estados Unidos. 

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Após semanas de um treinamento intenso, voltei ao Brasil andando com minhas próteses e prometi que nunca mais usaria cadeira de rodas. Desde dezembro de 2010, mantenho essa promessa viva. Pouco depois, fui chamado para apresentar meu caso em congressos e me tornei mentor de outros amputados.

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Em 2011, eu me mudei para os EUA para trabalhar com a Hanger e me formar em economia. Também estudei fisiologia e terapia ocupacional, e comecei a viajar pelo país para prestar suporte a casos complexos. 

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Ao longo dos anos, desenvolvi técnicas que me permitiram dirigir um carro sem adaptações, morar e viajar sozinho, e pude compartilhá-las com os demais pacientes, criando um efeito cascata de esperança. 

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Irmãos Gonçalves

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Dez anos depois, voltei ao Brasil com a bagagem necessária para fundar uma clínica especializada em próteses e casos desafiadores. E hoje ela é uma das referências na América Latina. No espaço, em Barueri (SP), acreditamos no aprendizado horizontal: os amputados se apoiam e evoluem uns com os outros. 

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Isso é crucial na reabilitação. No próximo mês, abriremos a segunda unidade, em Belo Horizonte.

Infelizmente, muitas portas ainda estão fechadas a pessoas com deficiência, devido ao capacitismo e à falta de acesso às próteses. Os planos de saúde não as cobrem e há uma defasagem na tabela do SUS. 

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Mas o que tento ensinar aos meus mentorados é que, por meio da educação, é possível ir longe. Ainda há muito a fazer até que a sociedade normalize as pessoas com deficiência, sem infantilizá-las ou discriminá-­las. 

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Por isso eu quero ressignificar como os amputados se veem e mudar como o mundo nos enxerga. Porque podemos construir uma carreira, uma família, uma vida social… Tenho orgulho em dizer que sou o primeiro tetra-amputado 100% independente do planeta. Minha esposa, sobrinhas e amigos estão sempre ao meu lado. 

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E, recentemente, adotei o Chocolate, um cachorro que perdeu uma pata e, reabilitado, agora utiliza uma prótese e é o mascote da clínica, trazendo alegria às crianças. Aos 33 anos, sou um defensor das vacinas contra a meningite e sigo minha missão de ajudar outros amputados a ter acesso a tecnologias assistivas e a uma nova vida.

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W Aluminium

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Leia Mais:

Tecnologias de ponta em próteses

Nos últimos anos, as próteses avançaram de simples substitutos funcionais para dispositivos altamente tecnológicos, capazes de devolver não apenas a mobilidade, mas também uma qualidade de vida superior a amputados. 

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Tecnologias como próteses biônicas, que podem ser controladas por impulsos nervosos ou sinais cerebrais, têm permitido que usuários movam os membros artificiais de forma quase natural. Pesquisas também estão avançando em próteses sensoriais, que simulam o toque e a sensação de pressão, aproximando a experiência de uma interação orgânica.

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Mundo das Utilidades

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Além disso, a impressão 3D tem possibilitado a criação de próteses personalizadas a baixo custo, atendendo a necessidades específicas dos amputados, seja em termos de tamanho, forma ou função. Isso democratiza o acesso a tecnologias de ponta, tornando-as mais acessíveis. 

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No entanto, ainda existe uma barreira significativa em termos de acesso a essas próteses nos sistemas de saúde públicos e em países com poucos recursos, onde muitas vezes os amputados ficam limitados a modelos mais básicos.

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BibiCar

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Educação como ferramenta de empoderamento

Pedro Pimenta enfatiza que a educação é uma das chaves para o empoderamento de pessoas com deficiência. E ele está certo. A formação educacional não só oferece habilidades práticas, mas também constrói confiança e abre portas para novas oportunidades profissionais. 

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Quando indivíduos com deficiência têm acesso a educação de qualidade, eles podem competir no mercado de trabalho, buscar carreiras especializadas e contribuir para a sociedade de forma plena.

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No caso de Pedro, seu estudo de economia, fisiologia e terapia ocupacional nos EUA foi decisivo para sua própria reabilitação e para o desenvolvimento de técnicas que ele pôde compartilhar com outros amputados. 

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Ao usar o conhecimento que adquiriu para criar uma clínica de próteses e liderar uma comunidade de reabilitação no Brasil, ele exemplifica como a educação é um veículo de transformação, não só pessoal, mas também social.

A educação também é essencial para combater o capacitismo, pois ajuda a desconstruir estereótipos e permite que a sociedade veja o potencial de pessoas com deficiência além das limitações físicas.

Com o apoio de uma formação sólida, indivíduos como Pedro são capazes de se destacar, liderar e inspirar mudanças no modo como são percebidos.

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Irmãos Gonçalves

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Conclusão

A história de Pedro Pimenta é um exemplo poderoso de como as tecnologias avançadas e a educação podem transformar as vidas de pessoas com deficiência.

As próteses de última geração estão ajudando amputados a recuperarem autonomia, enquanto o acesso à educação oferece a base para que eles superem desafios sociais e emocionais, tornando-se agentes de mudança.

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Pedro não apenas sobreviveu a um evento devastador, mas reinventou sua vida e usa sua experiência para impactar positivamente a vida de outros.

Seu trabalho na democratização do acesso a próteses, ao lado de seu compromisso com a educação como ferramenta de empoderamento, aponta para um futuro onde as limitações físicas não serão barreiras para uma vida plena e autônoma.

Seu exemplo não só redefine o que significa ser uma pessoa com deficiência, mas também nos desafia a construir uma sociedade mais inclusiva e acessível a todos.

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A Palavra Morde no Portal

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Algumas Informações: Portal Veja
Direitos Autorais Imagem de Capa: (Pryscilla K./UOL//)/ Divulgação


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