Pesquisas internacionais sugerem que a imunização contra o cobreiro, além de prevenir complicações da doença, pode trazer benefícios extras para a saúde cardiovascular.
Um estudo global recente, apresentado no Congresso da Sociedade Europeia de Cardiologia, sugere que a vacinação contra o herpes-zóster, conhecido popularmente como cobreiro, está associada a uma redução significativa no risco de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral.

A revisão sistemática e meta-análise reuniu quase 20 estudos, dos quais nove atenderam aos critérios de inclusão, sendo oito observacionais e um ensaio clínico randomizado.
Entre os adultos de 18 a 49 anos, os dados apontaram uma redução de aproximadamente 18% no risco de eventos cardiovasculares. Já para aqueles com mais de 50 anos, a queda foi em torno de 16%.
Os resultados também mostraram que, em números absolutos, a vacinação pode evitar entre 1,2 e 2,2 eventos cardiovasculares a cada mil pessoas por ano.

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Outro dado importante é que tanto a vacina recombinante quanto a atenuada apresentaram associação positiva com a redução do risco, o que amplia a confiança nos achados.
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Apesar disso, os pesquisadores alertam que a maior parte das evidências é proveniente de estudos observacionais, que não permitem estabelecer com certeza uma relação de causa e efeito.
Ainda assim, a hipótese é consistente com pesquisas anteriores que já apontavam a ligação entre o vírus da varicela-zóster e inflamações nos vasos sanguíneos, capazes de aumentar o risco cardíaco.
Em um estudo específico realizado na Coreia do Sul, envolvendo mais de 1,2 milhão de pessoas acima de 50 anos, a vacina viva contra o herpes-zóster mostrou uma redução de 23% no risco de problemas cardiovasculares.
Os benefícios foram mais evidentes entre dois e três anos após a vacinação, mas os efeitos protetores se estenderam por até oito anos. Essa mesma pesquisa também revelou reduções de 26% no risco de infarto e AVC, 26% na insuficiência cardíaca e 22% na doença coronariana.
O impacto positivo foi mais significativo em homens, pessoas com menos de 60 anos e indivíduos com estilo de vida considerado menos saudável.
Estudos complementares reforçaram esses resultados, confirmando reduções consistentes nos riscos, tanto para a população mais jovem quanto para os idosos.
A Sociedade Europeia de Cardiologia passou a defender a vacinação como um “quarto pilar” da prevenção das doenças cardiovasculares, ao lado do controle da pressão arterial, do uso de estatinas e do tratamento do diabetes.
Especialistas, no entanto, lembram que outros fatores de risco, como obesidade, tabagismo, hipertensão e sedentarismo, também precisam ser enfrentados em paralelo à vacinação.
No Brasil, a vacina contra o herpes-zóster está disponível apenas na rede privada. Em 2025, o Ministério da Saúde chegou a solicitar avaliação sobre a possível inclusão no calendário do SUS, mas a análise ainda está em andamento.
Atualmente, o custo médio da dose varia entre 850 e mil reais, sendo necessário um esquema de duas doses, o que eleva o valor total para até dois mil reais.
A infecção por herpes-zóster, além de dolorosa, pode gerar complicações graves, como a neuralgia pós-herpética, problemas de visão e até dor crônica, sobretudo em pessoas idosas ou com baixa imunidade.
Diante disso, a vacinação já é recomendada como medida preventiva para essas complicações, e agora ganha força como possível proteção extra contra doenças cardíacas.
Em conclusão, a imunização contra o herpes-zóster surge como uma estratégia promissora não apenas para evitar o cobreiro, mas também para reduzir o risco de eventos cardiovasculares. No entanto, mais estudos clínicos rigorosos são necessários para confirmar definitivamente essa relação.
Algumas Informações: A Gazeta.com.br
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