Pesquisadores apontam que imunizantes contra herpes-zóster e VSR, com adjuvante AS01, apresentam efeitos protetores contra o declínio cognitivo — mas reforçam que a descoberta ainda exige mais estudos.
Pesquisadores norte-americanos identificaram um efeito surpreendente em duas vacinas recomendadas para idosos: a possibilidade de reduzir significativamente o risco de demência. O estudo foi publicado em junho na revista científica NPJ Vaccines.
A pesquisa analisou dados de mais de 130 mil idosos nos Estados Unidos, comparando diferentes imunizações. As vacinas estudadas foram as contra herpes-zóster e o vírus sincicial respiratório (VSR).
Ambas as vacinas possuem o adjuvante AS01, um composto que estimula a resposta imune do corpo. Esse elemento pode estar ligado à proteção observada contra o declínio cognitivo.
O grupo vacinado contra herpes-zóster apresentou uma redução de 18% no risco de desenvolver demência. Já quem tomou a vacina contra o VSR teve um risco 29% menor.
Os dados mais impressionantes vieram daqueles que receberam as duas vacinas. Nessa combinação, o risco de demência caiu 37% em comparação com quem só tomou a vacina da gripe.Curiosamente, o efeito combinado foi inferior à soma individual dos efeitos das duas vacinas. Isso levantou uma hipótese entre os cientistas.
Eles acreditam que o benefício não está necessariamente na proteção contra os vírus em si. O fator mais importante pode ser o adjuvante AS01, presente nas duas vacinas.
Esse composto ativa fortemente o sistema imunológico, inclusive no cérebro. Isso reforça a teoria de que doenças como o Alzheimer podem ter relação com imunidade cerebral.
Se essa hipótese estiver correta, vacinas com adjuvantes como o AS01 poderiam modular inflamações ou processos degenerativos no cérebro. No entanto, os autores do estudo alertam que a pesquisa é apenas um passo inicial. Ainda não é possível afirmar que as vacinas previnem a demência.
Essa ideia vai ao encontro de descobertas recentes sobre a ligação entre o sistema imunológico e a função cerebral. Pesquisadores já observam alterações neurodegenerativas em resposta a inflamações crônicas.
Os mecanismos biológicos que justificam essa proteção não foram totalmente compreendidos. O estudo levanta questões que exigem novos testes clínicos e laboratoriais.
Além disso, o estudo teve natureza observacional, o que significa que não há relação de causa e efeito comprovada. São necessárias pesquisas experimentais.
Os dados, porém, oferecem um novo caminho para investigação e esperança para o futuro. O envelhecimento populacional torna urgente encontrar formas de prevenir doenças cognitivas.
Atualmente, mais de 55 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, segundo a OMS. Esse número deve dobrar nas próximas décadas.
Se vacinas comuns puderem influenciar positivamente esse cenário, o impacto em saúde pública pode ser enorme. O estudo reacende o debate sobre imunização em idosos.
A vacina contra herpes-zóster, por exemplo, já é recomendada para pessoas acima de 50 anos. O mesmo ocorre com o imunizante contra o VSR, recém-aprovado em vários países.
Enquanto isso, pesquisadores continuam a explorar o papel do sistema imunológico no cérebro. Entender como a imunidade afeta a cognição pode mudar os rumos do tratamento de demências.
A descoberta mostra que a prevenção pode estar mais próxima do que se imaginava. E talvez, parte da resposta esteja na própria farmácia das vacinas.
Apesar do entusiasmo, especialistas destacam que os resultados ainda não são suficientes para recomendar o uso das vacinas com o objetivo exclusivo de prevenir demência. A principal indicação continua sendo a proteção contra infecções graves em idosos, como o herpes-zóster e o VSR, que podem causar complicações sérias nessa faixa etária.
Ainda assim, os achados reforçam a importância de manter o calendário vacinal atualizado. À medida que mais estudos forem realizados, será possível entender melhor como certos imunizantes podem trazer benefícios adicionais à saúde do cérebro — e talvez abrir caminho para estratégias inéditas de prevenção do declínio cognitivo.
Algumas Informações: metropoles_saudeeciencia (Instagram)
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