De Jacarta ao Rio de Janeiro, o rebaixamento do solo expõe áreas urbanas ao risco crescente de inundações, enquanto mudanças climáticas e ações humanas aceleram um problema invisível, porém devastador.
Um número crescente de cidades ao redor do mundo está enfrentando um problema silencioso, mas extremamente perigoso: o afundamento do solo, fenômeno conhecido na geologia como subsidência. Esse processo, que pode ocorrer de forma natural, tem sido intensificado pela ação humana e representa uma ameaça direta à segurança de milhões de pessoas.

A subsidência é o rebaixamento gradual da superfície terrestre. Em áreas urbanas, ela costuma estar ligada à extração excessiva de água subterrânea, à construção de grandes estruturas sobre solos frágeis e à compactação natural do solo, acelerada por atividades humanas.
Um estudo recente da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU), em Cingapura, analisou esse fenômeno em 48 cidades costeiras espalhadas por diferentes continentes, incluindo Ásia, África, Europa e as Américas. O que foi revelado é alarmante: muitas dessas cidades estão afundando mais rápido do que o nível do mar está subindo.
Essa combinação — afundamento do solo e aumento do nível do mar, causado pelas mudanças climáticas — representa uma ameaça dupla para as populações costeiras. A vulnerabilidade se intensifica em áreas densamente povoadas, com infraestrutura urbana precária e sistemas de drenagem ineficientes.
Um exemplo grave ocorreu em Tianjin, na China, em 2023, quando cerca de 3 mil pessoas precisaram evacuar prédios residenciais após grandes rachaduras surgirem nas ruas. A causa: a subsidência acentuada do solo, que comprometeu a estabilidade de toda a região.
Outras cidades enfrentam situações ainda mais críticas. Jacarta, capital da Indonésia, afunda até 25 centímetros por ano em determinadas áreas. O governo do país, diante da gravidade, decidiu construir uma nova capital em uma região menos vulnerável, na ilha de Bornéu.
Na Cidade do México, a subsidência tem sido uma realidade há décadas. Devido à intensa retirada de água do subsolo, a cidade já afundou mais de 10 metros em algumas regiões ao longo do último século. Esse rebaixamento compromete estradas, ferrovias e construções históricas.
O Brasil também não está imune a esse problema. Segundo o estudo da NTU, o Rio de Janeiro faz parte das cidades analisadas. Entre 2014 e 2020, certas regiões da capital fluminense afundaram entre 0,01 cm e 6,3 cm por ano, o que é significativo, principalmente em áreas mais próximas ao mar.
Uma pesquisa estimou que aproximadamente 337 mil pessoas vivem em áreas do Rio que afundam, em média, mais de 1 cm por ano. Isso amplia os riscos de alagamentos, especialmente em períodos de chuvas intensas, já que o rebaixamento do solo dificulta o escoamento da água.
Para tentar controlar os impactos das enchentes, o Rio iniciou em 2012 a construção de quatro reservatórios subterrâneos e um túnel de desvio. Essas obras têm como objetivo conter inundações leves e moderadas, mas especialistas alertam que essas soluções são paliativas diante da magnitude do problema.
O desafio é que, mesmo com investimentos em infraestrutura, se a causa principal — como a retirada excessiva de água do lençol freático — não for controlada, os efeitos da subsidência continuarão se agravando com o tempo.
A subsidência não é visível de imediato, o que dificulta a conscientização pública sobre o problema. Porém, com o avanço da tecnologia, como o uso de satélites e sensores remotos, é possível monitorar o rebaixamento do solo com precisão milimétrica.
Cidades como Tóquio, no Japão, servem de exemplo positivo. Após décadas enfrentando o problema, a cidade conseguiu reduzir significativamente a subsidência ao restringir o uso de águas subterrâneas e diversificar suas fontes de abastecimento.
Esse tipo de planejamento exige políticas públicas robustas, fiscalização rigorosa e um envolvimento direto da população. É fundamental que os gestores públicos compreendam que o combate à subsidência é também uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas.
A crise climática, por sua vez, aumenta o nível dos oceanos, o que agrava a situação das cidades que já estão rebaixadas. Quando combinadas, a elevação do mar e a subsidência tornam alagamentos mais frequentes e destrutivos, afetando os mais vulneráveis.
Além dos danos materiais, esse processo compromete a saúde pública, a segurança alimentar e o abastecimento de água potável, criando um ciclo de riscos interligados que exigem ações integradas e urgentes.
Governos, pesquisadores e organizações internacionais estão começando a se mobilizar. Ações incluem a criação de zonas de risco, a limitação de construções em áreas vulneráveis e a implementação de planos de evacuação e adaptação.
A conscientização pública também é essencial. Populações informadas podem cobrar políticas mais eficazes, participar de decisões urbanas e adotar práticas sustentáveis, como o uso consciente da água e a preservação de áreas verdes urbanas.
Em resumo, o afundamento das cidades é um problema global, complexo e urgente. Requer cooperação internacional, planejamento de longo prazo e uma mudança de paradigma na forma como ocupamos e cuidamos dos espaços urbanos — especialmente à beira-mar.
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